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Aida

por Miguel Bastos, em 08.04.24

aida.jpg

- O que é que estás a fazer, filho?
- Estou a estudar uma partitura.
- Hum, a Aida, de Verdi! Estás a gostar?
- Ainda estou no início.
- "Aída" estás muito Verdi! Ah, ah! Percebeste?
- Percebi, pai. Podes escrever isso, se quiseres.
Já está, filho, já está.

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Leonardo

por Miguel Bastos, em 20.03.24

leonardo.jpg 

- Como é que é, Leonardo, vamos trabalhar?
- Vamos lá!
- Como é que fazemos com a condução?
- O costume.
- Ok, eu conduzo o carro.
- E eu conduzo o Tchaikovsky.

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Seiji Ozawa

por Miguel Bastos, em 09.02.24

ozawa.jpg 

Morreu Seiji Ozawa. O maestro japonês tinha 88 anos. Estudou com Herbert von Karajan, em Berlim; foi assistente de Leonard Bernstein, em Nova Iorque; dirigiu algumas das maiores orquestras do mundo, pelo mundo.
Esta tarde, na Antena 2, recordei a cerimónia de Abertura dos Jogos Olímpicos de Inverno do Japão, em 1998. Primeiro, começou por dirigir o coro e a orquestra, no palco. Depois, apercebemo-nos que havia milhares de cantores, nas bancadas do estádio. Finalmente, juntaram-se vários coros, espalhados pelo mundo: na Ópera de Sydney; na Porta de Brandemburgo, em Berlim ou na Sede das Nações Unidas, em Nova Iorque.
Foram milhares de vozes, a cantar Beethoven. E milhões de olhos, a acompanhar Seiji Ozawa, de ouvido.

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Quebra-Cotas

por Miguel Bastos, em 08.02.24

- Ó pai, o "Quebra-Nozes" é um bocado música clássica para crianças. Não é?
- É.
- Então, esta música é um bocado Tchaikovsky para jovens. Não é?
- Para jovens como tu ou como eu?
- Como eu, pai.
- Ai sim?
- Sim, tu já és um jovem um bocado cota.

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Em português

por Miguel Bastos, em 31.01.24

david furtado.jpg 

Como é que se diz David Bowie, em português? Ah, já me lembrei: Catarina Furtado.

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Bach

por Miguel Bastos, em 23.01.24

bach in brazil.jpg 

- Estavas a falar de um disco chamado "Bach in Brazil"...
- Sim...
- Isso não existe, pois não?
- Existe, pois, tenho o disco e tudo!
- "Bach in Brazil"?! Qualquer dia, fazem um "Bach in Africa"!
- Já fizeram. E um "Mozart in Egypt"... Há de tudo...
- Como na farmácia?
- Não. Infelizmente, na farmácia não há música.

Bach in Brazil, aqui:
 
https://www.youtube.com/watch?v=DXLgKsaYVEc&list=PLwpEdJ-VJW-tQr5SjBpXHToLQQ4wgMEhz
 

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Apoiar Portugal

por Miguel Bastos, em 04.10.23

- Estamos a ganhar, pai?
- Acho que sim. Há pouco, estava 1-0.
- Porque é que não estás a ouvir o relato?
- Porque estou a ouvir música.
- Clássica, ainda por cima.
- E...?
- Não devíamos estar a apoiar Portugal?
- E estamos.
- Com música clássica!?
- Exato, do Joly Braga Santos.

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Rádio oficina

por Miguel Bastos, em 12.06.23

oficina.jpg

Olá, senhores da oficina. Por favor, não voltem a apagar a Antena 2 do meu rádio. Se eu tenho a Antena 2 memorizada, é porque gosto (mesmo!) de ouvir. Não sei se, eventualmente, se assustaram com a Marcha fúnebre, de Chopin, e desligaram o rádio. Ou se apanharam alguma esquisitice de Stockhausen e pensaram que o rádio estava mal sintonizado. Não sei. O que eu sei, é que me voltaram a desprogramar o dito cujo.
 
Claro que podem mudar de estação. Por isso é que o rádio tem vários canais memorizados. Mas não se ponham a programar o meu rádio, ao vosso gosto. Está bem? Combinado? Espero que sim. Será desagradável se eu me sentir obrigado a cavalgar pela oficina adentro, ao som das Valquírias, de Wagner. Obrigado pela vossa atenção.

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Adeus, Sakamoto

por Miguel Bastos, em 02.04.23

Ryuichi Sakamoto morreu, aos 71 anos.
Continuo a achar o mesmo, que escrevi no final do ano passado: "O cancro devia era ouvir o piano de Sakamoto e chorar de vergonha".

sakamoto.jpeg

Ryuichi Sakamoto está a morrer. Venceu um primeiro cancro, está a perder na luta contra o segundo. A primeira canção dele que me recordo de ter ouvido foi "Forbidden Colors". Foi na televisão, em teledisco (como, então, se dizia). Gostei, moderadamente. O cantor (David Sylvian) era demasiado parecido com os tipos dos Duran Duran. E eu estava a tentar sair dos Duran Duran. Depois, descobri que a canção era de um filme com o David Bowie. E eu estava a tentar entrar no David Bowie. Fique a meio da ponte.

