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Feliz Natal

por Miguel Bastos, em 22.12.23

 

"És um vagabundo"; "És uma porca"; "Feliz Natal, cara de cu". Sim, é uma canção de Natal - cheia de raiva. Mas, também, de poesia: "Tu roubaste-me os meus sonhos, quando eu te conheci"; "Eu guardei-os comigo, querida / Eu construí os meus sonhos, à tua volta". E eu (lamechas) fico sempre de lágrimas nos olhos, nesta parte. Feliz Natal.

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A idade é muito subjetiva

por Miguel Bastos, em 20.12.23

toy.jpg

A rádio dos mais novos dedicou largos minutos, da sua programação, aos 80 anos do veterano Keith Richards, dos Rolling Stones.
A rádio dos mais velhos dedicou largos minutos, da sua programação, aos 13 anos do jovem Beethoven, compositor romântico.
A idade é muito subjetiva. Ou, como diria Toy (outro grande compositor romântico), "Coração não tem idade".

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Morreu Joaquim Pessoa

por Miguel Bastos, em 17.04.23

Morreu o poeta Joaquim Pessoa. Gostava de conhecer melhor o seu trabalho poético. Vou adiando para "um dias destes", que é um local habitado por muitos poetas e escritores. Conheço Joaquim Pessoa, das canções. A rádio e os jornais destacam (bem) a "Amélia dos olhos doces" (Carlos Mendes) e "Lisboa, menina e moça" (Carlos do Carmo). Mas é curto. Ele tem tantas canções! Só no disco "Uma canção para a Europa", que corresponde às canções do Festival de 1976, Carlos do Carmo canta três poemas seus: "Lisboa Menina e Moça" (em parceria com Ary dos Santos), Cantiga de Maio (não confundir com a canção de José Afonso) e "Onde é Que Tu Moras?" (uma das canções da minha vida). Só essa, já era muito. Mas há mais, muitas mais.

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Respeito

por Miguel Bastos, em 08.03.23

"Tudo o que queres queres, meu doce, tu tens / Tudo o que precisas, filha, tu tens / A única coisa que eu te peço / É um pouco de respeito / Quando eu chego a casa". A canção de, Otis Reading, é de 1965. Fala de trabalho e do respeito por quem trabalha, mas talvez faça franzir o sobrolho quando o cantor diz à pessoa amada que é mais doce do que o mel, para lhe lembrar, logo de seguida, que que lhe dá todo o "seu" dinheiro e pede respeito "quando eu quero, quando eu preciso". Com quem então, uma canção machista?! Se não é, parece.

Otis morreu, dois anos depois. Não teve tempo para se aperceber do rumo que a canção tomou. Um furacão chamado Aretha Franklin gravou "Respect", nesse ano, e a canção tomou um sentido completamente diferente. Aretha começa por manter grande parte da letra, apenas com pequenas intervenções cirúrgicas: o "Tudo o que queres, meu doce, tu tens", passa a "eu tenho" e o "respeito" pedido/exigido Otis ora é suavizado, pelas manas Franklin no coro, com um "just a little bit/ só um bocadinho"; ora é enfantizado, por Aretha, quando soletra R-E-S-P-E-C-T e pergunta "Tenta perceber o que isso significa para mim". A partir daqui, o caldo está entornado: já em "fade" Aretha canta "Estou cansada / Pode ser que chegues a casa / E descubras que eu já me fui embora / Eu preciso de um bocadinho de respeito (só um bocadinho, só um bocadinho)".

Aretha transformou uma simples canção, num hino contra a discriminação racial e de género. RESPECT.

PS: Já agora, também nesse ano, Aretha Franklin gravou "You make me feel like a natural woman", de Carole King. Em 2015, a compositora foi homenageada no Kennedy Center e surpreendida por Aretha, no palco. Carole, em êxtase, ao lado do casal Obama. Para ver e ouvir aqui.

https://www.youtube.com/watch?v=pT4aRd-hCqQ

Vou chorar e já volto.

