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Dissimulação russa

por Miguel Bastos, em 14.03.22

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"A 'maskirovka' (dissimulação) é uma técnica desenvolvida pelo exército russo que pode resumir-se em três palavras: engano, negação e desinformação." A invasão da Ucrânia, em 2014, e a técnica utilizada (com um grupo não identificado, formado por veteranos soviéticos, agentes russos, ucranianos pró-russos e mercenários) surpreenderam os líderes dos Estados Unidos e de vários países europeus. Angela Merkel não foi surpreendida, escreve Kati Marton, na biografia "A chanceler", que dedica um capítulo à guerra na Ucrânia. Educada (como Vladimir Putin) na fé soviética, Merkel não tinha ilusões: sabia que Putin era um antidemocrata e que estava empenhado em minar as democracias e alargar a sua influência. A Ucrânia fazia parte do plano.

A eternização de Putin no poder, foi um dos motivos pelo qual Merkel se candidatou a mais um mandato. Mas não foi o único. O nacionalismo continuava a crescer: não só na Rússia, mas também na China, no Reino Unido, na Polónia, na Hungria, na Turquia e, até, na própria Alemanha. Mais, nos Estados Unidos também - com a chegada de Donald Trump. Enquanto Putin mantinha uma guerra em lume brando, na Ucrânia, os Estados Unidos escolheram um presidente incendiário. "Sabe, a Alemanha não fez quase nada por vocês", disse Trump no primeiro encontro com Volodomyr Zelensky. Também não foi surpreendente. Trump é especialista no insulto, na fanfarronice e, sobretudo, na ignorância. No final do primeiro encontro, com Trump, na Casa Branca (em que o novo presidente americano defendeu que "A UE é pior do que a China, só que mais pequena"), Angela Merkel afirmou, aos jornalistas: "A próxima década nos dirá se aprendemos com o passado". Fez uma pausa e acrescentou: "Ou não". Já antevíamos a resposta. Agora temos a certeza. Infelizmente, é "Ou não".

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Maestrinas

por Miguel Bastos, em 10.03.22

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Com 13/14 anos, Alondra de la Parra já queria ser maestrina. Mas depois perguntava-se, a si própria, como é que isso seria possível: "Os maestros têm de ser alemães, muito velhos e de cabelo branco. Eu sou mexicana, sou uma criança e sou mulher". Bem, Alondra de la Parra é maestrina. Já não é criança (o tempo cura tudo!), mas continua a ser mulher e mexicana. A sua história passou, ontem à noite, na RTP 2, e apanhou-me a meio de outra história - a de Angela Merkel. Esta é alemã, mas essa será a única vantagem. Aliás, é só meia vantagem. Porque Angela veio da Alemanha de Leste. As restantes caraterísticas, eram semelhantes, na desadequação. Era uma mulher, no meio de homens. Era uma jovem cientista: demasiado jovem, demasiado provinciana, demasiado descuidada.
Ambas sabem que, lá fora, existe um mundo de oportunidades. E agarraram-nas. Mas, também sabem que o mundo não é justo. E, no entanto, ele move-se. Umas vezes, aproveitaram as mudanças do mundo. Outras vezes, promoveram, elas próprias, essas mudanças. Umas vezes, foram (ainda) aprendizes. Outras vezes, foram (já) feiticeiras. Maestrinas, as duas: cada uma à sua maneira.
 
Para ver o documentário: clicar na imagem.

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Auf wiedersehen

por Miguel Bastos, em 23.09.21

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Angela Merkel, símbolo da austeridade económica e financeira da União Europeia, está de saída.
Angela Merkel, símbolo do acolhimento aos refugiados contra a hesitação da União Europeia, também.
Ambas (apetece escrever "ambas as duas") vão abandonar a vida política.
Durante os seus mandatos, muitos analistas lamentaram a ausência dos grandes líderes europeus. Demoraram a perceber que, se calhar, tinham uma: ali, mesmo, debaixo do nariz.
 
[Foto: AFP]

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Almoço frugal

por Miguel Bastos, em 17.07.20

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Decisões difíceis: o que comer com este calor? Uma sopa fria? Salada? Peixe grelhado? Fruta? Com temperaturas acima dos 30 graus, apetece algo frugal. Mas, até nisso devo ser comedido. Em dia de Conselho Europeu, é de evitar qualquer conotação com países como a Áustria, a Suécia, a Dinamarca ou mesmo a Holanda - que mudou de nome, mas não mudou de opinião.[Foto: Reuters]

 

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Não é Kristalina… é turva

por Miguel Bastos, em 30.09.16

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Kristalina Georgieva pediu folga ao patrão para ir para a ONU. O patrão deu folga e, até, encorajou Kristalina… Angela Merkel apoia. Portugal espanta-se. Guterres já venceu cinco batalhas, mas arrisca-se a peder a guerra. Marcelo diz que Kristalina parece uma atleta que entra para a maratona, a 100 metros do fim. Mas lembra que Guterres é um "maratonista natural". Felizmente, Portugal tem tradição na maratona.

 

Mas anda batota no ar, lembrou-nos Freitas do Amaral - homem que percebe de ONU. Kristalina veio substituir a candidatura de Irina Bokova, a anterior búlgara de serviço, que perdeu todas as votações. Na segunda-feira, Kristalina vai ser ouvida na ONU. Não se sabe para que é que serviram as votações informais anteriores. Só se "votação informal" significar “votar, até vencer o que eu quero”.

 

Antigamente, havia a Cristalina. Uma laranjada honesta: xarope de açúcar, ácido citrico e sumo de fruta. Era uma refrefrigerante hidro-carbo-gaseificado… Não era sumo detox. Nós sabíamos isso. Era claro como a água. A candidatura de Georgieva não é Kristalina. É turva.

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