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Rapaz Amadeo

por Miguel Bastos, em 05.12.25

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O rapaz escreveu no livro de física "O Lima destilado a 4 ºC " e desenhou "O Lima a ser parido por uma pipeta". O rapaz não foi um mau rapaz, mas , também, não foi um grande aluno - e, entretanto, tornou-se um grande artista: Amadeo de Souza-Cardoso. A exposição "A Marginália de Amadeo” (curadoria de Samuel Silva) percorre as margens dos livros do artista e revela um talento precoce no desenho, antes de chegar à pintura. Uma exposição, fascinante, para ver no Museu Amadeo de Souza-Cardoso, em Amarante.

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Vamos às óperas!

por Miguel Bastos, em 02.12.25

DINO OPERA.jpg

“Vamos às óperas!”, costumavam dizer os músicos de Amália. Foi quando Alain Oulman começou a compor para a fadista, trazendo consigo a poesia erudita (Alexandre O’Neill, David Mourão-Ferreira, Pedro Homem de Mello) e melodias fora do fado tradicional, desenhadas ao piano. As óperas.
 
Dino D’Santiago também resolveu ir às óperas. Mas foi mais longe. Resolveu escrever uma: Adilson (com libreto de Rui Catalão e direção musical de Martim Sousa Tavares). Adilson nasceu em Angola, filho de pais cabo-verdianos, e vive em Portugal, há mais de 40 anos. Apesar disso, não tem cidadania portuguesa. Nem portuguesa, nem de nenhuma outra. Adilson é de um país chamado Portugal. O único país em que viveu, mas que teima em não o reconhecer.
 
No final, ouve-se o grito: “Eu não sou português. Eu sou Portugal. Um país à espera.” Bravo!

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E porque não?

por Miguel Bastos, em 26.11.25

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O compositor brasileiro Heitor Villa-Lobos vai estar em destaque na programação da Casa da Música, para 2026. "Porquê Villa-Lobos?", perguntei. O diretor artístico da Casa da Música devolveu-me a pergunta: "E porque não?" E, depois, defendeu que o compositor brasileiro é um dos grandes compositores dos séculos XIX e XX, mas que, infelizmente, ainda não é tão conhecido como devia. Para além da apresentação integral das "Bachianas Brasileiras" (são 9), a programação vai colocar a obra de Villa-Lobos em diálogo com outros compositores como Bach (naturalmente), mas, também, Bartók, Lopes-Graça ou Ginastera - compositores que aprofundaram a relação entre a música erudita e a música popular.

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Ornella Vanoni

por Miguel Bastos, em 23.11.25

"Conheces a Ornella Vanoni?!”, espantou-se a minha amiga italiana, “Não sabia que ela era conhecida, em Portugal!”. Respondi-lhe que, na minha geração, não era - “Eu é que sou um tipo esquisito”. Nos anos 90, tinha engraçado com um tema novo que me chegara à rádio: chamava-se “Insieme a te”. Percebia-se que a canção era nova, tinha uma produção moderna, mas a cantora tinha um charme que remetia para o passado. Entretanto, encontrei outras canções de Ornella, numas coletâneas de música italiana dos anos 60, que tínhamos lá na rádio. E, a seguir, descobri que já conhecia algumas canções, como “Senza fine” e “L'appuntamento”. Esta última é a adaptação de “Sentado à beira do caminho”, de Roberto Carlos. Finalmente, soube que Ornella gostava tanto de música brasileira, que até gravou um disco inteiro com Vinicius e Toquinho. “Senza Paura” vem desse disco. Nesta apresentação, com Fiorella Mannoia, Ornella ainda estava cheia de vida. Agora, perdeu-a, aos 91 anos.

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Bowie definitivo?

por Miguel Bastos, em 21.11.25

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Já ia na página 100, quando, finalmente, cheguei a "Space Oddity". “Restam”, pensei, “300 páginas, para os restantes 30 discos”. Pareceu-me pouco, muito pouco. Mas, ao mesmo tempo, senti que estas páginas foram necessárias para perceber como é que David se tornou Bowie. Ao contrário de outros artistas que, talvez, tenham nascido com uma queda mais natural para a música, David Bowie teve que procurar muito, observar muito, copiar muito, tentar muito, experimentar muito, falhar muito - até encontrar o seu caminho. E se, a seguir, esse caminho não foi linear, já foi por decisão própria: por razões estéticas, artísticas, pessoais. Por vezes, alguns dos caminhos escolhidos levaram-no a becos que pareciam sem saída. Mas, a verdade é que conseguir sair sempre.
 
“Starman" é uma biografia muito interessante de David Bowie. Mostra a personagem com as suas qualidades, mas também com os seus (muitos) defeitos. O livro realça, ainda, alguns paradoxos. Retenho quatro, de maior dimensão. Nos anos 70, Bowie está no auge da sua criatividade, mas vive obcecado com a ideia de sucesso. Nos anos 80, lança alguns dos seus piores discos, mas é (finalmente) uma estrela planetária. Nos anos 90, o sucesso acumulado transforma-se (finalmente)em riqueza acumulada, mas Bowie quer-se afirmar como artista alternativo. Nos anos 2000, quando parecia estar na fase mais feliz da sua vida, com o nascimento da filha do seu segundo casamento e dois discos bem sucedidos, tem um problema cardíaco que o afasta dos palcos e da vida pública. Para sempre, sabermos depois.
 
