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A Europa civilizada

por Miguel Bastos, em 21.11.21

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As imagens das manifestações contra as medidas restritivas, decretadas por vários governos europeus para travar a COVID, são assustadoras. Este fim de semana, milhares de pessoas saíram à rua, em várias cidades de vários países, para pedirem "liberdade". Saíram aos milhares, a maioria sem máscara, exigindo que a sua opinião seja ouvida enquanto se contagiam uns aos outros, alguns acompanhados pelos filhos, no meio de petardos, bombas incendiárias, canhões de água e gás lacrimogénio. Às vezes, a Europa "civilizada" é, mesmo, assustadora.

 
Os portugueses gostam de se olhar ao espelho, para se lamentarem do seu país. Muitos fazem-no com graça, clarividência e acutilância. Têm, apenas, uma certa tendência para se excluírem do objeto criticado. Os portugueses deve aprofundar esse hábito de se olharem ao espelho. Talvez, hoje, possam ver devolvida, no espelho, uma imagem muito mais civilizada do que uma certa Europa que tendemos a idolatrar.

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Falta gasolina

por Miguel Bastos, em 01.10.21

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Coisa de filme-catástrofe. O primeiro-ministro britânico colocou os militares de prontidão. A ordem pública está ameaçada. Por causa dos estrangeiros. Melhor dizendo, pela falta deles. As pessoas correram que nem doidas para as bombas de gasolina. O risco de faltar gasolina é real, porque faltam motoristas que garantam o abastecimento. E não é só de gasolina. Teme-se a falta de alimentos, produtos de higiene, medicamentos, bebidas. Quase tudo. A coisa está de tal forma, que Boris Johnson - que se tem dedicado a transformar o Reino Unido numa ilha, novamente isolada, e a expulsar trabalhadores que eram "europeus" e agora são "estrangeiros"; Boris Johnson - que até foi salvo por um enfermeiro estrangeiro (português, no caso) que trabalhava para o sistema nacional de saúde que ele não gostava, mas depois parece que, afinal, até passou a gostar; Boris Johnson - dizia eu - que fez o Brexit e andou a expulsar os trabalhadores estrangeiros para fazer um "Great Britain, Great Again", autorizou a contratação de 5 mil camionistas estrangeiros, para resolver o assunto.
 
É claro que esta gente devia-lhe fazer o gesto bonito que Rafael Bordalo Pinheiro imortalizou, em cerâmica artística das Caldas. Mas, tal como os britânicos, os camionistas precisam de comer. E, com maços de libras a abanar, o governo britânico vai acabar por conseguir aquilo que quer. Mas não fazia mal nenhum aos cidadãos do Reino Unido pensarem um bocadinho melhor, nesta coisa dos estrangeiros. E (já agora) os europeus, em geral, e os portugueses, em particular.
[Foto: Neil Hall / EPA]

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Auf wiedersehen

por Miguel Bastos, em 23.09.21

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Angela Merkel, símbolo da austeridade económica e financeira da União Europeia, está de saída.
Angela Merkel, símbolo do acolhimento aos refugiados contra a hesitação da União Europeia, também.
Ambas (apetece escrever "ambas as duas") vão abandonar a vida política.
Durante os seus mandatos, muitos analistas lamentaram a ausência dos grandes líderes europeus. Demoraram a perceber que, se calhar, tinham uma: ali, mesmo, debaixo do nariz.
 
[Foto: AFP]

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Afeganistão para crianças

por Miguel Bastos, em 31.08.21

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Filho - Pai, podes-me explicar o que é que está a acontecer no Afeganistão?

Pai - Bem, os americanos e os europeus estão a abandonar o país, que volta a ser governado pelos talibãs...
Filho- Que são os maus, certo?
Pai- Não é bem assim. Isto não é um filme do "Star Wars", com bons de um lado e maus do outro.
Filho- Não?
Pai- Não, é um bocadinho mais complexo.
Filho - Mas, os americanos não fizeram guerra aos talibãs?
Pai-Sim. Mas, agora, desistiram e os talibãs voltaram ao poder e...
Filho- E fizeram o atentado ao aeroporto.
Pai -Não, eles estavam a guardar o aeroporto, juntamente com os americanos.
Filho - Portanto, agora são bons...
Pai - Mais ou menos...
Filho - Então foram os outros terroristas, os do 11 de Setembro.
Pai-Também não. Parece que foram os do Estado Islâmico.
Filho - Ó pai, os americanos não foram para o Afeganistão para acabar com os terroristas?
Pai- Exato.
Filho- Os talibãs...
Pai - Não, os daAl-Qaeda.
Filho - Estes, os do aeroporto.
Pai - Não, este é outro grupo. É o Estado Islâmico, que apareceu depois da segunda invasão do Iraque.
Filho -Desculpa, pai, mas isto parece mesmo um filme do "Star Wars".
Pai - Tens razão, filho. Pensando bem, parece.
[Foto: Victor J. Blue - The New York Times]

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Discoteca

por Miguel Bastos, em 19.07.21

Lá, do alto da sua torre de isolamento profilático no "countryside", o primeiro-ministro britânico dirigiu-se aos súbditos de sua majestade: primeiro, pediu-lhes juízo; depois, mandou abrir as discotecas. 

