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Jogaram para vencer. E vencerem. Mesmo assim, houve prolongamento. Chamaram-lhe encore. A Orquesta Sinfónica Simón Bolívar regressou ao palco, pintada com as cores da Venezuela. Gustavo Dudamel deu o tiro da partida. A Orquestra começou a tocar e, pouco depois, a dançar Ginastera. A plateia britânica respondeu, com palmas, em uníssono e em êxtase. E, então, deu-se uma invasão: do palco, para a plateia. Querem conquistar o mundo? É assim que se faz.
O compositor brasileiro Heitor Villa-Lobos vai estar em destaque na programação da Casa da Música, para 2026. "Porquê Villa-Lobos?", perguntei. O diretor artístico da Casa da Música devolveu-me a pergunta: "E porque não?" E, depois, defendeu que o compositor brasileiro é um dos grandes compositores dos séculos XIX e XX, mas que, infelizmente, ainda não é tão conhecido como devia. Para além da apresentação integral das "Bachianas Brasileiras" (são 9), a programação vai colocar a obra de Villa-Lobos em diálogo com outros compositores como Bach (naturalmente), mas, também, Bartók, Lopes-Graça ou Ginastera - compositores que aprofundaram a relação entre a música erudita e a música popular.
Estou triste. O meu autorrádio avariou. Olho para o ecrã e vejo que estou sozinho, nesta minha tristeza melancólica. Acho que é por ser português, porque o Mozart, pelo contrário, continua todo allegro. Mas ele é da Áustria, e lá há muito sol e cangurus e surfistas e tal. Assim, é mais fácil. Não é, Amadeus?
"Music is not fireworks / a música não é fogo de artifício", disse Salvador Sobral, depois de vencer o Festival de Luz e Cor da Eurovisão. "Music is not fireworks". Claro que não. Até porque há alternativas: barcos e canais e soldados e mosquetes e tiros e fumos e sorrisos e lágrimas. E Tchaikovsky. E Pappano.
Esta semana, por causa dos 80 anos de Debbie Harry, andei a ouvir os Blondie no computador. E a ter problemas com o algoritmo. Eu a pedir "Bota aí o 'Heart of Glass', 'fachabôr'!". E ele "Com certeza". Mas, logo a seguir, "Tomei a liberdade de lhe sugerir a 'Serenata para cordas', de Dvořák". E eu "Pois, mas não quero. Quero o 'Call me', ok?". E ele "A sua solicitação foi atendida. Agora, sugiro a suíte 'Os Planetas', de Holst". E eu “Mas pensas que estás na Gulbenkian, ou quê? Tens aí o 'Atomic'?". E ele "Tenho". E, depois, "Também tenho 'O Barbeiro de Sevilha', de Rossini". E eu, "Ai, o caraças...".
Portanto, cuidado, meus amigos. O algoritmo tem a mania que é esperto. Ou, então, tem a mania que somos espertos. O que, ainda, é pior.
112 é número de emergência. Mas, neste caso, é número de permanência. Se fosse viva, Helena Sá e Costa faria 112 anos. Permanece um dos nomes mais importantes da música clássica, em Portugal. Permanece, nas mãos dos pianistas - seus discípulos. Há poucos dias, conversei com um: António Pinho Vargas. Há poucos meses, conversei com outro: Pedro Burmester. Pedro vai tocar esta tarde, com Fausto Neves (outro discípulo), na casa da família. Juntos vão interpretar uma peça para dois pianos, que o pai de Helena escreveu e tocou com a filha. E vão tocar no piano do pai e no piano do avó de Helena. Mais intimidade é difícil.
Para ouvir, aqui:
