Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Falta gasolina

por Miguel Bastos, em 01.10.21

sem gasolina.jpg

Coisa de filme-catástrofe. O primeiro-ministro britânico colocou os militares de prontidão. A ordem pública está ameaçada. Por causa dos estrangeiros. Melhor dizendo, pela falta deles. As pessoas correram que nem doidas para as bombas de gasolina. O risco de faltar gasolina é real, porque faltam motoristas que garantam o abastecimento. E não é só de gasolina. Teme-se a falta de alimentos, produtos de higiene, medicamentos, bebidas. Quase tudo. A coisa está de tal forma, que Boris Johnson - que se tem dedicado a transformar o Reino Unido numa ilha, novamente isolada, e a expulsar trabalhadores que eram "europeus" e agora são "estrangeiros"; Boris Johnson - que até foi salvo por um enfermeiro estrangeiro (português, no caso) que trabalhava para o sistema nacional de saúde que ele não gostava, mas depois parece que, afinal, até passou a gostar; Boris Johnson - dizia eu - que fez o Brexit e andou a expulsar os trabalhadores estrangeiros para fazer um "Great Britain, Great Again", autorizou a contratação de 5 mil camionistas estrangeiros, para resolver o assunto.
 
É claro que esta gente devia-lhe fazer o gesto bonito que Rafael Bordalo Pinheiro imortalizou, em cerâmica artística das Caldas. Mas, tal como os britânicos, os camionistas precisam de comer. E, com maços de libras a abanar, o governo britânico vai acabar por conseguir aquilo que quer. Mas não fazia mal nenhum aos cidadãos do Reino Unido pensarem um bocadinho melhor, nesta coisa dos estrangeiros. E (já agora) os europeus, em geral, e os portugueses, em particular.
[Foto: Neil Hall / EPA]

Autoria e outros dados (tags, etc)

Auf wiedersehen

por Miguel Bastos, em 23.09.21

merkel.jpg

Angela Merkel, símbolo da austeridade económica e financeira da União Europeia, está de saída.
Angela Merkel, símbolo do acolhimento aos refugiados contra a hesitação da União Europeia, também.
Ambas (apetece escrever "ambas as duas") vão abandonar a vida política.
Durante os seus mandatos, muitos analistas lamentaram a ausência dos grandes líderes europeus. Demoraram a perceber que, se calhar, tinham uma: ali, mesmo, debaixo do nariz.
 
[Foto: AFP]

Autoria e outros dados (tags, etc)

Afeganistão para crianças

por Miguel Bastos, em 31.08.21

cabul atentado.jpg

Filho - Pai, podes-me explicar o que é que está a acontecer no Afeganistão?

Pai - Bem, os americanos e os europeus estão a abandonar o país, que volta a ser governado pelos talibãs...
Filho- Que são os maus, certo?
Pai- Não é bem assim. Isto não é um filme do "Star Wars", com bons de um lado e maus do outro.
Filho- Não?
Pai- Não, é um bocadinho mais complexo.
Filho - Mas, os americanos não fizeram guerra aos talibãs?
Pai-Sim. Mas, agora, desistiram e os talibãs voltaram ao poder e...
Filho- E fizeram o atentado ao aeroporto.
Pai -Não, eles estavam a guardar o aeroporto, juntamente com os americanos.
Filho - Portanto, agora são bons...
Pai - Mais ou menos...
Filho - Então foram os outros terroristas, os do 11 de Setembro.
Pai-Também não. Parece que foram os do Estado Islâmico.
Filho - Ó pai, os americanos não foram para o Afeganistão para acabar com os terroristas?
Pai- Exato.
Filho- Os talibãs...
Pai - Não, os daAl-Qaeda.
Filho - Estes, os do aeroporto.
Pai - Não, este é outro grupo. É o Estado Islâmico, que apareceu depois da segunda invasão do Iraque.
Filho -Desculpa, pai, mas isto parece mesmo um filme do "Star Wars".
Pai - Tens razão, filho. Pensando bem, parece.
[Foto: Victor J. Blue - The New York Times]

Autoria e outros dados (tags, etc)

Discoteca

por Miguel Bastos, em 19.07.21

Lá, do alto da sua torre de isolamento profilático no "countryside", o primeiro-ministro britânico dirigiu-se aos súbditos de sua majestade: primeiro, pediu-lhes juízo; depois, mandou abrir as discotecas. 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Um bocado de mel

por Miguel Bastos, em 25.05.21

O MEL - Movimento Europa e Liberdade está a realizar uma convenção, em Lisboa, que tem como objetivo contribuir para a convergência da direita, em Portugal. Vamos a convergências:
O líder da Iniciativa Liberal acusou o PSD de ser refém do Partido Socialista e de fazer o discurso do Bloco de Esquerda e do PCP. Depois, numa referência ao Chega, declara que nunca apoiará o populismo.
O Vice-Presidente da Câmara de Cascais, Miguel Pinto Luz, do PSD, considera que a discussão sobre a convergência à direita é "extemporânea", reconheceu que Rui Rio não vai ganhar as próximas eleições e que a solução passa por eleições internas.
A deputada do CDS-PP, Cecília Meireles, considera que, primeiro, os partidos têm que se organizar, internamente, mas admitiu que a direita tem de começar a discutir "o que quer para o país", para não fazer "fretes ao PS".
O vice-presidente do Chega, Nuno Afonso, diz que, apesar de dizerem que não fazem governo com o Chega, a Iniciativa Liberal e o PSD estão "a alimentar o sapo que mais cedo ou mais tarde vão ter de engolir".
Tanta convergência fez-me lembrar uma canção de Gonzaguinha, daquelas de partir o coração, que Maria Bethânia cantou num disco que, curiosamente, se chama "Mel":

