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Joalharia

por Miguel Bastos, em 20.02.24

felt.jpg 

Este disco custou-me 1 650 escudos. Pouco mais de 8 euros, há mais de 30 anos. Uma fortuna, portanto. Nessa altura, a rádio não me pagava um salário - dava-me uma mesada, que eu trocava por joalharia rara. Neste caso, guitarras de filigrana; canções artesanais, sussurradas na voz e cosidas à mão. Imperfeitas. Rarefeitas. Três, de cada lado. Meia hora de música, apenas. Tempo que eu multiplicava, trocando de lado, tocando até à exaustão. 

Em menos de 10 anos, os Felt editaram 10 discos. Uns, mais parecidos com os outros. Outros, mais diferentes dos outros. Todos bons. Este foi o primeiro deles. E foi, também, o meu primeiro. Raro, caro. E precioso, claro!

Música, aqui:

https://youtu.be/rnr95fuXbAk?si=cH5rB0b-nMe9JEdM

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Federação de Futebol

por Miguel Bastos, em 02.02.24

fff.jpg 

- Porque é que tens um disco da Federação Francesa de Futebol?
- Como?!
- Diz, aqui, "FFF".
- Ah, mas isso quer dizer "Federação Francesa de Funk".
- E isso é o quê?
- Uma banda francesa, de música funk.
- Que eu nem conheço....
- Põe a tocar e ficas a conhecer.
- Não achas estranho tu conheceres uma banda francesa, que eu não conheço?
- Não.
- Os portugueses conhecem música que nós, os franceses, não conhecemos.
- Descansa, não são os "portugueses". Sou só eu.
 
Para ouvir, aqui:
 

F.F.F. - Marco (Clip officiel)

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Em português

por Miguel Bastos, em 31.01.24

david furtado.jpg 

Como é que se diz David Bowie, em português? Ah, já me lembrei: Catarina Furtado.

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Morreu Frank Farian

por Miguel Bastos, em 23.01.24

mill.jpg

O inglês tem a expressão "don't judge a book by its cover". À letra, "não devemos julgar um livro pela capa". Em português, dizemos "quem vê caras, não vê corações". Vem isto a propósito da morte de Frank Farian, aos 82 anos. O músico, compositor e produtor ficou conhecido pela criação dos Boney M. e dos Milli Vanilli. Os primeiros, nasceram nos anos 70 do "disco". Os segundos, num caldo musical, na transição dos anos 80 para os anos de 1990. E foi, precisamente, nesse ano, que o caldo entornou. A dupla fazia um playback, para a MTV, quando a gravação encravou. Nada que não pudesse ter acontecido com outra banda. Mas foi na sequência desse acidente, que se soube que nem Fab Morvan, nem Rob Pilatus cantavam nos discos. Eram modelos: davam corpo e estilo a outras vozes. A verdade foi assumida por Frank Farian que, depois desse incidente, editou o disco "The Moment of Truth" ("O Momento da Verdade"), dos "The Real Milli Vanilli" ("Os Verdadeiros Milli Vanilli").
 
Foi, também, na sequência desse episódio, que ficámos a saber que aquele cantor irrequieto dos Boney M (Bobby Farrell), na realidade, não cantava. Que aquela voz grave, de um negro das Caraíbas, era de um branco da Alemanha, entre o louro e o ruivo. Era de Frank Farian, que, na realidade, se chamava Franz Reuther. Esta ideia de dar corpo a vozes e canções foi muito explorada, nos anos 90 - sobretudo, por europeus. A senhora, forte e de meia idade, cantava. A jovem modelo, alta e esguia, aparecia na capa e nos vídeos. Mas, a receita continua a ser explorada. Muita música das grandes estrelas americanas, da atualidade, é feita por compositores e produtores europeus, na Europa ou nos Estados Unidos. De resto, foi nessa américa, dos sonhos, que Frank Farian morreu, hoje, aos 82 anos.

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Bach

por Miguel Bastos, em 23.01.24

bach in brazil.jpg 

- Estavas a falar de um disco chamado "Bach in Brazil"...
- Sim...
- Isso não existe, pois não?
- Existe, pois, tenho o disco e tudo!
- "Bach in Brazil"?! Qualquer dia, fazem um "Bach in Africa"!
- Já fizeram. E um "Mozart in Egypt"... Há de tudo...
- Como na farmácia?
- Não. Infelizmente, na farmácia não há música.

Bach in Brazil, aqui:
 
https://www.youtube.com/watch?v=DXLgKsaYVEc&list=PLwpEdJ-VJW-tQr5SjBpXHToLQQ4wgMEhz
 

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Maria la Portuguesa

por Miguel Bastos, em 19.01.24

cano.jpg 

Em 1984, o espanhol Carlos Cano comprou um disco de Amália, em Lisboa. Apaixonou-se pela fotografia de Amália - olhos cerrados, pálpebras pintadas de azul, boca vermelha, cabelo negro. Depois, pela voz de Amália - de cor, também, "negra, quase mourisca, com uma capacidade de emocionar fora do comum". Inspirado, escreveu "Maria la Portuguesa", a pensar em Amália. De seguida, enviou-lhe uma primeira gravação da canção.

Amália telefonou-lhe de volta, para lhe dizer que, há muito tempo, não ouvia uma canção tão bonita. Então, Carlos Cano encheu-se de coragem e pediu-lhe para gravar a sua voz. Apesar de já não gravar, há cerca de dez anos, Amália acedeu. Gravaram em Lisboa. No entanto, a voz de Amália acabou por não entrar na canção, por motivos técnicos.