"Starman" apresenta-se como um biografia "definitiva". Não me parece que seja. Mas, não deixa de ser uma boa biografia, que me levou a ouvir, de novo, a obra de Bowie. Acabo de me aperceber, por exemplo, que "Heathen" (o penúltimo, antes do problema cardíaco) é um excelente disco. É estranho que, na altura, não me tivesse apercebido.

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Julio e o Modernismo

por Miguel Bastos, em 18.11.25

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Este é o retrato de um artista quando jovem - muito jovem - tinha, apenas, 16 anos. O artista assinou, no verso: "Júlio Pereira". Mais tarde, "encolheu" o nome e tirou-lhe o acento: Julio.
Este retrato, pré-modernista, é mostrado, pela primeira vez, na exposição "Julio e o Modernismo em Portugal", que mostra o longo percurso do artista. Um percurso que chega até ao surrealismo.
A exposição pode ser vista no Centro de Estudos Julio / Saúl Dias, em Vila do Conde - terra do artista.

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Livraria

por Miguel Bastos, em 17.11.25

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- Fogo, este tipo ainda escreve livros!
- Quem?
- Este aqui. O gajo é bué da velho!
- Não conheço.
- É professor de Constitucional do Vasco.
- Então não pode ser assim tão velho.
- É, é. É considerado um dos pais da Constituição, vê lá tu!
- E ainda tem que aturar gajos como o Vasco? Coitado!
- Podes crer. Isso devia ser proibido.
- Ya. Devia estar proibido na Constituição!
 
Confirma-se: ir à livraria é uma coisa muito chata.

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Thai Chi

por Miguel Bastos, em 14.11.25

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Foi o encore mais original de sempre. Laurie Anderson entra em palco, para uma citação budista e uma aula de Tai Chi. Lou Reed, lembra Laurie, era um fervoroso praticante daquela arte marcial. De tal forma que, na China, era mais conhecido como praticante de Tai Chi, do que como músico. A plateia sorriu, antes de acompanhar a aula de Tai Chi, de Laurie. Aos 78 anos, a artista realizou movimentos elegantes e precisos, no palco; com o público (atabalhoado) a tentar seguir os movimentos, na plateia - chocando mãos, braços e ombros.

Laurie já tinha evocado Lou, passou por "Big Science" e, até, cantou "Beautiful Red Dress": uma canção tão pop, tão pop, que, na altura, colocou a artista - geralmente acompanhada de etiquetas a dizer "avantgarde", "pós-coiso", e "ciber-cena" - a dançar na MTV. E, agora, a dançar, também, no Rivoli. Não se pense, contudo, que foi uma viagem nostálgica ao passado futurista. Laurie tem um olhar no presente - atento, empático, acutilante. Fala do avó sueco, para abordar o tema dos migrantes e dos refugiados. Fala de Nova Iorque, para dizer que as cidades são um posto avançado no combate ao nacionalismo. Fala de Trump, para falar de Mamdani. Fala do mestre budista, para dizer que é preciso estar atento ao mundo e lutar - com consciência - mas sem entrar em depressão. Isto, numa noite em que depressão Cláudia insistiu em descarregar água sobre os manifestantes. Mas estes seguiram estrada fora, serenos, depois de uma aula de Thai Chi.

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Laurie Anderson

por Miguel Bastos, em 12.11.25

laura.png 

Quando Laurie Anderson conheceu Lou Reed, estranhou que ele não tivesse pronúncia britânica. "Porque é que haveria de ter?", terá perguntado Lou. Laurie estava convencida que os Velvet Underground eram britânicos e ficou surpreendida ao saber que Lou Reed era de Nova Iorque, que vivia em Nova Iorque, e que os dois eram quase vizinhos.
 
Como se costuma dizer (em Portugal, não sei como é que é lá, em Nova Iorque!), "palavra puxa palavra e casaram". E foram felizes para sempre. Pelo menos, até Lou ter morrido. Laurie está em Portugal: hoje e amanhã, no Porto.
 

Os dois juntos, aqui: https://www.youtube.com/watch?v=t3SYR-ENPMM

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Um jovem de 80 anos

por Miguel Bastos, em 11.11.25

neil young.jpg 

Neil Young faz 80 anos e eu regresso aos anos 80. Enfeitiçado, ainda, pelo álbum "Harvest", arrisquei trazer "Rust Never Sleeps" para casa. Ouvi o lado A: lá estava o trovador folk, a voz cristalina, a guitarra acústica, a harmónica. O tom intimista continuava no lado b, mas, agora, com guitarra elétrica, baixo e bateria. Na segunda música, levantei o braço do gira-discos para soprar o lixo na agulha; na terceira, a minha irmã saiu do quarto a gritar "tira essa porcaria dos Ramones"; na quarta não tive duvidas - o disco estava sujo ou estragado. Não estava. O Neil Young é que tinha um som sujo, distorcido, que não lhe imaginara. Ainda, hoje, não é o Neil Young que eu mais gosto. Mas o certo é que, quando o Pedro veio com os Jesus and The Mary Chain debaixo do braço a dizer "aposto que nunca ouviste este tipo de guitarras, cheias de distorção", eu pude responder - com aquela arrogância que os adolescentes adoram exibir - "o Neil Young já faz isso, há montes de anos" e emprestei-lhe o "Rust Never Sleeps".
 
Ao longo da semana, na Antena 1, o João Gobern vai evocar a carreira de Neil Young. Começa, precisamente, nos anos 80 - com folk, rock, rockabilly, eletrónica, country - para alertar que Neil Young não é, apenas, um cantor folk. É um artista de variedades. Continua Young, apesar dos 80. 
 
Para ouvir, aqui:

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