Primeiro você me azucrina
Me entorta a cabeça
Me bota na boca
Um gosto amargo de fel

Depois
Vem chorando desculpas
Assim meio pedindo
Querendo ganhar
Um bocado de mel

Autoria e outros dados (tags, etc)

Caridade

por Miguel Bastos, em 15.04.21

A Dinamarca prepara-se para oferecer as vacinas da AstraZeneca aos países pobres. Querem fazer um dois em um: evitar tromboses e mostrar que têm bom coração. Lembrei-me duma canção de José Barata-Moura tão atual, que lembra a solidariedade mais antiga do mundo: a caridadezinha.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Copo meio cheio

por Miguel Bastos, em 09.04.21

copo meio cheio.jpg

Caso já nos tenhamos esquecido, há, por aí, um bicho que mata. E há, também, uma coisa que evita que o faça: chama-se vacina. O processo de investigação e criação da vacina foi de uma rapidez nunca vista. Mas, o processo de vacinação tem sido atribulado: o fabrico e a distribuição têm sofrido vários atrasos e surgiram dúvidas em relação aos efeitos secundários de uma das marcas existentes. As dúvidas são legítimas e têm sido analisadas. Continua, no entanto, a haver uma certeza: o bicho mata.

Ontem, na RTP, o epidemiologista Henrique Barros punha as coisas da seguinte forma: se toda a população portuguesa fosse vacinada com a vacina da AstraZeneca haveria o risco de morrerem 10 a 12 pessoas, em Portugal. Uma desgraça, certamente. Mas, o que dizer das quase 17 mil mortes que já tivemos, desde o início da pandemia? Poderemos, sempre, argumentar que no início não tínhamos vacina. Mas, agora, temos. E, enquanto recusamos uma vacina e interrompemos, repetidamente, o processo de vacinação, o bicho vai matando. Só ontem, morreram 9 pessoas em Portugal: da doença, não da vacina, entenda-se. E, se pensarmos bem, é um alívio  - tendo em conta que já tivemos mais de 300 mortes por dia.

Esta não é, portanto, uma discussão entre o copo meio cheio ou meio vazio. É mais entre o copo meio cheio e a rede nacional de abastecimento de água.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Rigor alemão

por Miguel Bastos, em 31.03.21

astraz.jpg

O governo alemão suspendeu a vacina da AstraZeneca, a menores de 60 anos. Já o tinha feito, a maiores de 65 anos. A próxima decisão poderá permitir a vacina, aos protestantes do norte; ao mesmo tempo que irá desaconselhar a vacina, aos católicos do sul. Ou, então, chega-se à conclusão de que não existem contraindicações - exceto quando administrada às quartas-feiras, da parte da tarde; e aos sábados, da parte da manhã. Lembram-se do rigor alemão? Parece que foi, novamente, abalado. Talvez seja outro efeito secundário da vacina.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Melhor e pior

por Miguel Bastos, em 18.03.21

Covid-19. Portugal é, hoje, o país da União Europeia com menos novos casos por 100 mil habitantes. O que é que isto nos diz? Bem, antes de mais, convém dizer que é melhor ser "o melhor", do que ser "o pior". Certo? Mas convém, também, lembrar que fomos "os piores", há bem pouco tempo. Tivemos, até, direito ao discurso indignado e acusatório de um ex-presidente, eternamente obcecado com a ideia de "pelotão da frente". Portanto, não vale a pena embandeirar em arco com os dados mais recentes. Da mesma forma que não vale a pena gritar que o barco está a afundar-se, quando o que é importante é pegar no balde e tirar a água do convés. Não somos os melhores, nem somos os piores. Somos como os outros: subimos e descemos nos números, avançamos e recuamos, resistimos, erramos, caímos ao chão, levantamo-nos. No final, eu também acho que "vai ficar tudo bem". O problema é que não sabemos quando é que chegamos ao fim, como é que chegamos, e, pior ainda, sabemos que não vamos chegar todos.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Enevoado

por Miguel Bastos, em 12.01.21

oculos.jpg

Máscara e óculos. Vejo tudo enevoado. Às vezes, fico muito irritado. Outras vezes, até gosto. Parece que estou em Londres. Em tempo de pandemia, usar óculos e máscara é o cosmopolitismo possível.

Autoria e outros dados (tags, etc)


Mais sobre mim

foto do autor


Calendário

Outubro 2021

D S T Q Q S S
12
3456789
10111213141516
17181920212223
24252627282930
31

Pesquisar

  Pesquisar no Blog

Arquivo

  1. 2021
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2020
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2019
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2018
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2017
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2016
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2015
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D