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Desaparecido em combate

por Miguel Bastos, em 04.06.19

Alguém viu o carregador do meu telemóvel? Não sei dele, mas não está desaparecido. Precisa, apenas, "de uma localização mais exata". A última vez que o vi, estava junto a uma tela da Vieira da Silva.

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Viver sem aprender

por Miguel Bastos, em 10.05.19

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Umas das coisas que sempre me impressionou nos filmes da Segunda Guerra Mundial é a forma como as pessoas continuam a viver: afogadas nas pequenas coisas do quotidiano, indiferentes ao nazismo - mesmo quando ele já se materializa em guerra. Até que, de repente ficam sem trabalho, sem casa, sem direitos, sem filhos, sem pais, sem vida. É sempre inquietante para nós, que já sabemos o fim da história, assistirmos ao comportamento daquela gente. No caso de Else - mulher, alemã, judia, casada com um cristão da alta burguesia - nada conseguia abalar a sua vida burguesa, boémia e frívola: com direito a festas, vestidos, espectáculos e amantes. Mesmo quando teve que abandonar a Alemanha e instalar-se na Bulgária, continuou a ter uma vida irreal: vivia numa casa com empregada, passava férias na praia. Até que o cerco apertou e ela foi perdendo tudo: uma coisa de cada vez.

 

O livro “Tu não és como as outras mães”, de Angelika Schrobsdorff, fala desta mulher (Else, a mãe da autora) que, apesar de ter abandonado a fé judaica, será sempre considerada uma judia e sofrer, na pele, as consequências da sua condição. Mas, o que achei mais chocante é que o livro não acaba com o fim da Segunda Guerra Mundial, com o habitual direito à vitória da justiça, à catarse, à felicidade. E, ao estender-se no pós-guerra, assistimos, através dos olhos de Else - mulher profundamente transformada pela guerra - à repetição dos mesmos comportamentos, da mesquinhez, dos vícios que existiam antes da guerra. Como se os seres humanos (todos nós) fossemos incapazes de aprender a viver, apenas para sobreviver.

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É um livro

por Miguel Bastos, em 23.04.19

 

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"É um livro", de Lane Smith, no dia do dito cujo. Ideal para as crianças ensinarem os adultos a ler.

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Adeus tristeza

por Miguel Bastos, em 15.04.19

Fernando Tordo anda a cantar "Adeus tristeza", há mais de 35 anos. É uma das canções tristes, mais tristes que eu conheço. Arrepiava-me ao ouvi-la na rádio (ainda me arrepia). Arrepiava-me ao ver Fernando Tordo a cantar "a tristeza" ao vivo, encharcado em suor, num espetáculo da Aula Magna transmitido na RTP. A intensidade da música e da interpretação faziam de Tordo uma espécie de Brel: um pouco mais gordo, um pouco mais luso. "Adeus tristeza", cantava num quase grito, mas a tristeza teimava em ficar. Até agora. Fernando acaba de regressar à canção, num dueto com Héber Marques, dos HMB. E a tristeza disse "Adeus", pela primeira vez. Lindo.

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Eu fico

por Miguel Bastos, em 31.01.19

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Ontem, soube-se que Jorge Jesus saiu do Al Hilal.
Hoje, fiquem a saber que eu fico no Al Jarreau. E é isto. Para mim, os contratos são para cumprir!

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Velhinhos italianos

por Miguel Bastos, em 27.11.18

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Silvio Berlusconi queria regressar à politica. Hoje, o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos não lhe deu razão. Pessoalmente, na rubrica "O regresso dos velhinhos italianos", gostava mais de ter Bernardo Bertolucci de volta. Sei que é mais difícil...

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Toni Taveira

por Miguel Bastos, em 10.10.18

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Depois das televisões, a imprensa portuguesa quer-se afirmar no mercado das séries. Já saíram dois episódios no "i". O terceiro episódio sai no sábado, no Sol. Aparentemente, é uma entrevista em fascículos. Só que o personagem principal torna aquilo numa novela. Chama-se Tomás. Mas Tomás é nome de beto. Chamemos-lhe Toni. Mantém a aliteração do "T" e adapta-se o nome ao discurso do personagem. Ele diz coisas como "sei mais do que estes gajos todos juntos" ou "se o estádio do Braga é bonito, a Madre Teresa de Calcutá é a miss mundo". Não se sabe se estas afirmações foram feitas com um palito nos dentes. Mas, no caso de se avançar para a novela, aconselha-se o adereço.

 

Toni é uma mistura de arquiteto, com gajo de alfama e capitão de Abril. Gosta de dizer "gajo" e "malta". Faz preceder qualquer nome pelo artigo definido: "o Costa", "o Salazar", "o Sócrates", "o Siza". Por exemplo: "o Siza só ganhou o Pritzker porque é judeu" ou, ainda, "o Souto Moura nem sequer é arquiteto". O Toni é um ponto. O estádio do Dragão só é bom porque o Toni pôs um holandês a trabalhar com o Manuel Salgado. O estádio da Luz só é bom porque foi feito sobre um projeto do Toni.

 

Achei o segundo episódio mais fraquinho. Mas o terceiro deve ser muito bom: com "gajas boas" e tudo, como nas novelas. Aguarda-se, portanto, o terceiro episódio do homem que fez "o último ícone de Lisboa". Por mim, já escolhi a música do genérico. É do Tony, este com "Y": "Depois de ti mais nada".    

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Encenar Tancos

por Miguel Bastos, em 01.10.18

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A descoberta das armas de Tancos foi uma encenação, confirmou o diretor da Polícia Judiciária Militar. Convenhamos, a coisa cheirava a ópera bufa. Mas, encenação por encenação, venha o La Féria. Tem mais luz, mais cor, mais movimento. Tem lantejoulas e purpurinas. Tem classe. Encenar é uma arte para profissionais.

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Arte contemporânea

por Miguel Bastos, em 24.09.18

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"Não sabia que os senhores jornalistas se interessavam tanto por arte contemporânea!", disse o primeiro-ministro, com um sorriso irónico. António Costa sabe que os jornalistas não se interessam por arte contemporânea. Nem os políticos. Nem o grande público. As instituições convidam os políticos para a inauguração de exposições, na esperança de atrairem a atenção dos media e, consequentemente, do público. Os jornalistas estavam lá por causa de António Costa e ele sabia isso.

 

Por este dias, discute-se Robert Mapplethorpe. Isto porque o diretor do Museu de Serralves achou que o acesso às imagens sexualmente explícitas não devia ter limites. Já a administração achou que essas imagens deviam ser colocadas em salas de acesso limitado. Como, recentemente, aconteceu com a exposição de Jeff Koons. O verniz estalou, o diretor demitiu-se. E muita gente ficou surpreendida, porque achava que a exibição de bondage e sadomasoquismo seria sempre consensual, até no canal Panda. 

 

Hoje, o jornal Público sugere que a questão resulta de um mal-estar interno em Serralves: de divergências entre a administração e a direção e os trabalhadores. E, a ser assim, tudo volta ao normal: os políticos e os jornalistas voltam a interessar-se por arte contemporânea. Mas, apenas, porque envolve política e poder. O público em geral, sabendo que há sexo envolvido, também se interessa. E muito.

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Tratamento de beleza

por Miguel Bastos, em 10.09.18

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Tenho um segredo para ficar mais bonito. Sem maquilhagem, sem ginásio, sem dietas, sem cirurgias estéticas. Quando quero ficar mais bonito, ouço Bryan Ferry. Para mim resulta. Mesmo que ninguém note...

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