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De Galinha

por Miguel Bastos, em 16.07.21

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Sempre que me dizem que o jornalismo português é "muito à esquerda", tendo a sorrir. O jornalismo e os jornalistas podem e devem ser criticados e escrutinados. Mas, tão ou mais importante, é saber quem detém os órgãos de comunicação social. São esses que depois escolhem administradores e diretores, que definem as políticas editoriais. A máxima "follow the money / sigam o dinheiro" - usado nas ciências políticas - aplica-se aqui, em todo o seu esplendor. E os patrões dos media estão, de modo geral, muito longe de serem "muito à esquerda". Recentemente, o setor sofreu muitas alterações: da restruturação dos grupos Impresa e Media Capital; à consolidação do grupo Cofina no setor televisivo; passando pelas transformações recentes com a entrada do grupo BEL, no grupo Global Media. É sobre este grupo (que detém o JN, o DN, O Jogo e a TSF) que o jornalista Miguel Carvalho se debruça, esta semana, na Visão: com uma investigação sobre o novo "tubarão dos media", Mário Galinha. Parece canja, mas não é.

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Visão

por Miguel Bastos, em 15.07.21

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Estou, aqui, a olhar para a capa da Visão. Está uma riqueza. Estão várias, até.

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O papel do jornal

por Miguel Bastos, em 29.06.18

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Leio e despeço-me do Diário de Notícias, em papel. Este Diário de Notícias vai acabar. Não sei, ainda, como é que vai ser o novo. Sei, apenas, que vai ser outra coisa. Esta manhã, Ferreira Fernandes esteve na Antena 1 a explicar que jornal é esse que vai nascer. Ele, que lia três jornais em papel todos os dias, sabe que há gente que ainda o faz. Não é, no entanto, gente que chegue para alimentar o jornal que dirige. 

 

Eu leio jornais online para saber das últimas notícias, com rapidez. Mas não leio textos de 30 ou 40 mil caracteres: entrevistas, reportagens, opinião. Há quem leia, claro. Mas, acredito que serão poucos. E se é verdade que o mundo -  cada vez mais rápido - não espera pelo dia de amanhã;  também é verdade que o mundo - cada mais complexo - continua a não caber em meia dúzia de palavras.

        

Acho, por isso, que passar para o online não é construir um futuro mais rico, é adaptarmo-nos a um presente mais pobre. Não há jornais a mais, em Portugal. Há é leitores a menos. E, quanto a isso, só nos podemos queixar de nós próprios. E agora, com a vossa licença, vou ler o jornal em papel. Enquanto existe. Boa sorte para o DN.

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Vitorino

por Miguel Bastos, em 14.06.18

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Comissão de Inquérito às rendas da EDP. Novidade: o DN avança que o Bloco de Esquerda quer ouvir Vitorino. Não diz nada sobre ouvir Janita Salomé. É pena. 

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No estrangeiro

por Miguel Bastos, em 08.01.18

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O estrangeiro, dizia alguém, é o país onde todos gostariam de viver. "No estrangeiro", dizem uns, "paga-se menos impostos". Talvez, se esse país for os Estados Unidos. "No estrangeiro", dizem outros, "temos melhores hospitais". Talvez, na Suécia. "No estrangeiro", acrescentam outros ainda, "as mães podem ficar com as crianças, em casa, até aos três anos". É verdade, na Alemanha. É verdade, e pode ser bom. Para quem gosta. A ex-ministra Constança Urbano de Sousa, descobriu, por experiência própria, que na Alemanha não havia creches. E não gostou. Está na entrevista da Notícias Magazine, deste fim de semana.

 

Na Alemanha (esse país estrangeiro e avançado!), a maioria das mulheres casadas deixa de trabalhar quando engravida. Como em Portugal, nos anos 40. O reverso de estar em casa com filhos, nos primeiros 3 anos, é não ter creches, nem carreira profissional. Nos Estados Unidos, os impostos são baixos, mas a qualidade da saúde pública também. E se a Suécia tem saúde, na hora de pagar impostos os suecos têm todas as razões para ficarem doentes.

 

Essa é a vantagem do estrangeiro. Podemos escolher o estrangeiro que quisermos, de acordo com as conveniências de cada momento. Só há um problema: o estrangeiro não existe. Mas, é melhor.

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Pedro Rolo Duarte

por Miguel Bastos, em 27.11.17

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Há cerca de 4 anos, eu andava muito ocupado. A minha tarefa era simples, mas de extrema importância: sobreviver. Uma doença súbita, deixou-me perto da morte. E eu não estava com vontade nenhuma que tal viesse a acontecer. Uns meses mais tarde, encontrei, num restaurante, uma das médicas que impediu a minha morte. Cumprimentei-a. Ela respondeu e sorriu. Trocámos meia dúzia de palavras. Até que ela me perguntou: “Desculpe, de onde é que nos conhecemos?” Respondi que nos conhecíamos do hospital. E que tentámos, os dois, salvar a minha vida. Com sucesso, como dava para ver. Voltou a sorrir e despedimo-nos.

 

Fiquei a pensar como é que possível os médicos fazerem tanto por uma pessoa que, passado poucos meses, já nem sequer reconhecem. Para mim, aquela médica estava associada à minha vida. Para ela, eu tinha sido um doente, uma vida. Assim, em abstrato.

