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Na cabeça de Putin

por Miguel Bastos, em 22.09.22

cabeça putin.jpg 

O que é que se passa, afinal, "Na cabeça de Putin"? Muitas coisas, contraditórias entre si. Neste ensaio, Michel Eltchaninoff aborda a filosofia, a história e a literatura, que estão na base do pensamento e da ação política de Putin. Recorda a chegada do antigo agente do KGB à presidência, com a aura de um reformista, que iria transformar a velha Rússia, numa democracia moderna, plural, liberal. Mas, com o tempo, Putin foi-se revelando um conservador, quando não um reacionário. Terá mudado? Não sabemos. Como entender que um agente soviético, leal e cumpridor, se tenha tornado um antissoviético feroz? Como entender que promova o regresso dos exilados da União Soviética (aristocratas, intelectuais, artistas), ao mesmo tempo que lamenta a queda da União Soviética?
O que une, afinal, tantas contradições "Na cabeça de Putin"? O poder: Putin quer-se manter no poder, para "devolver" o poder à Rússia. Um poder dominante sobre o mundo, que é, no seu entender, um direito histórico e natural. O ressentimento contra o chamado ocidente, a defesa da religião, da família, dos valores tradicionais, o discurso contra os direitos dos homossexuais ou as críticas à falta de patriotismo dos países europeus (com exceção da Ucrânia), fazem parte de uma narrativa, que é instrumental. Escreve Eltchaninoff: "Para arrastar consigo os seus compatriotas, colocou uma tampa na história, tanto na russa como na soviética, no czarismo como no comunismo, na Rússia pós-soviética, na Ucrânia, na Europa, no Ocidente. Substituiu a sua análise lúcida por uma mitologia fundada no poderio russo frustrado".
Para onde vai, afinal, a "cabeça de Putin"? Não sabemos. Será, sempre, para onde ele quiser. O que a torna muito imprevisível. E perigosa.

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Liz Truss

por Miguel Bastos, em 06.09.22

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"I will get Britain working again / Eu vou pôr o Reino Unido a funcionar, de novo", diz Liz Truss. Numa primeira impressão, soa-me a uma mistura de "Labour isn't working", um slogan de Margaret Thatcher, com "Make America great again", de Donald Trump. Um bom começo, portanto.

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Gorbachev

por Miguel Bastos, em 31.08.22

1987. A publicidade mostrava que a Nikita, do Elton John, não era uma exceção. A Perestroika confirmava que o Leste tinha as mulheres-soldado mais bonitas do mundo. O mundo estava a mudar, mas, no final, mudou menos (muito menos) do que se desejava. Mais preocupante: uma parte do mundo está com a democracia pelos cabelos. Gorbachev morreu. Tinha 91 anos.

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A Rússia e as fronteiras

por Miguel Bastos, em 22.06.22

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George Friedman faz-me lembrar Durão Barroso. A dada altura, Durão disse que iria ser primeiro-ministro - só não sabia quando. Friedman disse que iria haver guerra na Europa - só não sabia onde. Mas deu várias hipóteses. Chamou-lhes "Focos de Tensão". Um dos focos identificados foi "A Rússia e as suas fronteiras", com o autor a descrever uma Ucrânia composta por uma população dividida entre as influências russa e ocidental. Afirma o autor: "Divisões como esta tornam a Ucrânia um terreno fértil para manipulações por parte de quem estiver interessado nela. Os russos estão cientes desta vulnerabilidade porque há muito que eles próprios têm vindo a manipular a Ucrânia. Por isso, os russos interpretarão qualquer envolvimento exterior como manipulação e ameaça potencial aos interesses fundamentais naquele país." Friedman parece que é bruxo. Mas, garantem-me que não é.

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Igrejas

por Miguel Bastos, em 08.06.22

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- E, ali, é uma igreja.
- Ali, onde? - pergunto.
- Ali, do lado esquerdo.
- Não vejo nada.
- Ali, no meio dos prédios.
- Mal se vê - insisto.
- Era aí que eu queria chegar. Durante muitos anos, os comunistas tentaram que as pessoas abandonassem a religião.
- Sim...
- Mas, como não conseguiram, mandaram esconder as igrejas no meio dos prédios.
- Isso é tão surreal.
- É, mas é muito romeno.
[Fotografia: Daniel Mihailescu / AFP]

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Chéquia

por Miguel Bastos, em 26.05.22

Estamos a aderir à substituição da designação "República Checa", por "Chéquia".
Convenhamos, Chéquia não parece o nome de um país.
Parece o imperativo do verbo "to check", em português do Brasil.
Mesmo assim, podia ser pior. Por exemplo, "Verifique-a".

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Dia da Europa

por Miguel Bastos, em 09.05.22

"Ó Clarinha, olha as pombas,
Vem, não tenhas medo, não,
porque as pombas, ó Clarinha,
vão pousar na tua mão",
canta o pequeno Pedro, de dois anos.
A melodia é do "Hino à Alegria" que Beethoven, compôs, em 1823. O Pedro cantou a melodia, em 1982, três anos antes da União Europeia a ter adotado como hino. A Europa retirou as palavras de Schiller e "utiliza a linguagem universal da música", num arranjo do maestro Karajan. Apesar da letra parecer complicada, porque é em alemão e fala de deuses gregos, tem uma mensagem muito simples: "Todos os homens devem ser irmãos". Uma mensagem de paz, em dias de guerra, no Dia da Europa.
 
A voz pode Pedro pode ser ouvida aqui:
 
A mãe do Pedro, Ana Faria, canta aqui:

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Divórcio

por Miguel Bastos, em 21.04.22

macron le pen.jpg

Estou a ver o noticiário, na televisão. Em rodapé, anuncia-se o novo filme de António Pedro Vasconcelos, sobre o tema do divórcio. Olho para ecrã. Sóbrio e elegante, um casal de meia idade senta-se, frente a frente. Discutem os problemas que os apoquentam. Separam-nos umas mesinhas, pequenas, e um mundo, imenso: as contas do gás, da eletricidade, a economia doméstica, e a russa que se meteu entre eles. "Eu sou uma mulher livre", diz ela. "Pronto, está consumada a separação", penso em voz alta. Mas, subitamente, pinta um clima. Sim, um clima. "Quem lá ver...", penso, de novo, em voz alta. "Você é uma climo-cética!", atira ele. "E você é um climo-hipócrita", responde ela. O ambiente não está nada bom. Desligo o televisor.

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Charles Michael

por Miguel Bastos, em 24.03.22

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O Charles Michael foi reeleito presidente do Conselho Europeu. Fico muito contente. Gosto dele. Desde o tempo dos Wham!

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De gatas

por Miguel Bastos, em 08.03.22

Humor em tempos de guerra. Na redação.
- ... isso foi há quanto tempo?
- A guerra na Bósnia? Ui, vai fazer 30 anos!
- 30? Nessa altura, eu ainda andava de gatas!
- Este camarada, também. De gatas, a fugir das bombas.
- Fogo, eu acho que morria!
- Ele também achou. Mas, felizmente, ainda cá está.

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