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Tempo de antena

por Miguel Bastos, em 27.01.21

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O Dinis parecia um "yuppie" do cinema: a mesma forma de vestir e de calçar; o mesmo tipo de penteado; o mesmo gosto por relógios, carros e mulheres; o mesmo o pragmatismo; os mesmos princípios, ou falta deles. Podem ver o Dinis nos filmes sobre Wall Street, de Oliver Stone e de Martin Scorsese. Quando falava com um cliente, o Dinis dizia "tu vales 10% da minha faturação, tu vales 10% do meu tempo". Se lhe pediam mais tempo, negociava: em dinheiro. Não dava tempo de antena - a ninguém. Nem um minuto, para além da faturação. Custa a admitir, mas, talvez, o Dinis tivesse alguma razão: 10%, pelo menos.

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Figura de Ursula

por Miguel Bastos, em 16.09.20

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Procurei a definição de "fazer figura de urso". A Infopédia explica que é "comportar-se de forma ridícula, ser alvo de troça". Procurei, também, "fazer figura de Ursula", mas não encontrei definição. Acho que é o contrário da primeira. Não sei se vai chegar aos dicionários, mas, depois do discurso de hoje, espero que chegue aos livros de história.

[Foto: Reuters/Y. Herman]

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Almoço frugal

por Miguel Bastos, em 17.07.20

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Decisões difíceis: o que comer com este calor? Uma sopa fria? Salada? Peixe grelhado? Fruta? Com temperaturas acima dos 30 graus, apetece algo frugal. Mas, até nisso devo ser comedido. Em dia de Conselho Europeu, é de evitar qualquer conotação com países como a Áustria, a Suécia, a Dinamarca ou mesmo a Holanda - que mudou de nome, mas não mudou de opinião.[Foto: Reuters]

 

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ALERTA CM

por Miguel Bastos, em 11.03.20

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ALERTA CM A Cofina vai comprar a TVI. ALERTA CM A Cofina vai compara a TVI. ALERTA CM Ah, espera... afinal parece que não!

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A crise

por Miguel Bastos, em 15.09.18

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Os jornais lembram-nos, hoje, que a crise começou há 10 anos. Eu sei, parece que foi ontem! As crises são como as crianças: crescem tão depressa que perdemos a noção do tempo.

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Quente e fio

por Miguel Bastos, em 12.06.18

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“Portugal vive de costas para o mar”, dizia o orador. “Basta andar meia dúzia de quilómetros, para o interior, e vemos os portugueses agachados, a cavar a terra”. Aquilo estava-me a irritar. “Aliás, nem é preciso tanto. Os próprios pescadores têm que cavar umas batatinhas e umas couves no quintal, para compensar a falta de rendimento”. A sério, senhor orador? E o que me diz, por exemplo dos nosso valentes do bacalhau? “São excepções”, respondeu o antropólogo encartado. Teria razão?

 
O discurso sobre as pescas está carregado de mitos: a herança dos descobrimentos, a riqueza da nossa costa, a epopeia do bacalhau. Pensem nas duas últimas. Se a nossa costa fosse assim tão rica, que necessidade teríamos nós de ir pescar para o Canadá?
 
Temos, ainda, uma visão das pescas moldada pelo Estado Novo. E deixámo-nos levar pela cantiga de que foi a Europa que nos destruiu as pescas. Não foi. Foi uma conjugação de fatores. O principal fator: a falta de peixe - que levou a políticas de defesa nacionais e internacionais, em todo o mundo. Outras coisas que faltaram: modernização de frotas e técnicas, investigação científica, definição de políticas. E políticos, que não pescam nada. Em pouco mais de 100 páginas, o livro “As pescas em Portugal”, de Álvaro Garrido, explica isto tudo. É uma análise fria, de um tema que costuma ser discutido de cabeça quente.

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Vai trabalhar, malandro!

por Miguel Bastos, em 16.02.18

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Ferraz da Costa é gestor das empresas que herdou. Mas, não é por isso que é conhecido e que aparece, abundantemente, nos órgãos de comunicação social. É conhecido porque esteve 20 anos à frente da CIP - a confederação dos patrões. Quando saiu, foi para outra presidência: do Fórum da Competitividade. Este organismo inclui, desde logo, a CIP,  as maiores empresas que actuam em Portugal e alguns nomes que têm estado entre a política e os negócios.

 

Ferraz fala sempre na qualidade de presidente. Desde 1981, que assim é. Nessa altura, a AD governava e Eanes era presidente. Ferraz da Costa também era, e presidente continuou. Continua, de resto. Os outros líderes não. Tinham empregos precários.

 

Hoje, Ferraz da Costa dá uma entrevista no i, para dizer uma coisa que nunca se tinha ouvido em Portugal: "as pessoas não querem trabalhar". E, do alto dos seus mais de 70 anos, e quase 40 de presidências, diz que é preciso gente nova. Não podia estar mais de acordo.

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Belmiro de Azevedo

por Miguel Bastos, em 29.11.17

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Depois de uma tarde de elogios fúnebres, a morte de Belmiro de Azevedo dividiu o parlamento. O voto de pesar foi a votos. PS, PSD, CDS e PAN votaram "sim". PCP votou "não". Bloco de Esquerda e Verdes votaram "nim". Belmiro já não reina, mas ainda divide.

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Deixa andar

por Miguel Bastos, em 03.05.17

A empresa devia 282 milhões ao banco. Mas, como não tinha dinheiro, disse que só pagava 20%. E o banco disse que sim. Não é segredo é Público. O banco diz que é comercial, mas não fez grande negócio. A empresa chamava-se Ongoing, mas não foi a lado nenhum. Tudo isto, no país do "deixa andar".

BCP aceita receber só 20% da dívida da Ongoing

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Jornalismo 5 estrelas

por Miguel Bastos, em 28.03.17

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Sentado no lobby de um hotel de cinco estrelas, portátil no colo, fato e gravata - o jornalista foi surpreendido pela minha presença. Um problema de comunicação, entre profissionais de comunicação. Tentou disfarçar o incómodo e mostrar disponibilidade. À primeira pergunta responde-me que não entende a pergunta. À segunda pergunta responde com uma pergunta: “Só vai fazer perguntas gerais ou vai ser mais específico?”. Tento explicar-lhe que não trabalho para uma publicação especializada, mas para um público generalista. Propõe-me, então, falar sobre o tema da sua intervenção numa conferência.

 

“Bla, bla bla, o mercado global”; “bla, bla, bla o mercado competitivo”; “bla bla bla, inovar ou morrer”… Este homem fala como um homem de negócio, mas não é; fala como um empreendedor, mas não é; fala como um cientista, mas não é; fala como um político, mas não é. O homem, diz de si mesmo, que é jornalista, mas não consegue falar com outro jornalista.

 

O homem dorme em hotéis 5 estrelas; viaja em business class, come em restaurantes Michelin. Este homem é o jornalismo 5 estrelas: moderno, elegante, sofisticado, cosmopolita, globalizado. Resta saber se é jornalismo.

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