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Um bocado de mel

por Miguel Bastos, em 25.05.21

O MEL - Movimento Europa e Liberdade está a realizar uma convenção, em Lisboa, que tem como objetivo contribuir para a convergência da direita, em Portugal. Vamos a convergências:
O líder da Iniciativa Liberal acusou o PSD de ser refém do Partido Socialista e de fazer o discurso do Bloco de Esquerda e do PCP. Depois, numa referência ao Chega, declara que nunca apoiará o populismo.
O Vice-Presidente da Câmara de Cascais, Miguel Pinto Luz, do PSD, considera que a discussão sobre a convergência à direita é "extemporânea", reconheceu que Rui Rio não vai ganhar as próximas eleições e que a solução passa por eleições internas.
A deputada do CDS-PP, Cecília Meireles, considera que, primeiro, os partidos têm que se organizar, internamente, mas admitiu que a direita tem de começar a discutir "o que quer para o país", para não fazer "fretes ao PS".
O vice-presidente do Chega, Nuno Afonso, diz que, apesar de dizerem que não fazem governo com o Chega, a Iniciativa Liberal e o PSD estão "a alimentar o sapo que mais cedo ou mais tarde vão ter de engolir".
Tanta convergência fez-me lembrar uma canção de Gonzaguinha, daquelas de partir o coração, que Maria Bethânia cantou num disco que, curiosamente, se chama "Mel":

Primeiro você me azucrina
Me entorta a cabeça
Me bota na boca
Um gosto amargo de fel

Depois
Vem chorando desculpas
Assim meio pedindo
Querendo ganhar
Um bocado de mel

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Caridade

por Miguel Bastos, em 15.04.21

A Dinamarca prepara-se para oferecer as vacinas da AstraZeneca aos países pobres. Querem fazer um dois em um: evitar tromboses e mostrar que têm bom coração. Lembrei-me duma canção de José Barata-Moura tão atual, que lembra a solidariedade mais antiga do mundo: a caridadezinha.

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Copo meio cheio

por Miguel Bastos, em 09.04.21

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Caso já nos tenhamos esquecido, há, por aí, um bicho que mata. E há, também, uma coisa que evita que o faça: chama-se vacina. O processo de investigação e criação da vacina foi de uma rapidez nunca vista. Mas, o processo de vacinação tem sido atribulado: o fabrico e a distribuição têm sofrido vários atrasos e surgiram dúvidas em relação aos efeitos secundários de uma das marcas existentes. As dúvidas são legítimas e têm sido analisadas. Continua, no entanto, a haver uma certeza: o bicho mata.

Ontem, na RTP, o epidemiologista Henrique Barros punha as coisas da seguinte forma: se toda a população portuguesa fosse vacinada com a vacina da AstraZeneca haveria o risco de morrerem 10 a 12 pessoas, em Portugal. Uma desgraça, certamente. Mas, o que dizer das quase 17 mil mortes que já tivemos, desde o início da pandemia? Poderemos, sempre, argumentar que no início não tínhamos vacina. Mas, agora, temos. E, enquanto recusamos uma vacina e interrompemos, repetidamente, o processo de vacinação, o bicho vai matando. Só ontem, morreram 9 pessoas em Portugal: da doença, não da vacina, entenda-se. E, se pensarmos bem, é um alívio  - tendo em conta que já tivemos mais de 300 mortes por dia.

Esta não é, portanto, uma discussão entre o copo meio cheio ou meio vazio. É mais entre o copo meio cheio e a rede nacional de abastecimento de água.

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Rigor alemão

por Miguel Bastos, em 31.03.21

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O governo alemão suspendeu a vacina da AstraZeneca, a menores de 60 anos. Já o tinha feito, a maiores de 65 anos. A próxima decisão poderá permitir a vacina, aos protestantes do norte; ao mesmo tempo que irá desaconselhar a vacina, aos católicos do sul. Ou, então, chega-se à conclusão de que não existem contraindicações - exceto quando administrada às quartas-feiras, da parte da tarde; e aos sábados, da parte da manhã. Lembram-se do rigor alemão? Parece que foi, novamente, abalado. Talvez seja outro efeito secundário da vacina.

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Melhor e pior

por Miguel Bastos, em 18.03.21

Covid-19. Portugal é, hoje, o país da União Europeia com menos novos casos por 100 mil habitantes. O que é que isto nos diz? Bem, antes de mais, convém dizer que é melhor ser "o melhor", do que ser "o pior". Certo? Mas convém, também, lembrar que fomos "os piores", há bem pouco tempo. Tivemos, até, direito ao discurso indignado e acusatório de um ex-presidente, eternamente obcecado com a ideia de "pelotão da frente". Portanto, não vale a pena embandeirar em arco com os dados mais recentes. Da mesma forma que não vale a pena gritar que o barco está a afundar-se, quando o que é importante é pegar no balde e tirar a água do convés. Não somos os melhores, nem somos os piores. Somos como os outros: subimos e descemos nos números, avançamos e recuamos, resistimos, erramos, caímos ao chão, levantamo-nos. No final, eu também acho que "vai ficar tudo bem". O problema é que não sabemos quando é que chegamos ao fim, como é que chegamos, e, pior ainda, sabemos que não vamos chegar todos.

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