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Emigrantes

por Miguel Bastos, em 21.03.24

Foi há muitos anos, mas podia ter sido hoje. Dezenas de emigrantes e descendentes de emigrantes portugueses desfilavam, pelas ruas de Paris, contra a imigração - numa manifestação convocada pela Frente Nacional. Foram interpelados pelos jornalistas: "Não acha estranho, ser emigrante e estar numa manifestação contra a imigração?" "Não", respondiam. E, depois, as justificações atenuantes: "O Le Pen gosta dos portugueses"; "Não é contra os imigrantes"; "Só é contra os que não querem trabalhar"; "Os que nos vêm tirar os empregos"; "os magrebes e os pretos, que vêm para cá". Estes portugueses - tão seguros da sua capacidade de trabalho, da sua condição europeia, da "pureza" da sua pele - ignoram, talvez, que muitos franceses não os consideram brancos. Estes portugueses são incapazes de se colocarem no lugar do outro, mas, também de se aperceberem do seu próprio lugar. Será sempre mais fácil votar contra os "pretos", se não pensarmos que os "pretos" podemos ser nós.

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Falta gasolina

por Miguel Bastos, em 01.10.21

sem gasolina.jpg

Coisa de filme-catástrofe. O primeiro-ministro britânico colocou os militares de prontidão. A ordem pública está ameaçada. Por causa dos estrangeiros. Melhor dizendo, pela falta deles. As pessoas correram que nem doidas para as bombas de gasolina. O risco de faltar gasolina é real, porque faltam motoristas que garantam o abastecimento. E não é só de gasolina. Teme-se a falta de alimentos, produtos de higiene, medicamentos, bebidas. Quase tudo. A coisa está de tal forma, que Boris Johnson - que se tem dedicado a transformar o Reino Unido numa ilha, novamente isolada, e a expulsar trabalhadores que eram "europeus" e agora são "estrangeiros"; Boris Johnson - que até foi salvo por um enfermeiro estrangeiro (português, no caso) que trabalhava para o sistema nacional de saúde que ele não gostava, mas depois parece que, afinal, até passou a gostar; Boris Johnson - dizia eu - que fez o Brexit e andou a expulsar os trabalhadores estrangeiros para fazer um "Great Britain, Great Again", autorizou a contratação de 5 mil camionistas estrangeiros, para resolver o assunto.
 
É claro que esta gente devia-lhe fazer o gesto bonito que Rafael Bordalo Pinheiro imortalizou, em cerâmica artística das Caldas. Mas, tal como os britânicos, os camionistas precisam de comer. E, com maços de libras a abanar, o governo britânico vai acabar por conseguir aquilo que quer. Mas não fazia mal nenhum aos cidadãos do Reino Unido pensarem um bocadinho melhor, nesta coisa dos estrangeiros. E (já agora) os europeus, em geral, e os portugueses, em particular.
[Foto: Neil Hall / EPA]

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Migrantes

por Miguel Bastos, em 29.06.21

criancas brincar.jpg

No fundo, os adultos migram para a infância, em busca de uma vida melhor.

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Somos fascistas, yo!

por Miguel Bastos, em 28.03.16

bruxelas.jpg

Olho para as imagens dos manifestantes de extrema-direita na Bélgica, e não posso deixar de frisar a ironia. Os manifestantes de inspiração fascista usam streetwear: calças de corte largo, cinta descaída, base apertada; casacos de capucho. Os jovens fascistas vestem como os rappers americanos, que inspiraram os jovens de todas as cores, em todos os países do mundo. Europa incluída. Mesmo a Europa que exclui, ou pede exclusão.

 

Se calhar, não nos devíamos surpreender. O homem que defendeu uma Alemanha pura e dominante (“über alles”) era, na verdade, … austríaco. O homem que defende uma América sem emigrantes - Donald Trump - é descendente de emigrantes e marido e ex-marido de mulheres emigrantes.

 

Como estão preocupados com a segurança, os hooligans e skinheads acendem tochas e lançam petardos. A polícia não revistou os desordeiros. A polícia, que, de resto, já veio ameaçar fazer greve no aeroporto. Em nome da segurança.

 

Há muita gente a brincar com o fogo. E não são só os terroristas.

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A Síria é coisa séria

por Miguel Bastos, em 02.11.15

siria coisa seria.jpg

A minha irmã vive fora de Portugal há muitos anos. Num destes verões, olhou para meia dúzia de amigos e familiares e exclamou: “parecem os meus amigos árabes!”. Cabelos escuros, bigodes, pele crestada pelo sol. De facto, não é só o Fernando Ruas que parece o Saddam. Há muitos portugueses que parecem.

 

O “árabe” que me serviu um café, esta manhã, sabe disso. A pele é escura, o (pouco) cabelo está rapado e usa barba. Mas acha que precisa de mais sol. “Faço uns dias de praia e depois peço ao governo para me dar uma casa, como os sírios”, graceja. Em Portugal, andamos assim. Eternamente divididos, entre os que acham que o Estado nos deve dar tudo e os que acham que andam todos a viver “à conta” do Estado.

 

Este “árabe” é do segundo grupo. Usa umas pulseiras de cabedal e uma camisola dos Ramones “à moderna”, mas é antigo. Muito antigo. Poderia explicar-lhe que não basta ser moreno para ser sírio. É preciso ter família morta, violada, a casa destruída e outros pormenores. Mas não fui a tempo, porque, logo a seguir, ele disse: “Vou sair para apanhar ar. Já volto”. Pois, eles também saem. Mas não voltam.

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Novos muros

por Miguel Bastos, em 26.06.15

o muro.jpg

Enquanto os italianos acodem os imigrantes, no mediterrâneo, os franceses fecharam as fronteiras. Em França, esse farol de liberdade e de socialismo Holland(ês), ainda se tem o descaramento de dizer que o problema da emigração é italiano. Bravo Ambrósio!

 

Se os franceses podem fechar fronteiras, porque é que os húngaros não hão-de poder? O governo, de Viktor Orban, teve a ideia brilhante de ressuscitar o muro, para separar a Hungria da Sérvia, de onde vem muita gente à procura do espaço Schengen. O muro terá quatro metro de altura e 175 km de comprimento. Sabe a pouco. Deviam-se fechar os mais de 2 mil km de fronteira e transformar a Hungria numa ilha pura - com pena de morte, e sem os ciganos e os imigrantes, que tanto incomodam o primeiro-ministro.

 

Orban deve-se ter esquecido para que é servia o outro muro. Nessa altura não viajava muito. Agora, sim. Numa das suas última viagens encontrou-se com o presidente da comissão europeia. Juncker cumprimentou-o com um espirituoso “Olá ditador!” John McCain (esse grande esquerdista) já tinha sido mais directo: é um neofascista! A Europa mete medo…

 

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