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Putin e Covid

por Miguel Bastos, em 13.01.24

putin-guterres-russia-un-GettyImages-1240262704.jp 

- Sabes, pai? Tu, com Covid, pareces o Putin!
- A sério! Porquê?
- Assim, sempre muito sério, sem dar abraços, nem beijinhos...
- Desculpa, filho, isto está quase a passar.
- Deve estar, porque tu nem comias connosco e agora já comes.
- Estás a ver...
- Mas sentas-te numa ponta da mesa e nós na outra. Como o Putin.
- Voltámos ao Putin...
- Posso-te pedir um favor?
- Claro, filho.
- Não invadas a Ucrânia, ok?
- Combinado, filho. Mais alguma coisa?
- Sim, passas-me os ovos?

 

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É a loucura

por Miguel Bastos, em 09.01.24

- Porque é que a nossa rádio está a passar esta música? Não faz sentido nenhum.
- Porquê?
- Música francesa! Ninguém conhece bandas francesas!
- Eu conheço.
- Ai sim? E como é que se chama esta banda?
- The Stranglers. Mas, estes, são ingleses.
- Estás a brincar!
- Não estou, não.
- Então porquê é que o gajo está a cantar em francês?
- Porque "o gajo" chama-se Jean-Jacques Burnel. Nasceu em Inglaterra, mas é filho de pais franceses.
- Não sabia, mas isto não é música comercial, nós precisamos de música que venda, estás a perceber?
- Estou. Este é o disco dos Stranglers que mais vendeu.
- A sério?
- A sério. O "La folie" é o álbum de "Golden Brown".
- Tu sabes umas coisas.
- Sei, mas isso é muito pouco, numa rádio em que há tanta gente que sabe tudo.

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Morreu Arnaldo Trindade

por Miguel Bastos, em 08.01.24

Morreu o editor Arnaldo Trindade. Lembrei-me deste texto, a propósito da sua importância na carreira de José Afonso.

zeca.jpg

[Publicado em 7 de outubro de 2021]

Um mês e meio antes do 25 de Abril, José Afonso - que já era cantor de Abril, antes de Abril acontecer - assinou este contrato. Foi só uma formalidade. O primeiro contrato - esse, sim, revolucionário - tinha sido assinado em 1968: o editor, Arnaldo Trindade, comprometia-se a pagar um salário fixo ao artista; José Afonso a gravar um disco por ano. Assinado o contrato, José Afonso gravou o disco "Cantares do Andarilho". A obra-prima (é o álbum de "Vejam bem") só não se destaca mais dos discos seguintes, porque estes variam entre o "tão bom como" e o "ainda melhor do que". José Afonso é, obviamente, um génio.
Podia (devia?) ter partilhado uma canção ou a capa de um dos seus discos. Partilho, no entanto, a imagem do contrato (está no interior de uma edição especial do "Cantares do Andarilho") porque me parece demonstrativa de uma coisa óbvia: sem meios de subsistência, José Afonso não teria conseguido criar e gravar a sua vasta obra. Para isso ter acontecido, foi necessário celebrar contratos e mobilizar meios técnicos, financeiros e artísticos. E foi por isso acontecido, que a música de José Afonso chegou até nós. Só que, entretanto, a empresa que detinha as gravações faliu, os discos esfumaram-se e ficámos privados de José Afonso.
E, agora, a boa notícia: até ao final do próximo ano, os 11 discos de José Afonso, gravados entre 1968 e 1981, vão ser reeditados. Vão ficar disponíveis nas plataformas digitais, em CD e em vinil. "O caminho faz-se caminhando" e começa (vejam bem!) com o "Andarilho". Cantemos.

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Offshorezinho

por Miguel Bastos, em 08.01.24

"Ai, queridos, estou tão triste. O meu Balsemãozinho vai-nos vender a todos!" A nossa camarada tinha todas as razões para estar triste. O último grande patrão dos media preparava-se, na altura, para vender todas as revistas do grupo Impresa. "Sabe-se lá, para quem é que vamos trabalhar..." Esse era, de facto, um grande problema. E continua a ser. Para o melhor e para o pior, sabia-se de quem eram as revistas. Quem era o "patrão". A quem é que se devia dirigir os elogios. A quem é que se podia fazer críticas, pedir responsabilidades e exigir explicações. Os grandes patrões dos media têm vindo a ser substituídos pela mão invisível do capitalismo financeiro. Sem rosto. Cada vez mais, os jornalistas, essenciais para o escrutínio da democracia, trabalham para organizações que são muito pouco escrutinadas e muito pouco escrutináveis. São fundos, que detêm empresas, que controlam outras empresas, que se dizem donos das empresas de media. O que poderão dizer, atualmente, os jornalistas com a vida em suspenso: "Ai, a minha "comparticipadazinha", com capitais de risco, vai-nos vender a todos" ou "Ai, o meu "offshorezinho" vai-me despedir"?

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