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Ver, sem crer

por Miguel Bastos, em 19.04.24

patti.jpg 

Patti Smith e Robert Mapplethorpe eram tão pobres, tão pobres, que iam, à vez, a museus, galerias ou cinemas. Um entrava, o outro ficava à porta, à espera. O primeiro tinha como missão contar o que viu, ao segundo. A capacidade de chegar ao objeto artístico, dependia da capacidade do primeiro contar o que viu; e do segundo de imaginar o que o primeiro teve oportunidade de ver. Patti conta esta história (e muitas outras) no livro "Apenas Miúdos". Fiquei muito sensibilizado pela história. Porque revela cumplicidade, generosidade, partilha. Porque me lembro de fazermos isso, em casa: por falta de dinheiro, de tempo, de idade. Porque me lembro de conseguir ver filmes, museus, cidades, concertos, nas palavras dos meus irmãos ou dos meus amigos. Porque  tenho pena que, cada vez mais, se insista em mostrar tudo, em ver tudo - apenas, para não ver nada.

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Amália, para animar

por Miguel Bastos, em 17.04.24

amalia folclore.jpg 

E, portanto, como acordei meio tristinho, resolvi ouvir um bocadinho de Amália, para me animar. Sim, Amália tem canções alegres. Mas, muita gente não sabe. O que é triste.

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Já chegou à cozinha

por Miguel Bastos, em 10.04.24

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Ontem, voltei a ouvir as Doce. Eu sei, podia-me ter dado para pior. Mas deu-me para o melhor. Dancei, com as Doce, e recordei as palavras das canções. "Eu vou-te abraçar e prender-te então / No corpo que é teu na cama no chão". Como?! "Ok põe-me ko... se fores capaz... Se souberes como se faz" Desculpe?! "E o nosso amor já não demora / E o teu jantar já não tem hora". Ui, que a conversa já chegou à cozinha! "Qualquer dia, amor / Vais mudar de cor" E azedou: "Vou passar a ferro os teus sapatos / Engraxar as calças dos teus fatos, fica-te bem".
 
Tanta conversa sobre a família e o papel da mulher levaram-me às Doce. E a um repertório que o ex-primeiro-ministro deve conhecer bem.

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Aida

por Miguel Bastos, em 08.04.24

aida.jpg

- O que é que estás a fazer, filho?
- Estou a estudar uma partitura.
- Hum, a Aida, de Verdi! Estás a gostar?
- Ainda estou no início.
- "Aída" estás muito Verdi! Ah, ah! Percebeste?
- Percebi, pai. Podes escrever isso, se quiseres.
Já está, filho, já está.

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O agora

por Miguel Bastos, em 04.04.24

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Os Duran Duran pediram-lhe que produzisse uma canção. Mark Ronson ofereceu-se para produzir um álbum inteiro. Queria oferecer - à banda, aos fãs e a si próprio - um digno sucessor do álbum "Rio". Nessa altura, os Duran Duran já tinham tentado de tudo. Nem sempre, com sucesso. Por vezes, com fracassos gigantescos. Em 2004, depois de reunirem a formação original, editam o álbum "Astronaut". O disco não é grande coisa, mas a digressão foi um sucesso. Infelizmente, o guitarrista Andy Taylor saiu da banda e o álbum seguinte passou (novamente) despercebido. Daí, a importância deste "All you need is know" (um piscar de olho aos Beatles - "All you need is love" - ao passado da prória banda, mas também uma afirmação do presente). É um dos melhores discos dos Duran Duran. Tem músculo (na canção-título), tem dança ("Safe (In the Heat of the Moment)" e "Girl Panic"), tem baladas intimistas ("Leave a Light On") e momentos épicos ("Before the Rain" e "The Man Who Stole a Leopard"). Apesar de terem vários discos menos inspirados, os Duran Duran nunca deixaram de fazer boas canções. A diferença é que, neste disco, abundam as canções excelentes e o disco é bom, do princípio ao fim. Por mim, fica junto aos dois primeiros - como o fã Mark Ronson desejou. E conseguiu.

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Dia Mundial do Teatro

por Miguel Bastos, em 27.03.24

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Ó Molière, não me leves a mal, mas tens de ter mais cuidado.
Às vezes, acho que fazes tudo às três pancadas

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Miúdos

por Miguel Bastos, em 25.03.24

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Sim, este livro tem sexo, drogas e rock and roll. Tem muito de tudo isso. Mas não foi isso, que mais me marcou. Foram outras coisas, como o desejo de ser artista (sem saber, ainda, de que arte) e a ternura entre os dois aspirantes a artista. Este livro é (mesmo!) sobre dois miúdos: os seus gostos, desejos, aspirações, sonhos. E é, sobretudo, sobre a relação entre os dois. Por isso, o maior êxito na carreira de Patti Smith (a canção "Because the night", escrita em parceria com Bruce Springsteen) é despachado em duas linhas. Já uma simples prenda de Robert para Patti pode espreguiçar-se por várias páginas, com descrições pormenorizadas sobre uma camisa em segunda mão, comprada por tuta e meia, numa loja manhosa, mas embrulhada num papel especial e amarrada com uma fita de um tecido raro. Esta ternura é uma espécie de flor, a romper na dureza da selva urbana. "Apenas miúdos" tem a beleza e a dureza das coisas nuas e cruas.

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Leonardo

por Miguel Bastos, em 20.03.24

leonardo.jpg 

- Como é que é, Leonardo, vamos trabalhar?
- Vamos lá!
- Como é que fazemos com a condução?
- O costume.
- Ok, eu conduzo o carro.
- E eu conduzo o Tchaikovsky.

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Kim Wilde

por Miguel Bastos, em 13.03.24

 

A minha rádio anda a passar canções da Kim Wilde. Que maravilha. A Kim é uma velha paixão, de quando eu era novo, muito novo. Era gira, loira, fresca, jovem, moderna, elegante, sensual. Adorei a energia de “Kids In America”. Parecia ser feita para miúdos como eu, apesar de eu não ser americano (com muita pena minha). Mas, gostei (ainda) mais de “Cambodia”: uma canção mais moderna e muito mais exótica. O vídeo (o "teledisco", como então se dizia) expandia o exotismo da canção (como os Duran Duran, nos vídeos de "Rio") e Kim estava (ainda) mais gira. Eu tinha uma paixão pela Kim Wild e tinha um plano (infalível) para a conquistar. Sim, eu era uma criança. Mas iria crescer e ser giro como o John Taylor dos Duran Duran. Infalível.
E, agora, a parte inesperada: eu e a Kim não chegámos casar. Eu sei, é difícil acreditar. Eu, próprio, não consigo encontrar uma explicação.

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Revolução

por Miguel Bastos, em 06.03.24

revolução.jpg 

Revolução na lavandaria

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