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Fausto com Ela

por Miguel Bastos, em 06.02.23

fausto.jpg

Uma canção é composta por música e letra. Uma das questões que se coloca, frequentemente, aos escritores de canções, é saber o que é que nasce primeiro. Outra, é saber se a letra pode ser considerada um poema. Se vive sem a melodia. Neste caso, a discussão tende a ser acalorada. Porque vivemos, ainda, com uma concepção de "acima e abaixo" - "cultura erudita" versus "cultura popular". Conheço muitos versos da "cultura popular" que são bem melhores do que alguns versos da "cultura erudita". Não há muito tempo, o tema foi discutido por causa do Nobel da Literatura, atribuído a Bob Dylan. Muitos "da literatura" não gostaram. Os da cultura popular chamaram-lhe "snobs". Não sei quem tem razão, mas não me apaixonei pela discussão. Estranhei, apenas, por uma questão "técnica". Para mim, não se trata de saber se os textos de Bob Dylan são suficentemente bons, para serem premiados com um "Nobel". Mas, antes, saber se as canções, os discos ou os concertos ao vivo podem ser premiados como "literatura". Estranharia um "Grammy" ou um "Brit Award" para Saramago, por exemplo. Um dos escritores de canções mais brilhantes que conheço (música e letra), chama-se Fausto. No "Fala com Ela", da Inês Meneses, diz que não se considera poeta e explica porquê. Não é por ser mais, ou menos. Não é por ser "acima ou abaixo". É por ser outra coisa.

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Janela p'ro mar

por Miguel Bastos, em 20.07.22

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"Na boca da barra e mesmo defronte / Daquela janela virada pr'ó mar". Lembrei-me do Tristão, neste dia feliz.

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Gatos

por Miguel Bastos, em 18.02.22

Lembrei-me desta, por causa do dia dos gatos.
- Este gajo não canta nada.
- Não sejas bruto, canta muito bem.
- Achas? Parece um gato assanhado!
- Aquilo é uma técnica.
- Uma técnica, para cantar assim? Não me lixes!
- Sim, muitos cantores usam esta técnica.
- E os gatos também, para chamar as gatas.
Eu ouvi tudo, mas não disse nada. Como gosto de gatos, fiquei caladinho.
Que nem um rato.

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Natal dos simples

por Miguel Bastos, em 16.12.21

O Natal é quando um homem quiser. É sempre a mesma canção. Os ricos que paguem a crise.
Aceitam-se provérbios e lugares-comuns. Feliz natal, minhas riquezas!

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Beleza pura

por Miguel Bastos, em 23.09.21

Rita Redshoes disse, no Jornal 2 da RTP, que, durante muito tempo, ficava incomodada com o facto de evocarem, repetidamente, a sua beleza. Sentia que o seu trabalho era desvalorizado. Lena d'Água também disse que "era tão gira, que as pessoas só falavam de mim e esqueciam-se da música".

Ora, Rita é, há muito tempo, uma das compositoras, cantoras e instrumentistas mais inspiradas (e inspiradoras) em Portugal. E, sim, é linda. O que não retira nenhum valor ao seu trabalho. Pelo contrário, só acrescenta. Agora, parece-me evidente que ainda temos - todos nós - muito a aprender sobre a forma como abordamos a beleza: a nossa e a dos outros.

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A canção certa?

por Miguel Bastos, em 31.05.21

Uma semana depois, o Festival da Eurovisão continua na minha cabeça. Apesar das explosões de luz e cor, e de todos os excessos de botox, silicone, laca, maquilhagem, tatuagens, cabeleiras, purpurinas, lantejoulas e bailarinos, a verdade é que (pasme-se!) havia ali canções. A nossa, por exemplo, é muito boa. A minha preferida - a francesa "Voilá" - é um arrepio. O cantor suíço é muito interessante. E, mesmo, a canção italiana - que me tinha parecido, apenas, um glam/hard rock estereotipado - cresceu com as audições seguintes.

Curiosamente, poucos repararam na canção da Bélgica ("The Wrong Place"), que me tem acompanhado por estes dias. Os Hooverphonic são uma banda muito respeitável, que teve algum sucesso na segunda metade dos anos 90. São contemporâneos e próximos de bandas como os Portished, Air ou Goldfrapp. Bandas que misturavam uma certa pop dos anos 60; com bandas sonoras de John Barry ou Ennio Morricone; uns toques de dub, jazz, bossa nova e easy listening; e o recurso a ritmos hip-hop, eletrónica e "samples". Por estes dias, tenho andado a (re)ouvir os Hooverphonic e arredores. Nunca pensei que o fizesse, por causa do Festival da Eurovisão. E a canção é muito boa. Terá sido a canção certa para o local errado?

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