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A crise

por Miguel Bastos, em 15.09.18

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Os jornais lembram-nos, hoje, que a crise começou há 10 anos. Eu sei, parece que foi ontem! As crises são como as crianças: crescem tão depressa que perdemos a noção do tempo.

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Quente e fio

por Miguel Bastos, em 12.06.18

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“Portugal vive de costas para o mar”, dizia o orador. “Basta andar meia dúzia de quilómetros, para o interior, e vemos os portugueses agachados, a cavar a terra”. Aquilo estava-me a irritar. “Aliás, nem é preciso tanto. Os próprios pescadores têm que cavar umas batatinhas e umas couves no quintal, para compensar a falta de rendimento”. A sério, senhor orador? E o que me diz, por exemplo dos nosso valentes do bacalhau? “São excepções”, respondeu o antropólogo encartado. Teria razão?

 
O discurso sobre as pescas está carregado de mitos: a herança dos descobrimentos, a riqueza da nossa costa, a epopeia do bacalhau. Pensem nas duas últimas. Se a nossa costa fosse assim tão rica, que necessidade teríamos nós de ir pescar para o Canadá?
 
Temos, ainda, uma visão das pescas moldada pelo Estado Novo. E deixámo-nos levar pela cantiga de que foi a Europa que nos destruiu as pescas. Não foi. Foi uma conjugação de fatores. O principal fator: a falta de peixe - que levou a políticas de defesa nacionais e internacionais, em todo o mundo. Outras coisas que faltaram: modernização de frotas e técnicas, investigação científica, definição de políticas. E políticos, que não pescam nada. Em pouco mais de 100 páginas, o livro “As pescas em Portugal”, de Álvaro Garrido, explica isto tudo. É uma análise fria, de um tema que costuma ser discutido de cabeça quente.

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Vai trabalhar, malandro!

por Miguel Bastos, em 16.02.18

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Ferraz da Costa é gestor das empresas que herdou. Mas, não é por isso que é conhecido e que aparece, abundantemente, nos órgãos de comunicação social. É conhecido porque esteve 20 anos à frente da CIP - a confederação dos patrões. Quando saiu, foi para outra presidência: do Fórum da Competitividade. Este organismo inclui, desde logo, a CIP,  as maiores empresas que actuam em Portugal e alguns nomes que têm estado entre a política e os negócios.

 

Ferraz fala sempre na qualidade de presidente. Desde 1981, que assim é. Nessa altura, a AD governava e Eanes era presidente. Ferraz da Costa também era, e presidente continuou. Continua, de resto. Os outros líderes não. Tinham empregos precários.

 

Hoje, Ferraz da Costa dá uma entrevista no i, para dizer uma coisa que nunca se tinha ouvido em Portugal: "as pessoas não querem trabalhar". E, do alto dos seus mais de 70 anos, e quase 40 de presidências, diz que é preciso gente nova. Não podia estar mais de acordo.

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Belmiro de Azevedo

por Miguel Bastos, em 29.11.17

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Depois de uma tarde de elogios fúnebres, a morte de Belmiro de Azevedo dividiu o parlamento. O voto de pesar foi a votos. PS, PSD, CDS e PAN votaram "sim". PCP votou "não". Bloco de Esquerda e Verdes votaram "nim". Belmiro já não reina, mas ainda divide.

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Deixa andar

por Miguel Bastos, em 03.05.17

A empresa devia 282 milhões ao banco. Mas, como não tinha dinheiro, disse que só pagava 20%. E o banco disse que sim. Não é segredo é Público. O banco diz que é comercial, mas não fez grande negócio. A empresa chamava-se Ongoing, mas não foi a lado nenhum. Tudo isto, no país do "deixa andar".

