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Bravo, Gustavo!

por Miguel Bastos, em 14.02.23

gustavo.jpg 

Parece que passou despercebido, à maioria dos comentadores. O mercado de inverno fechou, com uma das maiores transferências de sempre: Gustavo Dudamel trocou a Filarmónica de Los Angeles, pela Filarmónica de Nova Iorque. Gustavo, venezuelano, 42 anos, filho da pobreza e da utopia do "El sistema", vai ser maestro titular, a partir da temporada 2026/27, da orquestra que já foi dirigida por Leonard Bernstein e outro Gustavo: Mahler. Quando chegou a Los Angeles, há mais de 10 anos, teve direito a jornalistas, multidões e celebridades. Uma coisa à americana: "Bienvenido Gustavo". Tudo indica que, agora, o fenómeno se vai repetir. Estive a recordar alguns artigos de imprensa, "trailers" promocionais , entrevistas, conferências de imprensa. Numa delas, perguntavam a Dudamel que música é que ele gostava de ouvir: "Beethoven, Mahler, Schostakovich...". E ouve música popular? "Claro, eu adoro tango, merengue... Astor Piazolla, Juan Luís Guerra...". "Eu estou a pensar em música americana", insiste o jornalista. "Eu também", responde o maestro a sorrir. Ele veio da terra de Simón Bolívar, o libertador.
Recordo a passagem da Orquestra Juvenil da Orquestra Simón Bolívar pelo Royal Albert Hall, nos BBC Proms de 2007. "Eles podiam ter trazido Mahler ou Beethoven", diz a locutora da BBC, "mas preferiram mostrar quão boa é a música deles". Nessa noite de glória, a Orquestra tocou vários compositores da américa latina e as "Danças Sinfónicas de West Side Story", de Bernstein. O compositor tornou-se indissociável da orquestra e de Dudamel. Foi ele a assinar a direção musical da versão mais recente do musical de Bernstein, realizada por Steven Spielberg. É ele que vai dirigir a Orquestra que já foi de Bernstein. É ele que tem levado a música dos compositores latino-americanos, ao mundo inteiro: entre eles, Heitor Villa-Lobos. É ele que que faz cantar a língua portuguesa, nos melhores palcos do mundo. Bravo, Gustavo!

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Adeus, Hernâni Santos

por Miguel Bastos, em 14.01.23

hernani santos.jpg

- Estou a falar com o Miguel Bastos?
Ainda demorei um ou dois segundos a pensar de quem seria aquela voz da BBC, com um domínio perfeito da língua portuguesa: "Hernâni Santos?!"
- Fala Hernâni Santos, o seu formador...
- Não precisa de dizer quem é - atalhei - essa voz é inconfundível.
- Estou-lhe a ligar, porque estão a precisar de jornalistas para a Antena 1 e eu lembrei-me de si.
Não consegui esconder a minha excitação e lá fui eu a uma espécie de conversa que, afinal, não era uma entrevista de emprego. De modo que, sem emprego, resolvi fazer um conjunto de pequenas coisas: telefonei ao Hernâni Santos, voltei para a minha cidade, arranjei uma casa e um trabalho e casei-me. Poucos meses depois, o senhor jornalista - com voz de BBC e língua de Camões - voltou-me a ligar.
- Miguel Bastos?
- Bom dia, Hernâni Santos! Como está?
- Estou bem, obrigado. Já está a trabalhar?
- Sim, felizmente.
- Então, se calhar, já não tem interesse.
- Diga, diga...
- Sabe, voltaram-me a ligar da Antena 1. Parece que, desta vez, é a sério. Está interessado?
- Estou sempre interessado.
- Posso indicar o seu nome?
- Claro que sim. E obrigado por se lembrar de mim.
- Ora essa! Nunca me esqueço dos meus alunos.
- Ainda bem, mas ao fim deste tempo todo...
Ao fim deste tempo todo, estou na rádio. Continuo a estar. Com uma enorme gratidão a um senhor alto, forte, de postura militar e mau feitio. Mas, também, exemplar, rigoroso, solidário, atento, astuto. Hernâni Santos, um mestre - com voz de BBC e língua de Camões. Obrigado. Muito obrigado!
 
https://www.rtp.pt/noticias/pais/morreu-o-jornalista-hernani-santos_v1460048

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Tanga fascista

por Miguel Bastos, em 04.02.22

Em 1981, os Heaven 17 lançaram "(We Don't Need This) Fascist Groove Thang". A canção fazia alusões a Margaret Thatcher e referências diretas a Ronald Reagen, e alertava para os perigos do racismo e do fascismo. A banda vinha da eletrónica de laboratório, mas adorava "soul" e "funk" e, na melhor tradição da cultura negra norte-americana, fez uma música que apelava à dança, com uma letra que recorria ao calão da rua. "Thang" é "thing", mas eu sempre gostei de pensar que era "tanga". Traduzindo: "Nós não precisamos desta tanga fascista". A difusão da canção esteve proibida pela BBC. A mesma BBC que, 30 anos depois, os convidou para esta interpretação enérgica de "Fascist Groove Thang". Entretanto, passaram 10 anos. A música continua irresistível. A letra continua atual. Demasiado, até. Dancemos, então.

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