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Rádio, intimista

por Miguel Bastos, em 13.02.23
A entrevista foi por Skype, que os tempos eram de pandemia.

- Não vai precisar de recolher imagem, pois não? - diz-me a voz do entrevistado, do outro lado.

- Não, só preciso do áudio.

- Ótimo - diz-me ele a aparecer no enquadramento - é que tenho estado na nossa casa da aldeia e aqui está calor do caraças.

Olho para o ecrã: os pelos brancos, a saírem-lhe do peito; os pelos pretos, a saírem-lhe dos calções de licra. Desvio o olhar, por pudor, enquanto penso se devia tentar uma carreira na televisão.

A rádio, dizem, é o meio de comunicação mais intimista. Vamos celebrar o dia dela, o nosso dia. Vestidinhos.

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Fausto com Ela

por Miguel Bastos, em 06.02.23

fausto.jpg

Uma canção é composta por música e letra. Uma das questões que se coloca, frequentemente, aos escritores de canções, é saber o que é que nasce primeiro. Outra, é saber se a letra pode ser considerada um poema. Se vive sem a melodia. Neste caso, a discussão tende a ser acalorada. Porque vivemos, ainda, com uma concepção de "acima e abaixo" - "cultura erudita" versus "cultura popular". Conheço muitos versos da "cultura popular" que são bem melhores do que alguns versos da "cultura erudita". Não há muito tempo, o tema foi discutido por causa do Nobel da Literatura, atribuído a Bob Dylan. Muitos "da literatura" não gostaram. Os da cultura popular chamaram-lhe "snobs". Não sei quem tem razão, mas não me apaixonei pela discussão. Estranhei, apenas, por uma questão "técnica". Para mim, não se trata de saber se os textos de Bob Dylan são suficentemente bons, para serem premiados com um "Nobel". Mas, antes, saber se as canções, os discos ou os concertos ao vivo podem ser premiados como "literatura". Estranharia um "Grammy" ou um "Brit Award" para Saramago, por exemplo. Um dos escritores de canções mais brilhantes que conheço (música e letra), chama-se Fausto. No "Fala com Ela", da Inês Meneses, diz que não se considera poeta e explica porquê. Não é por ser mais, ou menos. Não é por ser "acima ou abaixo". É por ser outra coisa.

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Fala com Ela

por Miguel Bastos, em 03.02.23

20230123_095627.jpg 

Cuidado, pessoas! Andam, por aí a vender coisas, que são de borla. Usam o argumento que, agora, são selecionadas, e são em papel e dão para ler e reler com atenção. Não se deixem levar...

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Está tudo doido?

por Miguel Bastos, em 16.12.22

caminho.jpg 

À semelhança de milhares de portugueses, também eu fui levantando os olhos em direção aos ecrãs de televisão. Presumo, no entanto, que, enquanto muitos procuravam imagens de Mourinho, eu procurei Santana Lopes. Lembram-se? Eu vou recordar. Há uns anos, Santana Lopes foi à televisão, falar do futuro do país e do PSD, mas foi interrompido para um direto. Mourinho estaria a chegar a Portugal, a bordo de uma aeronave, vindo do planeta Chelsea. Fez-se o direto e voltou-se à entrevista. Quer-se dizer: tentou-se. Porque Santana aproveitou a deixa, para ensaiar uma postura de Estado. "Está tudo doido?", perguntou. E perguntou bem. Enquanto ex-primeiro-ministro, impunha-se essa pedagogia. Eu próprio tentei esquecer-me que, antes de ser primeiro-ministro, Santana foi presidente... do Sporting. E que evitou (sempre e com todas as suas forças!) a mediatização da política. E nunca permitiu que a imprensa cor-de-rosa invadisse o seu coração cor-de-laranja.

Entretanto, o mundo mudou muito. As televisões deixaram de interromper ex-primeiros ministros, porque optaram por transmitir interrupções, ininterruptamente. Olho para os ecrãs e vejo tudo aos quadradinhos (as televisões, agora, têm mais quadradinhos do que a banda desenhada): imagens de comentadores no estúdio, em casa e no carro; imagens dos jornalistas em estúdio e no exterior; imagens do selecionador em ação e a sair de cena; imagens de carros e autocarros e aviões. Muitas, ao mesmo tempo. Sabemos que, na modernidade, o salvador não vem numa manhã de nevoeiro; vem num jato privado. "É assim que o país anda para a frente?", perguntava Santana Lopes. Bem perguntado. Santana, que, entretanto, voltou à Figueira da Foz, devia fazer a pergunta, de novo. Eu acho, sinceramente, que o país anda para a frente. Tem andado: sempre ou quase sempre. O problema é que somos demasiado bons a andar às voltas. E isso, nem sempre ajuda.

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Morreu Lauro António

por Miguel Bastos, em 03.02.22

lauro antonio.jpg

Lauro António morreu, hoje. Tinha 79 anos. Reproduzo, de cabeça, uma entrevista que lhe fiz, há uns anos.
 
- Como deve imaginar, já me fizerem essa pergunta dezenas de vezes.
- Como deve calcular, vou-lhe fazer várias perguntas que, provavelmente, já lhe fizeram anteriormente.
- Certo. E a pergunta era...?
- Qual é que é o filme mais importantes da sua vida?
- Eu diria, talvez, o "Bambi".
- Mas sabe que já escolheu outros: "Citizen Kane", de Orson Wells; "O Leopardo", de Visconti... a sua escolha depende de quê?
- Depende do meu estado de espírito. Hoje, pode ser um filme; amanhã, pode ser outro.
- Portanto, hoje é um dia "Bambi". É um dia bom?
- Hoje, é um dia bom. Estou aqui, a falar de cinema.
 
E a responder às minhas perguntas banais, com uma enorme elegância. Obrigado, Lauro António.
 

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