BCP aceita receber só 20% da dívida da Ongoing

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Jornalismo 5 estrelas

por Miguel Bastos, em 28.03.17

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Sentado no lobby de um hotel de cinco estrelas, portátil no colo, fato e gravata - o jornalista foi surpreendido pela minha presença. Um problema de comunicação, entre profissionais de comunicação. Tentou disfarçar o incómodo e mostrar disponibilidade. À primeira pergunta responde-me que não entende a pergunta. À segunda pergunta responde com uma pergunta: “Só vai fazer perguntas gerais ou vai ser mais específico?”. Tento explicar-lhe que não trabalho para uma publicação especializada, mas para um público generalista. Propõe-me, então, falar sobre o tema da sua intervenção numa conferência.

 

“Bla, bla bla, o mercado global”; “bla, bla, bla o mercado competitivo”; “bla bla bla, inovar ou morrer”… Este homem fala como um homem de negócio, mas não é; fala como um empreendedor, mas não é; fala como um cientista, mas não é; fala como um político, mas não é. O homem, diz de si mesmo, que é jornalista, mas não consegue falar com outro jornalista.

 

O homem dorme em hotéis 5 estrelas; viaja em business class, come em restaurantes Michelin. Este homem é o jornalismo 5 estrelas: moderno, elegante, sofisticado, cosmopolita, globalizado. Resta saber se é jornalismo.

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Web cool

por Miguel Bastos, em 08.11.16

web cool

Eu sou um jovem muito cosmopolita e muito à frente. Só falo do futuro. E o futuro chama-se Web Summit. A Web Summit  é uma Summit, onde cada CEO faz um pitch da sua startup. De acordo com o secretário de Estado da Indústria, as startups são empresas rockstars, que são financiadas por business angels, ou pelo programa Co-Invest with the Best, lançado por Tony Back, AKA António Costa.

 

Tony (ler com pronúncia americana, please!) também falou da Ventures Summit, uma summit, paralela à Web Summit, que, por sua vez, foi precedida pela Surf Summit. Tony é cool. Hard Barroso não é. Foi vaiado. Para mim, só foi vaiado porque apresentaram-no como, Durão Barroso, antigo presidente da Comissão Europeia. Se dissessem que ele era chairman da Goldman Sachs, que financia startups, ninguém se atreveria. O povo sacava do smartphone para tirar uma selfie, e ter likes no Facebook, enquanto se discutia o fim do roaming. O mais cool, veio a seguir: apanhou-se um Uber, para fazer networking, nos pub crawls. Só estranhei que se falasse tanto em empreendedorismo. Não se arranja uma palavra melhor? Tipo... entrepreneur.

 

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O salário das galinhas

por Miguel Bastos, em 21.04.16

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Paulo Ferreira desvenda, no Sapo, a eterna questão do ovo e da galinha. A propósito dos baixos salários, pergunta: em Portugal, a produtividade é baixa, por causa dos baixos salários, ou o contrário? Para Paulo Ferreira não há dúvidas: os salários são baixos porque a produtividade é baixa. Mas, então, porque é que temos tantos gestores pagos acima da média europeia? Aqui, as galinhas já não explicam.

 

E, para falar de produtividade, dá o eterno exemplo da Irlanda. Não tenho a certeza que a Irlanda seja um bom exemplo para nós. Grande parte da sua economia vive da ligação aos Estados Unidos, através das suas comunidades e da ligação linguística, e das grandes empresas multinacionais, que se instalam na Irlanda devido à sua fiscalidade competitiva. Sabemos bem o que isso significa: temos fiscalidade competitiva no Luxemburgo, ou no Panamá.

 

Mas, claro, podemos aprender algumas coisas. Os irlandeses fizeram menos estradas, por exemplo. Aqui estaremos de acordo. Primeiro, devíamos ter aumentado a produtividade e só depois criado as estradas, para escoar os nosso produtos. Como fizemos as estradas primeiro, produzimos o mesmo, moramos no mesmo sítio, mas vamos à terra com mais rapidez. Sobretudo, os que fazem da baixa produtividade, a galinha dos ovos de ouro.

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