Mais tarde, fui ver o filme "O Último Imperador", de Bernardo Bertolucci. Adorei o filme (é um dos filmes da minha vida) e a banda sonora. Procurei o autor. Eram dois: David Byrne (o gajo dos Talking Heads) e... Ryuichi Sakamoto (o tipo andava a perseguir-me). Ouvi o disco. Curiosamente gostei mais das composições do David Byrne, que eram mais "étnicas". As composições do Sakamoto eram mais "clássicas". E eu não gostava (nada) de música clássica. Mais, tinha medo de música clássica: a "Toccata e Fuga", do Bach, era música para filmes de terror; a sinfonia da banana, do Beethoven (aquela do "ba- na-na-naaa"), dava-me pesadelos. Mesmo assim, fui ouvindo e fui gostando, cada vez mais, do Sakamoto. Voltei atrás, para ouvir a banda sonora do tal filme com o Bowie. Era diferente, muito eletrónica. Fique baralhado, de novo.

Depois, disseram-me que ele tinha vindo de uma banda, uma espécie de Kraftwerk à japonesa. E fui ouvir outros discos. Que miscelânea! Tinha umas coisas pop muito comerciais, outras eletrónicas, outras que pareciam jazz, outras que pareciam clássica, mas com instrumentos eletrónicos. Depois, saiu uma canção com o David Bowie, que, afinal, era de um tal Iggy Pop, um imitador (pensei). E, a seguir, um disco com o tipo africano que cantava com o Peter Gabriel e vozes tradicionais japonesas e, até, uma canção em português, com um americano que tinha vivido no Brasil. Por essa altura, eu já estava completamente submerso na música de Sakamoto. Um génio: culto, criativo, curioso. Que observa, que absorve, e, depois, reescreve e arrisca. Conhece djs e experimenta a música eletrónica de dança (ele acha que os subgraves nos devolvem ao útero materno). Aproxima-se da bossa nova; lança discos de piano solo; e com pequenos ensembles; e com vastas formações orquestrais. Entra em casa de Tom Jobim, senta-se ao piano e edita um disco com o casal Morelenbaum. Um cidadão do mundo, que me abre ao mundo, continuamente.

Sakamoto é dos meus músicos e compositores preferidos. Acho que ele não iria gostar deste texto, tão cheio de passado. Ele sempre foi voltado para o futuro. Continua a ser. O cancro (sacana!) está a avançar e ele resolveu avançar também. Sentou-se ao piano e deu-nos o seu último concerto. O cancro devia era ouvir o piano de Sakamoto e chorar de vergonha. 

Sakamoto explica tudo, aqui:

https://www.youtube.com/watch?v=ZhzpwR19UN4

E toca piano, aqui:

https://www.youtube.com/watch?v=z9tECKZ60zk

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Bernstein

por Miguel Bastos, em 17.03.23

bernstein.jpg 

1959. Leonard Bernstein aperta a mão de Eisenhower, o presidente dos Estados Unidos. O maestro acabara de dirigir a Orquestra Filarmónica de Nova Iorque, na "Fanfarra para o Homem Comum", de Aaron Copland. As cerimónias marcavam o início da construção do Lincoln Centre - o centro de artes, que iria iluminar o mundo, a partir de Nova Iorque. O biógrafo, Barry Seldes, considerou que este era o momento certo, para assinalar tudo o que esteve errado: o controlo político, as pressões, as investigações, as listas negras, os afastamentos, as retenções de passaporte, a censura, a autocensura, as confissões. Bernstein, como tantos artistas e intelectuais seus contemporâneos, passou por tudo isto. Foi, assim, a América do macarthismo. A "caça às Bruxas" está delimitada no tempo, mas vai para além desse tempo.
 
Ao longo de toda a sua carreira, Bernstein - um liberal, um progressista, um homem de esquerda - sentiu pressões políticas, particularmente quando os republicanos estiveram no poder. A forma como Bernstein lidou com essas pressões, faz lembrar os relatos dos artistas portugueses durante a ditadura. Esta biografia política não se limita a tentar perceber as ideias políticas do compositor e maestro, o seu grau de envolvimento na ação política, ou a forma como lidou com o poder político. Tentou perceber, também, de que forma é que a política americana influenciou (condicionou?) a sua música. Do ponto de vista político, esta biografia serve, ainda, para nos lembrar que a liberdade e a democracia estão, permanentemente, em risco. Mesmo quando tudo parece estar bem.

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