Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Waldemar Bastos

por Miguel Bastos, em 10.08.20

waldemar bastos.jpg

“Existe um lado bom em pertencer a um povo que foi colonizado”, disse-me um dia Waldemar Bastos, “que é poder conhecer bem a cultura do colonizador, sem perder as raízes da sua própria cultura”. Penso sempre nesta frase de Waldemar Bastos quando sinto, à minha volta, que muitos portugueses lamentam o facto de não terem nascido americanos ou ingleses. Eu gosto de pensar que tenho sorte. Eu conheço-lhes os Doors ou os Beatles. Eles não fazem ideia de quem é José Afonso ou Sérgio Godinho. Perdem eles.
 
Conheci Waldemar, num disco dos Heróis do Mar, e nunca mais parei de o ouvir. Foi a partir de “Africaninha” que cheguei à “Velha Chica” e percebi que, afinal, a canção dos Heróis era uma espécie de sequela do tema que Waldemar cantou com Martinho da Vila (num álbum-estreia que contava com Chico Buarque). A partir daí, passei a estar atento àquele angolano de voz triste e doce. À forma como misturava a música da sua Angola, com outras músicas de África, de Portugal, do Brasil, do mundo inteiro. Mundo que passou, depois, a conhecê-lo. Sobretudo, depois de David Byrne ter editado a sua música no final dos anos 90, em plena euforia da chamada “world music”.
 
Waldemar Bastos é um artista extraordinário. Continua a ser. Morreu hoje, aos 66 anos.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Memória recente

por Miguel Bastos, em 21.01.20

governo sombra.jpg

"Acha que Isabel dos Santos pode vir a ser candidata à presidência de Angola?" / "Quem é que vai ganhar a liderança do PSD?" / "Joacine Katar Moreira tem condições para continuar no partido Livre?"

Ontem, estiver a ver o "Governo Sombra". Eu sei que mudaram para a SIC. Mas, por momentos, parecia que estava a ver a RTP Memória.
(Foto Tiago Miranda)

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

As calças de Costa

por Miguel Bastos, em 17.09.18

costa ganga.jpg

Angola. Podíamos falar da diplomacia e da economia. Da justiça e da política. Da banca e da dívida. Do petróleo e dos diamantes. Da democracia e da liberdade. Da cooperação, do poder, da construção, dos media, da emigração, das telecomunicações, da energia. 
Podíamos. Mas não podemos. Demasiado ocupados que estamos com as calças de ganga de Costa.

Autoria e outros dados (tags, etc)

A minha vida dava um filme

por Miguel Bastos, em 07.09.18

luis_costa_ribas.png

Chamou-lhe “Uma vida em Direto", mas podia ter-lhe chamado “A minha vida dava um filme". Com quase 40 anos de jornalismo, Luís Costa Ribas escreveu um livro sobre as suas aventuras no jornalismo. A partir da sua base nos Estados Unidos, esteve sempre onde devia. Lá, de onde todos saiam: fosse em Angola, em Moçambique, no Haiti ou em Israel.
 
O livro ajuda a perceber a mudança da política americana relativamente a Angola ou a Timor. As virtudes e defeitos dos Estados Unidos. As mudanças políticas internas que conduziram à eleição de Donald Trump e ao actual estado do mundo.
 
Na ânsia de querer resumir um vida cheia e, eventualmente, a não querer maçar os leitores, alguns “episódios” (como o autor lhes chama) são, apenas, enunciados. Fica um sabor a pouco. Mas percebe-se. Pensando bem, a vida de Luís não dava só um filme. Dava uma série, com várias temporadas e “episódios”. Daquelas que nos agarram que nos colam ao sofá, semanas a fio, mas que nos impedem de ler livros como este.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Lex Fizz Cheque Out

por Miguel Bastos, em 01.02.18

pop.jpg

Lex, Fizz, Cheque Out. A justiça está mais pop?

Toda a gente fala da lentidão, da transparência, da imparcialidade, do custo ...
Ninguém fala da semiótica?

Autoria e outros dados (tags, etc)

O Haiti é aqui

por Miguel Bastos, em 19.07.17

[Foto: Paulo Nuno Vicente]

jamaica 2.jpg

No livro "Barroco Tropical", José Eduardo Agualusa descreve-nos uma Luanda em decadência. O protagonista é um escritor, casado com a filha de um militar do regime. Vivem no topo de um arranha céus. Mas o prédio está inacabado. No topo, vivem os ricos. Nos andares enterrados no solo, vivem os indigentes, os traficantes, as prostitutas, os marginais. Normalmente, não se cruzam. Mas vivem debaixo do mesmo tecto. "Que alegoria tão forte", pensei. Angola deve ser isto.

 

O livro lembrou-me uma canção de Caetano Veloso e Gilberto Gil chamada "Haiti". Na altura, o Haiti tinha sido arrasado por um furação. Um dos muitos que, regularmente, assolam o país, demasiado habituado a furacões e miséria. E, perante as miséria do Brasil, a dupla canta "O Haiti é aqui". O Haiti pode ser ali, no Brasil; ou ali, em Angola. E pode ser aqui, em Portugal? Pode. 

 

A Rita Colaço foi à Jamaica. Não foi em lua de mel. Não foi em cruzeiro. Foi em reportagem. O bairro da Jamaica, fica no Seixal, às portas de Lisboa - a antiga capital do império. É um conjunto de esqueletos de betão abandonados por um construtor falido. As pessoas - sem casa, sem terra, sem emprego - foram ocupando os prédios, piso a piso. Preencheram-nos de tijolos e gente. Abaixo do solo não está gente, como no livro de Agualusa. Mas estão dejectos de gente, a corroer a saúde da gente e do prédio. As fundações estão em perigo e um dia, enquanto as entidade discutem a solução para o problema, a casa vem abaixo.    

 

Jamaika também é Portugal, diz Rita Colaço. Pois é, Rita. E "o Haiti é aqui".

Autoria e outros dados (tags, etc)


Mais sobre mim

foto do autor


Calendário

Agosto 2020

D S T Q Q S S
1
2345678
9101112131415
16171819202122
23242526272829
3031

Pesquisar

  Pesquisar no Blog

Arquivo

  1. 2020
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2019
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2018
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2017
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2016
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2015
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D