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Viver sem aprender

por Miguel Bastos, em 10.05.19

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Umas das coisas que sempre me impressionou nos filmes da Segunda Guerra Mundial é a forma como as pessoas continuam a viver: afogadas nas pequenas coisas do quotidiano, indiferentes ao nazismo - mesmo quando ele já se materializa em guerra. Até que, de repente ficam sem trabalho, sem casa, sem direitos, sem filhos, sem pais, sem vida. É sempre inquietante para nós, que já sabemos o fim da história, assistirmos ao comportamento daquela gente. No caso de Else - mulher, alemã, judia, casada com um cristão da alta burguesia - nada conseguia abalar a sua vida burguesa, boémia e frívola: com direito a festas, vestidos, espectáculos e amantes. Mesmo quando teve que abandonar a Alemanha e instalar-se na Bulgária, continuou a ter uma vida irreal: vivia numa casa com empregada, passava férias na praia. Até que o cerco apertou e ela foi perdendo tudo: uma coisa de cada vez.

 

O livro “Tu não és como as outras mães”, de Angelika Schrobsdorff, fala desta mulher (Else, a mãe da autora) que, apesar de ter abandonado a fé judaica, será sempre considerada uma judia e sofrer, na pele, as consequências da sua condição. Mas, o que achei mais chocante é que o livro não acaba com o fim da Segunda Guerra Mundial, com o habitual direito à vitória da justiça, à catarse, à felicidade. E, ao estender-se no pós-guerra, assistimos, através dos olhos de Else - mulher profundamente transformada pela guerra - à repetição dos mesmos comportamentos, da mesquinhez, dos vícios que existiam antes da guerra. Como se os seres humanos (todos nós) fossemos incapazes de aprender a viver, apenas para sobreviver.

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Em alemão

por Miguel Bastos, em 08.11.18

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Ler nunca fez mal a ninguém... Verstehen sie?

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Dentro e fora

por Miguel Bastos, em 27.03.18

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Em Portugal, dizemos que são escapadinhas. O slogan é “vá para fora, cá dentro”.

Em Espanha, as escapadinhas têm outro slogan: “vá para dentro, lá fora”.

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No estrangeiro

por Miguel Bastos, em 08.01.18

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O estrangeiro, dizia alguém, é o país onde todos gostariam de viver. "No estrangeiro", dizem uns, "paga-se menos impostos". Talvez, se esse país for os Estados Unidos. "No estrangeiro", dizem outros, "temos melhores hospitais". Talvez, na Suécia. "No estrangeiro", acrescentam outros ainda, "as mães podem ficar com as crianças, em casa, até aos três anos". É verdade, na Alemanha. É verdade, e pode ser bom. Para quem gosta. A ex-ministra Constança Urbano de Sousa, descobriu, por experiência própria, que na Alemanha não havia creches. E não gostou. Está na entrevista da Notícias Magazine, deste fim de semana.

 

Na Alemanha (esse país estrangeiro e avançado!), a maioria das mulheres casadas deixa de trabalhar quando engravida. Como em Portugal, nos anos 40. O reverso de estar em casa com filhos, nos primeiros 3 anos, é não ter creches, nem carreira profissional. Nos Estados Unidos, os impostos são baixos, mas a qualidade da saúde pública também. E se a Suécia tem saúde, na hora de pagar impostos os suecos têm todas as razões para ficarem doentes.

 

Essa é a vantagem do estrangeiro. Podemos escolher o estrangeiro que quisermos, de acordo com as conveniências de cada momento. Só há um problema: o estrangeiro não existe. Mas, é melhor.

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A afirmação da Europa?

por Miguel Bastos, em 30.05.17

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Já foi o rosto da crise da Europa. Mas, entretanto, vieram outras crises. Os refugiados: a caminho da Europa. O Reino Unido: a sair da Europa. Le Pen: a crescer, contra a Europa. A Rússia: a lançar Trump, por cima da Europa. E Trump: sem saber o que é a Europa. Merkel sabe, claro. E é, cada vez mais, a afirmação da Europa.

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Seus fascistas!

por Miguel Bastos, em 13.03.17

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O presidente da Turquia anda, por aí, a chamar nazis e fascistas aos governos europeus. Ele que, como toda a gente sabe, está a lutar para reforçar a democracia no seu país. Mas, para isso, precisa de mais poderes e está em campanha para os conquistar. E, como é um europeu convicto, a campanha não tem fronteiras. Quer fazer campanha em países estrangeiros, com ministros do seu governo, para que toda a gente possa manifestar-se, enchendo as praças das cidades dos ditadores, e votando em massa no seu grande projeto. Toda a gente. Mesmo os que emigraram para os países totalitários da União Europeia. Mas, infelizmente, os fascistas e os nazis não deixam Erdogan cumprir a sua emissão humanitária. Primeiro foi a Alemanha, agora a Holanda.

 

Talvez seja por isso, que Erdogan tenha tanta simpatia pelo Império Otomano. Se ele existisse, seria mais fácil divulgar a sua mensagem de paz, democracia e modernidade. Foi sempre assim: os impérios estão ao lado dos pobres e oprimidos. Só os fascistas é que não veem. E o pior facho é o que não quer ver!

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Já Schengen

por Miguel Bastos, em 15.09.15

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Primeiro, a Europa fez de conta que não viu. Depois, era um problema dos países do sul. Quando os refugiados chegaram, em massa, a França e à Hungria a coisa começou a mudar. Em França, os refugiados perceberam que a “Igualdade, Liberdade e Fraternidade” tem dias e que, do outro lado de Calais, não há oásis, só mau tempo no canal. Na Hungria, deram de caras com um líder político que, de urbano, só tem o nome. Orban ergueu um muro, esquecendo que já esteve do outro lado de um.

 

Cameron não se distingue muito. Como Orban, gosta de estar com um pé dentro e outro fora da Europa e lembra que o seu reino não tem espaço para Schengen. Angela Merkel tem estado sozinha e também veio dizer “já Schengen”. A poderosa Alemanha não consegue convencer os parceiros europeus a receber refugiados e também fecha as fronteiras.

 

A Europa não tem memória, nem pensamento, nem discurso, nem liderança. Tem porteiros.

 

“Já Schengen” é a resposta da Europa à Crise dos Refugiados. O último que feche a porta.

 

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Supremacia alemã, salvação americana

por Miguel Bastos, em 21.07.15

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"Não existe supremacia alemã”, afirmou o ministro das finanças alemãs. A frase está na capa do DN. A palavra “supremacia” não é dita por acaso. 70 anos depois da Segunda Guerra Mundial, a Alemanha sabe bem o peso da palavras “supremacia”. E os que têm criticado a Alemanha, também.

 

Alexis Tsipras ganhou as eleições gregas com um discurso de esperança. A Grécia estava decepcionada com a Europa, mas também com a sua classe política e, particularmente com o PASOK e a Nova Democracia. O novo líder chegou sem amarras. Mas, a primeira coisa que fez foi agitar a bandeira da supremacia alemã.

 

É claro que a Alemanha não tem ajudado a desanuviar o ambiente, nem os restantes países europeus. Daí a importância da entrevista de Schäuble, num tom francamente mais conciliatório. Não negou as diferenças (era impossível escondê-las), mas tornou-as relativas e normais.

 

Nos últimos dias, falou-se do papel de Itália e França no acordo e na manutenção do bom senso. A proposta de Hollande, de uma Europa a duas velocidades, indica que não. Já suspeitávamos, fomos salvos, uma vez mais, pelos americanos.

 

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