 

E a vida, também, é isto. Estamos ligados a pessoas, que não conhecemos, verdadeiramente; algumas, nem sequer nos reconhecem; mas que, para nós, são da maior importância. Importância que elas desconhecem. Pensei nisto tudo, ao receber a notícia da morte do Pedro Rolo Duarte.

 

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Olhe que não, D. Helena!

por Miguel Bastos, em 25.11.16

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A D. Helena era uma crente fervorosa do PSD. Mas afirmava, entre duas vassouradas, que não gostava do Marcelo. Porque não percebia nada do que ele dizia. “Olhe que não, D. Helena!", repetia-lhe eu, "Olhe que não”. Mas ela não cedia. Gostava do Santana, que, ainda por cima, era mais giro. Estávamos, ainda, na ressaca do cavaquismo. Rebelo de Sousa liderava o PSD, mas não o coração das donas helenas. Nessa altura, difundiu-se a ideia que, sendo um intelectual, Marcelo não chegava ao povo.

 

E, de facto, Marcelo chegava, com facilidade, às páginas dos jornais; aos microfones da rádio; aos corredores do poder; às mesas dos pensadores e dos conspiradores. Mas não conseguia “subir ao povo”, como diz o Carlos do Carmo. Isso mudou, claro.

 

Hoje, Marcelo bate recordes de popularidade. O Presidente da República tem uma avaliação positiva de 97% dos inquiridos pela sondagem da Católica (para a Antena 1, a RTP, o JN e DN). A popularidade de Marcelo coincide com uma altura em que se fala de populismo. São coisas bem diferentes. Estou, até, convencido que ser popular pode ser um antídoto contra o populismo.

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Idade do Ferro

por Miguel Bastos, em 14.11.16

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Rita Ferro resolveu escrever um livro sobre o seu avô: António Ferro. O homem da propaganda de Salazar tentou criar uma política que moldasse a cultura e as artes ao regime. O projeto era  característicos dos regimes totalitários que grassavam a Europa dos anos 30 e 40: em Itália, na Alemanha, na União Soviética. Fiquei com algumas reservas, relativamente a Rita Ferro: o livro é um romance histórico (não será o meu género preferido) e o DN colocava como título da entrevista “Ainda há gente que quer matar-nos por causa do nosso avô António Ferro”. Achei exagerado.

 

Tinha lido a entrevista de manhã, em papel, mas, quando, ao final do dia, passei pela edição on line do DN reparei que o texto tinha muitos comentários. Não sei o que achei mais lamentável: se os comentário a criticar a autora, por ser neta de um fascista e não fazer a sua autocrítica; se os que apoiavam a autora, criticando a “corrupção” da democracia e defendendo a ditadura de Salazar. À vezes penso que não estamos, sequer, na Idade do Ferro. Estamos na Idade da Pedra.

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Tudo na mesma

por Miguel Bastos, em 10.12.15

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Tudo na mesma, como a lesma. Se as eleições fossem hoje, a coligação PSD/CDS ganhava, o PS ficava em segundo, seguia-se o Bloco, a CDU e o PAN. Todos os partidos sobem nas intenções de voto. Com excepção da CDU. Mas, como sabemos, a CDU ganha sempre. Portanto, ganham todos. São dados da sondagem da Católica (para a RTP, Antena 1, JN e DN - o gráfico é do DN).

 

Mais dados curiosos: a maioria dos inquiridos acha que Passos Coelho deveria ter sido  primeiro-ministro, que é, agora, um líder mais popular do que António Costa. A maioria dos portugueses, considera que o PS deveria ter viabilizado um governo PSD/CDS. Será que estes dados vão servir reforçar o discurso da “ilegitimidade”, da coligação de direita? Talvez. Mas há outro dado curiosos. É que, a maioria dos inquiridos considera que António Costa é melhor solução para o país, como primeiro-ministro.

 

Confuso? Talvez não. Passos Coelho é o preferido, mas se não puder ser… Em certos países viria aí uma corrente de indignação. Mas, em Portugal, tendemos a encolher os ombros. Somos um país de gente porreira.

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Atendimento personalizado

por Miguel Bastos, em 06.11.15

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Antes de os ler, ouço os jornais na rádio. Hoje, chamaram-me a atenção para um artigo que eu queria ler. Não fixei, no entanto, onde é que foi publicado. Saio para comprar o jornal a um dos quiosques onde vou habitualmente. Olho para as capas, mas não encontro o que queria. Explico ao dono do quiosque a situação: queria saber qual o jornal onde falavam do tal assunto. Não sabia. “É normal”, digo, “são muitos jornais”. Peço para ver. Não posso. Vem no Público ou no DN. Abana a cabeça. Ainda tentei explicar que eu vou comprar um, só não sei qual. “Não”. Desisti.

 

Entrou num centro comercial, onde, supostamente, o atendimento é despersonalizado. “Estou a procura de um artigo assim e assim”. “Sabe qual é o jornal?” “Não, por isso é que lhe estou pedir ajuda.” Coloca os dois jornais em cima do balcão: “Esteja à vontade”. Saio com o DN ,debaixo do braço.

 

O comércio tradicional gosta de vender o atendimento personalizado e depois é isto. Não vou voltar àquele quiosque. O senhor deve trabalhar lá há uns 20 anos e ainda não percebeu para que é que existe. Tenho pena.

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