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O jantar

por Miguel Bastos, em 05.06.24

tacho.jpg 

- Pai, posso ajudar-te a fazer o jantar?
- Claro que sim.
- O que é que é preciso?
- Antes de mais, um tacho.
- Ok.
- Depois, vamos precisar de uma tábua e de facas, para cortar os legumes.
- Sim.
- Mas, antes, temos que escolher um disco.
- Para quê?
- Para fazer nascer uma coisa cool.

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Vida de marinheiro

por Miguel Bastos, em 03.06.24

vinil.jpg 

- Já percebi que gosta muito de música.
- Gosto, gosto.
- Sabe, eu, antigamente era músico.
- A sério?
- Guitarrista. Costumava tocar em várias boîtes, aqui da zona.
- Ai, sim?
- Nesse tempo, havia muitas. Por causa dos marinheiros, dos pescadores....
- Ah...
- Vinham cheiinhos de dinheiro. Quando chegavam a casa, só levavam metade.
- Isso é que é pior.
- Para eles, sim. Para as mulheres das boîtes, não.
- Pois...
- E, para nós, também não.
- Ganhou muito dinheiro
- Ganhei, pá. Se ganhei.
- Então, ainda deu para amealhar qualquer coisa.
- Infelizmente, não.
- Ai não?!
- Não, porque eu.... - como é que eu hei de dizer? - eu, nessa altura, também era um bocado marinheiro. Tá a compreender?

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Maio

por Miguel Bastos, em 01.05.24

IMG_0437.jpgE eis que chega maio, com canções de Abril.

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Amália, para animar

por Miguel Bastos, em 17.04.24

amalia folclore.jpg 

E, portanto, como acordei meio tristinho, resolvi ouvir um bocadinho de Amália, para me animar. Sim, Amália tem canções alegres. Mas, muita gente não sabe. O que é triste.

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Amália, no Dia da Voz

por Miguel Bastos, em 16.04.24

amalia_disco.jpg 

Com que Voz (Luís de Camões, Alain Oulman)

https://youtu.be/D1IcpekV7FM?si=gvKfuGG2UHkBFa1

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Discos perdidos

por Miguel Bastos, em 01.03.24

agnetha.jpg

Há 20 anos, Agnetha Fältskog, dos ABBA, editou o disco "My colouring book". O título remete para os livros de colorir, da infância. O disco remete para as canções e os cantores que Agnetha ouviu na infância e que lhe moldaram o gosto. Encontramos, aqui, "crooners" dos anos 50, pioneiros do rock and roll e estrelas da pop dos anos 60. E canções de um tempo em que os autores não eram, necessariamente, os intérpretes. Em que as canções eram partilhadas por diferentes cantores. Em que as canções viajavam entre países, eram traduzidas, recebiam letras novas ou arranjos novos para se adaptarem aos intérpretes - por vezes, tão diferentes, que pareciam canções novas.

E é, assim, que encontramos "Fly me to the moon", em ritmo bossa nova, numa versão mais próxima de Julie London do que de Franka Sinatra. Ou "Love me with all of your heart", original dos cubanos Los Hermanos Rigual, que Agnetha canta num registo próximo da versão de Petula Clark , mas que a generalidade dos portugueses conhece na voz de Marco Paulo (Sempre que brilha o sol naquela praia... sinto o teu corpo vibrar dentro de mim...). E é, assim, que ouvimos "What now my love", canção de Gilbert Bécaud que tem dezenas de versões (não estou a exagerar) e que o mundo anglófilo conhece nas vozes de Shirley Bassey, Sinatra (ele, de novo) ou Elvis Presley. Grande parte dos arranjos de "My colouring book", são típicos da época das canções. Mas, na última canção ("What now my love", precisamente), a sonoridade é mais contemporânea. Ao ponto de ter procurado a ficha técnica, pensando que iria encontrar os U2 ou, pelo menos, a dupla Brian Eno / Daniel Lanois.

Infelizmente, o mundo, sempre atento a mais uma compilação dos ABBA, não reparou em "My colouring book". Mais um disco perdido. Mas pronto para ser descoberto.

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Morreu Arnaldo Trindade

por Miguel Bastos, em 08.01.24

Morreu o editor Arnaldo Trindade. Lembrei-me deste texto, a propósito da sua importância na carreira de José Afonso.

zeca.jpg

[Publicado em 7 de outubro de 2021]

Um mês e meio antes do 25 de Abril, José Afonso - que já era cantor de Abril, antes de Abril acontecer - assinou este contrato. Foi só uma formalidade. O primeiro contrato - esse, sim, revolucionário - tinha sido assinado em 1968: o editor, Arnaldo Trindade, comprometia-se a pagar um salário fixo ao artista; José Afonso a gravar um disco por ano. Assinado o contrato, José Afonso gravou o disco "Cantares do Andarilho". A obra-prima (é o álbum de "Vejam bem") só não se destaca mais dos discos seguintes, porque estes variam entre o "tão bom como" e o "ainda melhor do que". José Afonso é, obviamente, um génio.
Podia (devia?) ter partilhado uma canção ou a capa de um dos seus discos. Partilho, no entanto, a imagem do contrato (está no interior de uma edição especial do "Cantares do Andarilho") porque me parece demonstrativa de uma coisa óbvia: sem meios de subsistência, José Afonso não teria conseguido criar e gravar a sua vasta obra. Para isso ter acontecido, foi necessário celebrar contratos e mobilizar meios técnicos, financeiros e artísticos. E foi por isso acontecido, que a música de José Afonso chegou até nós. Só que, entretanto, a empresa que detinha as gravações faliu, os discos esfumaram-se e ficámos privados de José Afonso.
E, agora, a boa notícia: até ao final do próximo ano, os 11 discos de José Afonso, gravados entre 1968 e 1981, vão ser reeditados. Vão ficar disponíveis nas plataformas digitais, em CD e em vinil. "O caminho faz-se caminhando" e começa (vejam bem!) com o "Andarilho". Cantemos.

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Godinho no mundo

por Miguel Bastos, em 26.11.23

godinho.jpeg  

É, acho que começo a gostar desse tal de Godinho.

 

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Sara Tavares

por Miguel Bastos, em 19.11.23

sara.jpeg 

A viagem, de regresso à consciência, foi lenta e dolorosa. Primeiro, ruídos que, afinal, eram vozes. Depois, melodias de vozes, ainda sem palavras. De seguida, palavras desconexas, sem significado. E, finalmente, começaram-me a chegar palavras, palavras mesmo, que eu juntava em frases, mentalmente, dando-lhes sentido. Sara Tavares. Falavam de Sara Tavares. Uma das enfermeiras tinha ido vê-la, ao vivo, e apercebe-se do meu interesses na conversa. "Gosta da Sara Tavares, Miguel?" Digo que sim, com a cabeça. "Já a viu, ao vivo?" Volto a dizer que sim. "Ela é extraordinária". "As pessoas continuam a pensar na Whitney Houston e no Festival da Canção, mas ela está noutra fase. Sentada, com a sua viola, a cantar em criolo..." Sorrio. "Que pena não termos aqui a música dela, senão ouvíamos os dois". Voltei a sorrir. Sentia, de resto, que a vida começava a sorrir-me de novo.

Regressei a casa, depois de quase um mês no hospital. Ouvi Sara Tavares. A cantora que passei a associar ao meu caminho de regresso à vida. Custa-me aceitar que ela, hoje, fez o caminho, na direção contrária.

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