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Bibliotecas

por Miguel Bastos, em 07.05.21

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As bibliotecas são locais de memória, de partilha e generosidade. Dão-nos acesso a um património de séculos, a lugares distantes e inacessíveis e são, elas próprias, lugares. Gosto de visitar bibliotecas, de percorrer os corredores, de afagar lombadas, de me sentar a folhear livros e a pensar que o tempo nunca será suficiente para os ler. As bibliotecas não só nos deixam ler os seus livros, como nos deixam levá-los, de empréstimo, para casa. Algumas, chegam, até, a dar livros. Como este: uma biografia de Stravinsky, editada pela francesa Hachette, em 1968. Tem belíssimas fotografias (das "escandalosas" coreografias da "Sagração da Primavera"; do próprio Stravinsky, ao longo dos anos; ou de Stravinsky, acompanhado por outros génios da música como Debussy ou Benny Goodman). Tem ilustrações maravilhosas (Picasso, Cocteau, Modigliani). Tem cheiro a coisa preciosa. Tem um carimbo a dizer "Oferta". Só para não me esquecer de dizer "obrigado". Não esqueço (como poderia esquecer?) Obrigado. Muito obrigado.

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Língua portuguesa

por Miguel Bastos, em 05.05.21

O programa "Portugueses no Mundo" está no ar, há vários anos, na Antena 1. Durante vários anos, a jornalista Alice Vilaça​ costumava perguntar: "De que é que tem mais saudades do nosso país?" As respostas variavam pouco: "da família", "dos amigos", "do sol", "do mar", "do bacalhau". Percebo, é difícil resistir ao bacalhau. Mas, e a língua? Falo da portuguesa, não a do bacalhau. A resposta "da língua" não era habitual. É estranho porque, quando saio de Portugal (basta uma semana), fico cheio de saudades da língua portuguesa, que está ligada ao bacalhau, mas é (ainda) mais saborosa. A minha pátria é a língua de Caetano a roçar na língua de Camões. Hoje, é dia de a celebrar.

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Trabalho

por Miguel Bastos, em 01.05.21

lionel richie.jpg

Dia do Empreendedor. Um dia para valorizar o trabalho. Vejamos um caso concreto: trabalha muito, o Lionel - mas é Richie.

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Dia Mundial da Dança

por Miguel Bastos, em 29.04.21

Vários estilos de dança, com o mestre do estilo. É Dia Mundial da Dança. E apetece dançar. Muito.

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Macho latino

por Miguel Bastos, em 28.04.21

casal da treta.jpg

Vamos ao estereótipo: camisa aberta, bigode, brilhantina e palito na boca. De piropo fácil e trocadilho picante, é um fala barato que canta de galo. O macho latino (dizem que, outrora, apreciado) passou de moda. Será? Despido do estereótipo visual, há um modo de ser e de estar que parece longe de estar extinto. Aquele "agarrem-me, senão eu mato-o", o "havia de ser comigo", a certeza de que "eu fazia isto e aquilo" - que só são ditos, porque sabe que nunca será com ele. Além de espalhar charme, o macho latino mostra-se valente e decidido. Mas é só um "gabarolas", um "pintarolas", quando não um "cobardolas".

Na versão moderna, em vez de dizer que fazia assim ou assado, passou a achar. Acha que o governo devia fazer assim e que a oposição devia fazer assado. Acha que os médicos assim e que os empresários assado. Que os professores isto e que os autarcas aquilo. Acha que este é um incompetente, aquele é burro, o outro tem cunha, aquilo é corrupção. E acha que se deve demitir, despedir, prender. E acha isto tudo sem saber ler nem escrever, nem estudar, nem fazer. No fundo, o macho latino deu lugar ao (como é que lhe hei de chamar?)... ao "acho latino". Parece-me um bom nome: acho latino. Acho eu...

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E ainda, e sempre

por Miguel Bastos, em 20.04.21

carlos carmo.JPG

David Bowie morreu, há 5 anos. Antes de morrer, deixou um disco onde abordou a chegada da (sua) morte. Dizem que é uma obra-prima, mas confesso que, apesar de ter o disco, fiquei tão triste, que me faltou coragem para o ouvir.

 
Carlos do Carmo morreu, no primeiro dia deste ano. E também deixou um disco. Mas, ao contrário do que aconteceu com o disco de Bowie, ando a ouvi-lo, repetidamente. Não sei bem porquê. Talvez porque a morte de Carlos do Carmo não tenha sido uma surpresa: sabíamos da fragilidade da sua saúde; sabíamos que tinha feito várias operações, delicadas. O "charmoso" já se tinha despedido algumas vezes - antes dessas operações - dizendo que não sabia se voltava. Dizia até, com graça, que o seu corpo já não tinha peças originais. Em 2019, anunciou, publicamente, que não iria voltar aos palcos.
 
"E ainda" - o novo disco - está longe de ser ligeiro. Tem o peso da grande poesia: de Herberto Hélder, Saramago e Sophia. Mas tem, também, a luminosidade de Vasco Graça Moura, numa "Mariquinhas" na idade da internet; ou de Júlio Pomar, a fazer troça do Portugal do "pão e vinho" requentado, dos tempos da troika.
 
"E ainda" é um disco pequenino (23 minutos), de um grande artista. Vem acompanhado de outro disco, ao vivo, chamado "Obrigado". Obrigado, nós, Carlos do Carmo. E até já, até logo, até sempre.
 
(Há, ainda, uma edição com o registo, em DVD, dos concertos e da gravação de "E ainda".)

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Caridade

por Miguel Bastos, em 15.04.21

A Dinamarca prepara-se para oferecer as vacinas da AstraZeneca aos países pobres. Querem fazer um dois em um: evitar tromboses e mostrar que têm bom coração. Lembrei-me duma canção de José Barata-Moura tão atual, que lembra a solidariedade mais antiga do mundo: a caridadezinha.

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Jovens, copos e mulheres

por Miguel Bastos, em 13.04.21

Os jovens músicos desperdiçam tempo e talento. Podiam estudar e ser disciplinados. Em vez disso, perdem-se em copos, festas, roupas, mulheres e cançonetas de 4/5 minutos. E depois morrem cedo, vítimas do seu excesso, esquecidos e sem glória. Mozart, por exemplo: só pensava em divertimentos. Enfim...

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Sem legendas

por Miguel Bastos, em 07.04.21

Mais velho - Acho que não gostei muito do filme.
Mais novo - Eu gostei.
Mais velho - Achei um bocado esquisito.
Mais novo - Porquê?
Mais velho - Não sei. Talvez porque, como não tinha diálogos...
Mais novo - Por isso é que eu gostei...
Mais velho - acabei por não perceber muito bem a história.
Mais novo - não tinha aquelas coisas em baixo para ler.
Mais velho - Hã?
Mais novo - Ai, credo, sou tão engraçado!

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