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Palma: 70 anos

por Miguel Bastos, em 04.06.20

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Em 1985, estávamos acampados a 15 quilómetros de casa. Mas era como se estivéssemos noutro continente. Vivíamos numa tenda grande, sem água nem luz. Andávamos sem relógio. Mergulhávamos no mar, em jejum. Líamos ao sol ou à lareira. Tomávamos banho ao ar livre. Ensaiávamos palavras em inglês, com estrangeiros altos e louros. A única coisa de que sentíamos falta era do Jorge Palma. "O lado errado da noite" tinha entrado lá em casa, pouco dias antes de partimos para a nossa aventura. O disco tinha-nos deixado surpreendidos, boquiabertos, maravilhados. Tinha qualquer coisa de Sérgio Godinho e de Neil Young. Era estranho e familiar, ao mesmo tempo. 

Hoje, fui surpreendido pelos 70 anos "redondos" de Jorge Palma e procurei "O lado errado da noite". Encontrei-o entre o Julio Iglesias, da minha mãe, e os Joy Division, da minha adolescência. O Jorge é um velho amigo da família. Ele não sabe, claro, mas é. Palmas.

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Jesus, Christo

por Miguel Bastos, em 03.06.20

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Christo morreu. Três dias depois, Jesus assina pela Flamengo. Ele há coincidências...

[Foto: Reuters]

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Rodrigo Leão

por Miguel Bastos, em 29.05.20

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O novo disco de Rodrigo Leão começou a acompanhar-me nos primeiros dias de confinamento e ainda preenche o ar cá de casa. Intimista e melancólico, pareceu ter sido feito para estes tempos. A sonoridade mais orquestral e de câmara, que associamos a Rodrigo Leão, deu lugar a um som mais eletrónico, onírico e ambiental. Mais 4AD (iano), se quiserem. Acho, até, que este disco ficaria bem com o selo da editora dos Cocteau Twins e dos Dead Can Dance. É um universo sonoro que tem acompanhado Rodrigo Leão, desde os tempos da Sétima Legião, e que, volta e meia, emerge na suas criações.
 
"O Método" é um belíssimo disco. Talvez combine menos com a chegada do verão e comece a ser preterido pelos novos da Capicua e dos Clã. Se assim for, não será drama nenhum. O tempo fresco há-de voltar e haverá sempre lugar para Rodrigo Leão, cá em casa.

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Ai destino

por Miguel Bastos, em 25.05.20

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Nesta novela, o personagem principal é expulso do castelo de um barão, depois de ter sido apanhado aos beijos com a filha deste. Nessa altura, o barão não sabia que iria ser morto, juntamente com o resto da família. Na verdade, não foi bem assim: porque alguns membros da família morreram mesmo; mas outros vem-se a descobrir que não. Um deles será, mesmo, morto pelo personagem principal depois de o ter reencontrado vivo. Foi, uma vez mais, uma morte que não foi definitiva, já que os dois voltam-se a encontrar quando o protagonista reencontra, também, a filha do senhor barão... também viva. A novela - que parece mexicana, mas não é - está cheia destes encontros e desencontros, em que os personagens passam de desgraçados a senhores de bem e vice-versa, em múltiplas aventuras comandadas pelo destino. A novela podia-se, mesmo, chamar-se "Ai destino" e passar na TVI. Mas chama-se "Cândido" e é uma obra-prima de Voltaire.

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Malhação

por Miguel Bastos, em 21.05.20

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Mário Frias é o novo secretário da Cultura do Brasil. O actor entrou na telenovela Malhação. Não conheço. Eu sei que Bolsonaro é um presidente todo moderno e progressista, mas não dava para convidar alguém de uma novela mais antiga? Um coronel da Gabriela ou coisa assim... 

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Desconfinamento 2.0

por Miguel Bastos, em 18.05.20

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Segunda fase de desconfinamento. Hoje, reabrem museus, cafés e restaurantes. Que angústia! Como decidir entre uma pintura moderna e um bom copo de tinto? Ó Picasso, não dá para juntar dois prazeres?

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Grande Grande É a Viagem

por Miguel Bastos, em 07.05.20

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Sirvo-me do nome de um disco de Fausto, para falar dos Kraftwerk. São territórios diferentes, mas, em ambos os casos, a ideia de viajem serviu de motor à criação musical. Os Kraftwerk abordaram as viagem de automóvel pelas autoestradas alemãs, em “Autobahn”; as viagens de comboio pela Europa, em Trans-Europe Express; as viagens de bicicleta, em “Tour de France”. Mas a carreira dos Kraftwerk é, toda ela, uma enorme viagem: das aventuras experimentais de Ralf Hütter e Florian Schneider, à consolidação dos Kraftwerk, como quarteto pop. De Radioactivity (1975) até Electric Café (1986), o quarteto transportou a música electrónica do experimentalismo erudito, para a arena pop. E isto, com temáticas pouco habituais na pop-rock - como ciência e a tecnologia - e recusando todos os clichés do género. Os Kraftwerk nunca exibiram ganga, nem cabelo comprido, nem miúdas giras.

Comecei este texto a falar de Fausto que, aparentemente, está nos antípodas musicais dos Kraftwerk. Bem, os Beach Boys também. E, no entanto, terão sido uma das principais influências do grupo alemão, que considerava que eles tinham criado a banda sonora perfeita da Califórnia, dos anos 60. Os Kraftwerk queriam fazer algo parecido, aplicado ao contexto industrial alemão. E fizeram-no. Talvez sem saberem que estavam, já, a criar uma banda sonora para o mundo inteiro. E a criar um mundo novo, como os descobridores cantados por Fausto. Florian Schneider morreu, tinha 73 anos. Fim de viagem.

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Dias de confinamento

por Miguel Bastos, em 02.05.20

Rita Redshoes e Camané juntos num vídeo, maravilhoso, sobre estes dias de confinamento. O vídeo tem muitos vídeos dentro, com janelinhas no computador da Rita, que podiam ser o nosso, ou das televisões que, por estes dias, têm uma estética semelhante. A canção, em português, é uma espécie de valsinha luminosa que lembra outras canções da Rita, mas que não ficaria mal num disco de Rodrigo Leão. A canção chama-se “Contigo é pra perder”, mas tenho para comigo que é pra ganhar.

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O Rambo da Covid

por Miguel Bastos, em 30.04.20

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A Covid-19 já matou mais norte-americanos (59 mil) do que a Guerra do Vietname. Estou convencido que, mais cedo ou mais tarde, a doença vai inspirar novas produções de Hollywood. Da minha parte, sugiro um remake de Rambo, que passaria a Rainbow - a história de um veterano de guerra que regressa de Covid-19 e que não se consegue adaptar à sociedade. Rainbow sofre de stress pós-traumático e não acredita no arco-íris que lhe deu o nome. O fim do filme já se antevê: vai ficar tudo bem. [Na foto, Rainbow coloca uma máscara cirúrgica antes de ir para a frente de batalha.]

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Dia Mundial da Dança

por Miguel Bastos, em 29.04.20

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"O meu pai trabalhava nos estaleiros de Viana do Castelo, mas eu já gostava muito de dançar. Então, os meus pais decidiram que eu devia ir para Lisboa, para seguir a minha vocação." "E que idade tinha nessa altura?", perguntei. "Tinha pouco mais de 3 anos". Cito, de memória, uma entrevista que lhe fiz, há mais de 10 anos. Olga Roriz: bailarina e coreógrafa; precoce e longeva. [Foto: Bruno Raposo/Global Imagens]

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