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Mais ou menos

por Miguel Bastos, em 25.11.22

Gosto mais ou menos de Bruce Springsteen. Peço desculpa, mas é mesmo isso. Gosto (só!) mais ou menos, e sempre foi assim. Foi assim, quando o conheci, em 1984, a fazer concorrência no top de preferências adolescentes aos Bon Jovi, à Madonna e ao Bryan Adams. Gostava mais dele do que dos outros, mas, gostava (só!) mais ou menos. "Tens de ouvir para trás", diziam-me. Ouvi: "The River" (lindo!), "Born to Run" (Que explosão de energia!). Mais ou menos, mesmo assim. À medida que as canções iam correndo nos discos, eu ia perdendo o interesse. "Tens de ouvir o lado mais intimista". Ouvi "Nebraska" (boas letras, boas canções, boa voz). Mas, faltavam-me sempre coisas. Faltava-me um baixo pulsante e uma percussão inventiva. Faltava-me um naipe de metais, um coro de vozes negras, uma secção de cordas, uma guitarra funk. Faltava-me aquilo que Bruce Springsteen me dá no novo disco, tudo de uma só vez - que o homem tem fama de ser generoso. Gosto da versão de "Nightshift", a primeira canção que os Commodores editaram, depois da saída de Lionel Richie. É da altura de "Born in the USA" e é uma homenagem a dois mestres da soul: Jackie Wilson e Marvin Gaye. Representa bem o novo disco de Bruce Springsteen, que é (todo ele) uma homenagem aos grandes nomes da música negra. Pode não ser uma obra-prima, pode irritar alguns fãs, pode não ficar na galeria dos discos fundamentais. Mas, a mim, fez-me sorrir. E é melhor (muito melhor) que o Lionel Richie. Continuo a sorrir. Obrigado, patrão!

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Bowie 75

por Miguel Bastos, em 08.01.22

bowie.jpg

Ter dois amigos ou familiares, que não se gostam, na sala de estar, é das coisas mais embaraçosas que existem. Tendencialmente, achamos que, se a pessoa A gosta de nós e a pessoa B também, elas devem-se gostar entre si. Infelizmente, descobrimos que, muitas vezes, não é assim. E passamos a ter que convidar um ou outro, alternadamente. Passa-se o mesmo, com os nossos heróis.
No livro "Verdade tropical", Caetano Veloso escreve acerca da surpresa que teve, ao descobrir que o seu herói, João Gilberto, não gostava de Chet Baker. Confesso que também fiquei surpreendido. E, mais ainda, ao descobrir, no mesmo livro, que o meu herói, Caetano, não gostava de David Bowie. Não dá a entender, diz, preto no branco, que não gosta. Sem se importar com os meus sentimentos. Bowie também é o meu herói (com Caetano e Godinho, compõe, talvez, a minha "Santíssima Trindade"). Bowie faria, hoje, 75 anos. Hoje, vou juntá-lo, na minha sala, com Caetano. Pode ser que resulte. Nem que seja "Just for one day". Veremos.

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José Afonso

por Miguel Bastos, em 07.10.21

jose afonso.jpg

Um mês e meio antes do 25 de Abril, José Afonso - que já era cantor de Abril, antes de Abril acontecer - assinou este contrato. Foi só uma formalidade. O primeiro contrato - esse, sim, revolucionário - tinha sido assinado em 1968: o editor, Arnaldo Trindade, comprometia-se a pagar um salário fixo ao artista; José Afonso a gravar um disco por ano. Assinado o contrato, José Afonso gravou o disco "Cantares do Andarilho". A obra-prima (é o álbum de "Vejam bem") só não se destaca mais dos discos seguintes, porque estes variam entre o "tão bom como" e o "ainda melhor do que". José Afonso é, obviamente, um génio.
Podia (devia?) ter partilhado uma canção ou a capa de um dos seus discos. Partilho, no entanto, a imagem do contrato (está no interior de uma edição especial do "Cantares do Andarilho") porque me parece demonstrativa de uma coisa óbvia: sem meios de subsistência, José Afonso não teria conseguido criar e gravar a sua vasta obra. Para isso ter acontecido, foi necessário celebrar contratos e mobilizar meios técnicos, financeiros e artísticos. E foi por isso ter acontecido, que a música de José Afonso chegou até nós. Só que, entretanto, a empresa que detinha as gravações faliu, os discos esfumaram-se e ficámos privados de José Afonso.
E, agora, a boa notícia: até ao final do próximo ano, os 11 discos de José Afonso, gravados entre 1968 e 1981, vão ser reeditados. Vão ficar disponíveis nas plataformas digitais, em CD e em vinil. "O caminho faz-se caminhando" e começa (vejam bem!) com o "Andarilho". Cantemos.

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Beleza pura

por Miguel Bastos, em 23.09.21

Rita Redshoes disse, no Jornal 2 da RTP, que, durante muito tempo, ficava incomodada com o facto de evocarem, repetidamente, a sua beleza. Sentia que o seu trabalho era desvalorizado. Lena d'Água também disse que "era tão gira, que as pessoas só falavam de mim e esqueciam-se da música".

