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Ó tio, ó tio

por Miguel Bastos, em 10.07.17

sobrinho simoes.jpg

Há um mês, celebrámos o 10 de Junho. Em tempos, foi o dia da raça. Já não é, e ainda bem. Sobrinho Simões começou o seu discurso, por aqui. Não temos pureza de raça - disse ele, mas somos especiais. Temos uma herança genética, que acolhe e dissemina os genes da humanidade. Porque temos genes europeus, ameríndios, africanos. Porque temos uma herança judaica e árabe. Porque navegámos, colonizámos, emigrámos. E, com isso, espalhámos genes e (até) doenças.

 

Somos especiais - disse Sobrinho Simões, no Dia de Portugal. Porque temos dado passos de gigantes: na educação, na saúde, na ciência, na inovação. Formámos novas elites. Mas, o privilégio - considera, tem de ser acompanhado de responsabilidade. Temos que ser exemplares, de cima para baixo.

 

Uma semana depois do discurso do médico, professor, investigador e patologista, começaram os fogos em Pedrógão Grande. Fiquei a pensar em Sobrinho. É preciso ouvir Sobrinho, neste país em que andamos sempre “ó tio, ó tio”.

 

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Chatear o Camões

por Miguel Bastos, em 09.06.15

camoes vilar.jpg

O dia 10 de Junho é Dia de Portugal. E de Camões. Ah, e das Comunidades Portuguesas. Porque é que em Portugal complicamos tudo? Um feriado que comemora Portugal, Camões e as Comunidades Portuguesas; comemora tudo, em geral, e nada, em particular. Parece que nasce de uma indecisão: “Então o que é que vamos comemorar Portugal ou Camões?”; “Não sei, o melhor é comemorar os dois”.

 

Um feriado para celebrar Camões terá sido ideia dos republicanos. Camões representava a glória de Portugal. Salazar, que adorava evocar as grandes figuras, manteve as comemorações. Mais tarde, juntou-lhe Portugal e a sua Raça, que se espalhava do Minho até Timor. Quando essa Raça começou a ser questionada, estoirou a guerra colonial e passou-se a evocar, também, as Forças Armadas.

 

Depois do 25 de Abril, a "Raça" foi substituída pelas “Comunidades”. Mas, o tipo de comemorações não mudou. Devia ser uma festa dos portugueses, mas a maioria não dá por nada. Restam os que discursam; os que desfilam na parada; os que recebem honrarias; os que analisam o discurso do Presidente da República e os que andam a chatear o Camões.

 

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