Em 2000, Carlos Cano voltou a gravar “Maria la Portuguesa”. Desta vez, Amália, apesar de ter morrido no ano anterior, apareceu na gravação. Já Carlos Cano desapareceu, nesse mesmo ano, levado por um aneurisma. O disco também estava desaparecido, desde a minha última mudança de casa. Apareceu agora, em boa hora.

A canção está aqui:

https://youtu.be/Jck3dkJrV9E?si=xXZYN7W3OlUCzTxs

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É a loucura

por Miguel Bastos, em 09.01.24

- Porque é que a nossa rádio está a passar esta música? Não faz sentido nenhum.
- Porquê?
- Música francesa! Ninguém conhece bandas francesas!
- Eu conheço.
- Ai sim? E como é que se chama esta banda?
- The Stranglers. Mas, estes, são ingleses.
- Estás a brincar!
- Não estou, não.
- Então porquê é que o gajo está a cantar em francês?
- Porque "o gajo" chama-se Jean-Jacques Burnel. Nasceu em Inglaterra, mas é filho de pais franceses.
- Não sabia, mas isto não é música comercial, nós precisamos de música que venda, estás a perceber?
- Estou. Este é o disco dos Stranglers que mais vendeu.
- A sério?
- A sério. O "La folie" é o álbum de "Golden Brown".
- Tu sabes umas coisas.
- Sei, mas isso é muito pouco, numa rádio em que há tanta gente que sabe tudo.

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Morreu Arnaldo Trindade

por Miguel Bastos, em 08.01.24

Morreu o editor Arnaldo Trindade. Lembrei-me deste texto, a propósito da sua importância na carreira de José Afonso.

zeca.jpg

[Publicado em 7 de outubro de 2021]

Um mês e meio antes do 25 de Abril, José Afonso - que já era cantor de Abril, antes de Abril acontecer - assinou este contrato. Foi só uma formalidade. O primeiro contrato - esse, sim, revolucionário - tinha sido assinado em 1968: o editor, Arnaldo Trindade, comprometia-se a pagar um salário fixo ao artista; José Afonso a gravar um disco por ano. Assinado o contrato, José Afonso gravou o disco "Cantares do Andarilho". A obra-prima (é o álbum de "Vejam bem") só não se destaca mais dos discos seguintes, porque estes variam entre o "tão bom como" e o "ainda melhor do que". José Afonso é, obviamente, um génio.
Podia (devia?) ter partilhado uma canção ou a capa de um dos seus discos. Partilho, no entanto, a imagem do contrato (está no interior de uma edição especial do "Cantares do Andarilho") porque me parece demonstrativa de uma coisa óbvia: sem meios de subsistência, José Afonso não teria conseguido criar e gravar a sua vasta obra. Para isso ter acontecido, foi necessário celebrar contratos e mobilizar meios técnicos, financeiros e artísticos. E foi por isso acontecido, que a música de José Afonso chegou até nós. Só que, entretanto, a empresa que detinha as gravações faliu, os discos esfumaram-se e ficámos privados de José Afonso.
E, agora, a boa notícia: até ao final do próximo ano, os 11 discos de José Afonso, gravados entre 1968 e 1981, vão ser reeditados. Vão ficar disponíveis nas plataformas digitais, em CD e em vinil. "O caminho faz-se caminhando" e começa (vejam bem!) com o "Andarilho". Cantemos.

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A que cheira a memória?

por Miguel Bastos, em 05.01.24

20231231_150241.jpg

Queria, desesperadamente, chegar ao fim deste livro. Porque me estava a incomodar. Nem sabia porquê. Depois, percebi. Era por causa do cheiro. O cheiro a humidade, a pó, a caruncho, a mofo, a naftalina. O livro fala de Portugal, depois de Abril, mas o cheiro é do regime anterior. Como assim? Então, e "As portas que Abril abriu"? e "O cheirinho a alecrim"? e "O dia inicial inteiro e limpo"? Porque me cheira assim?

No livro, uma jornalista portuguesa, a trabalhar nos Estados Unidos, regressa a Portugal para recontar uma das mais belas histórias do século XX: a Revolução dos Cravos. Fá-lo porque o mundo está um lugar muito feio e é preciso contar histórias bonitas ao mundo. Este ponto de partida ajuda a aumentar o desconforto. É que essa ideia, vinda de fora, não cola com a realidade, cá dentro.

A protagonista vai reencontrar o seu pai, com quem tem uma relação difícil, e vai tentar reencontrar alguns dos amigos do seu pai: são alguns dos principais heróis de Abril. Todos eles tiveram destinos diferentes. Todos nos transmitem uma tristeza sem fim. Todos nos remetem para o mesmo cheiro.

Chego, finalmente, ao fim do livro. Mas, em vez de me livrar dele, volto para trás e começo tudo de novo. No meio do cheiro (e do fumo, não tinha referido o fumo), há sinais de esperança que não tinha sentido na primeira leitura. É um livro memorável, como as personagens que lhe dão título. Tem a mestria de Lídia Jorge. E não nos facilita a vida...

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Feliz Natal

por Miguel Bastos, em 22.12.23

 

"És um vagabundo"; "És uma porca"; "Feliz Natal, cara de cu". Sim, é uma canção de Natal - cheia de raiva. Mas, também, de poesia: "Tu roubaste-me os meus sonhos, quando eu te conheci"; "Eu guardei-os comigo, querida / Eu construí os meus sonhos, à tua volta". E eu (lamechas) fico sempre de lágrimas nos olhos, nesta parte. Feliz Natal.

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