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David Bowie morreu há 10 anos. Ando a ler uma biografia sobre os Beatles. Tenho andado a ouvir Beatles, incessantemente. Devia fazer um intervalo, para celebrar Bowie. Ou, então, faço um dois em um. Cá vai ele. Bowie a cantar Beatles. Vivam ambos!L
Jogaram para vencer. E vencerem. Mesmo assim, houve prolongamento. Chamaram-lhe encore. A Orquesta Sinfónica Simón Bolívar regressou ao palco, pintada com as cores da Venezuela. Gustavo Dudamel deu o tiro da partida. A Orquestra começou a tocar e, pouco depois, a dançar Ginastera. A plateia britânica respondeu, com palmas, em uníssono e em êxtase. E, então, deu-se uma invasão: do palco, para a plateia. Querem conquistar o mundo? É assim que se faz.
Cuidado, muito cuidado, com o que andam a sintonizar no vosso autorrádio. Esta manhã, por exemplo, mal liguei o carro, levei com a Madame Butterfly a sacar do punhal do pai. Felizmente, desviei-me a tempo e ela acabou por espetar com ele, em si própria. Estão a ver o perigo de ouvir a Antena 2? Ainda bem que era o Puccini, que só usa facas. Imaginem que era o Tchaikovsky, com os canhões da Abertura 1812. Se calhar, já tinha ido desta para melhor.
"Maldita a hora que eu a levei às piscinas do Siza", disse a curadora. Inês Grosso sabia que a artista alemã andava interessada no tema das piscinas, quando sugeriu uma visita à Piscina das Marés, de Álvaro Siza. Entusiasmada, Anne Imhof sugeriu a instalação de uma piscina de 20 metros no jardim, em aço, junto ao Museu desenhado pelo arquiteto, em Serralves. E, ainda, a construção de uma estrutura, no mesmo material, com duas plataformas de salto para a piscina, no interior. A exposição aborda o tema da industrialização da cultura e do lazer, no século XX. E deixa-nos de boca aberta, em pleno século XXI.
"Quem é que morreu desta vez?" A pergunta é recorrente, lá em casa. Normalmente, surge quando me veem a procurar um disco, ou quando ouço um disco ou um intérprete, com mais insistência. "Não morreu ninguém", disse eu, este fim-de-semana, ao colocar, no gira-discos, o álbum "Outra vez", de Gabriela Schaff. É o maravilhoso disco de "Leva-me ao cinema". Apaixonei-me por ele, na rádio, e resgatei-o, uns anos mais tarde. Estava em promoção, numa discoteca que estava a desfazer-se dos velhos discos de vinil, para dar espaço ao CD. Quando o (re)ouvi achei-o (ainda) melhor. Descobri, depois, na ficha técnica, que o disco tinha sido gravado em Nova Iorque (sim na América) e que tinha a participação de Jerry Marotta (hã?) e Tony Levin (uau!) - músicos que conhecia, por exemplo, dos discos de Peter Gabriel.
"Outra vez" tinha como produtor e compositor o (multi) talentoso Nuno Rodrigues, da Banda do Casaco - aquela banda do "Não há cú que não dê traque", que a minha mãe só nos deixava cantar em versão censurada "com piii", que "isso não se diz". A Banda do Casaco sempre foi uma banda indefinível: umas vezes parecia "popular portuguesa", outras parecia "pop-rock" e outras, apenas, uma coisa esquisita. Produtor, compositor, músico, editor - a carreira de Nuno Rodrigues cultivou sempre uma (deliciosa) promiscuidade criativa, fazendo germinar as carreiras de Rui Veloso, UHF e Trovante; compondo canções de grande espiritualidade, como "Telepatia", de Lara Li, ou de grande fisicalidade, como "Ali-Babá", das Doce.
Gabriela Schaff cantou Nuno Rodrigues, na Banda do Casaco, e, depois, a solo: canções como "Eu Só Quero", "Um homem muito brasa" ou "Leva-me ao cinema". Este fim-de-semana, ao colocar o disco "Outra vez" a girar, estava longe de imaginar que, pouco depois, a resposta ao "Quem é que morreu desta vez?" iria ser diferente.
Morreu Nuno Rodrigues: tinha 76 anos.
Para ouvir, aqui: https://www.youtube.com/watch?v=qGNJbyuEkMI
O rapaz escreveu no livro de física "O Lima destilado a 4 ºC " e desenhou "O Lima a ser parido por uma pipeta". O rapaz não foi um mau rapaz, mas , também, não foi um grande aluno - e, entretanto, tornou-se um grande artista: Amadeo de Souza-Cardoso. A exposição "A Marginália de Amadeo” (curadoria de Samuel Silva) percorre as margens dos livros do artista e revela um talento precoce no desenho, antes de chegar à pintura. Uma exposição, fascinante, para ver no Museu Amadeo de Souza-Cardoso, em Amarante.

O compositor brasileiro Heitor Villa-Lobos vai estar em destaque na programação da Casa da Música, para 2026. "Porquê Villa-Lobos?", perguntei. O diretor artístico da Casa da Música devolveu-me a pergunta: "E porque não?" E, depois, defendeu que o compositor brasileiro é um dos grandes compositores dos séculos XIX e XX, mas que, infelizmente, ainda não é tão conhecido como devia. Para além da apresentação integral das "Bachianas Brasileiras" (são 9), a programação vai colocar a obra de Villa-Lobos em diálogo com outros compositores como Bach (naturalmente), mas, também, Bartók, Lopes-Graça ou Ginastera - compositores que aprofundaram a relação entre a música erudita e a música popular.