Ora, Rita é, há muito tempo, uma das compositoras, cantoras e instrumentistas mais inspiradas (e inspiradoras) em Portugal. E, sim, é linda. O que não retira nenhum valor ao seu trabalho. Pelo contrário, só acrescenta. Agora, parece-me evidente que ainda temos - todos nós - muito a aprender sobre a forma como abordamos a beleza: a nossa e a dos outros.

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Confúcio

por Miguel Bastos, em 30.06.21

confucio hanoi.jpg

- Ando com medo de viajar, pá. Até a ideia de ir ao Algarve me faz confusão.
- É natural.
- A última vez que viajei, pá, estive em Hanói. Ainda tirei uma fotografia com o Confúcio.
- Então, já foi mesmo, mesmo, há muito tempo!
- (Sorri) Com a estátua, bem entendido.
- Claro que sim, com a estátua, evidentemente.
- Sabia que foram os portugueses que traduziram as primeiras coisas do Confúcio para os ocidentais.
- Não fazia ideia. E em relação aos meus ouvidos, o que é que me diz?
- Nada de especial, pá, vou-lhe receitar aqui umas coisas.
- Muito bem.
- Mas não é caso para se preocupar, percebeu?
- A parte dos portugueses percebi. O estado dos meus ouvidos é que me deixou Confúcio
- "Deixou-me Confúcio"... eh pá, você também merecia uma estátua!

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Amor é Amar

por Miguel Bastos, em 19.01.21

carlos carmo.jpg

Há um disco do Carlos do Carmo que se chama "Mais Do Que Amor é Amar". Gosto muito do título, porque nos remete para a ação. Mais importante do que louvar o amor, um conceito necessariamente abstrato, é praticar o amor. Carlos do Carmo morreu, no início deste ano, e eu lembrei-me de partilhar a pequena história de uma entrevista que estava prevista para ser em estúdio, mas que acabou por ser feita ao telefone. Uma coisa minha, corriqueira, mas que me marcou muito e talvez fosse agradar a alguém: 200, 300, 400 pessoas, talvez. As que, habitualmente, me leem por aqui. Mas, o texto teve um impacto surpreendente: no Linkedin, por exemplo, foi lido por mais de 60 mil pessoas. Já me tinha acontecido uma ou duas vezes, nem sempre pelas melhores razões. Por exemplo, por criarem uma polémica que não procurei. Normalmente, encolho os ombros e sigo em frente. Deixo de ser dono do que publico. Desta vez, porém, fiquei, sinceramente, feliz pelo texto ter tocado muitas pessoas. Pelo Carlos do Carmo - pela sua arte, pela sua vida, pela sua voz - mas, também, por achar que se praticou o amor. E estamos tão necessitados dele.

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Era uma vez Morricone

por Miguel Bastos, em 06.07.20

Era uma vez Morricone, num texto com 4 anos.

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Não me morras Morricone!

por Miguel Bastos, em 31.01.16
 

Vi o seu nome e a sua fotografia no Sapo: “Ennio Morricone…”. Pensei de imediato: “Não me digam que ele…” e continuei a ler apressadamente “Ennio Morricone vai receber o seu Globo de Ouro em Roma”. “Ufa!”, suspirei de alívio. Morricone é velhinho: tem de 87 anos. Há gente que dura mais. Mas, muita gente dura menos.

Ennio Morricone compôs algumas das minhas bandas sonoras favoritas. A sua música  foi parceira e protagonista dos filmes de Sergio Leone. Mas também de filmes como A missãoCinema Paradiso ou Malèna. Algumas destas composições receberam a voz da nossa Dulce Pontes, num disco a meias que, mesmo sendo desigual, devia ter recebido outra atenção e estima em Portugal. Em 2009, Morricone trabalhou com Quentin Tarantino. O compositor achou que o realizador não respeitou a sua música e jurou para nunca mais. Felizmente, os dois voltaram a entender-se e o trabalho conjunto no filme "Os Oito Odiados”, que estreia esta semana em Portugal, foi premiado.

Diz-se que os génios nunca morrem. Mas, mesmo assim, gosto mais deles vivos. Por isso, não me morras Morricone!

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Charlotte Gainsbourg

por Miguel Bastos, em 05.03.20

charlote.jpg

Gosto da Charlotte Gainsbourg. Acho que é uma artista filha da mãe.

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Óscares

por Miguel Bastos, em 10.02.20

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Gosto muito da carpete, das fotos e dos vestidos. Só não percebo porque é que estão sempre a falar de filmes. É que não há pachorra!

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Rio de Janeiro

por Miguel Bastos, em 25.11.19

Ontem, tive uma experiência curiosa. Vi uma instalação video, em que nós estávamos sentados, rodeados de ecrãs que passavam as mesmas imagens do Rio de Janeiro em "loop",  horas a fio. Algumas pessoas, que estavam comigo, não gostaram. Enfim, gente que nunca passou uma manhã na Gulbenkian, nem uma tarde em Serralves. Eu, que não percebo muito de videoarte, gostei muito. E o leitão também não estava mau.  

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