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Depois da pandemia

por Miguel Bastos, em 06.05.22

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"Ai, a gente já não pode ouvir falar da guerra!" A Dona Madalena leva a mão direita ao coração. Na esquerda, leva o saco das compras. "Só de pensar naquela gente toda a sofrer." Faço que sim, com a cabeça. "Já viu, havia de nos calhar isto, depois da pandemia". Ainda abro a boca para dizer "Depois da pandemia, que é como que diz". Na verdade, os números da Covid estão a subir, só que se fala menos do assunto. E a Síria não está melhor. Nem o Iémen, nem o Afeganistão, nem o norte de Moçambique. A crise climática continua e os plásticos continuam a acumular-se nos oceanos. A fome não acabou em África. É, por isso, que cada Miss Mundo, continua a desejar a paz e a dizer que não gosta da inveja e da mentira. Podia ter dito isto tudo à Dona Madalena, mas o peso que carrega no peito e no saco das compras já me parece demasiado.

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A confiança

por Miguel Bastos, em 07.12.21

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A pandemia aumentou a confiança dos portugueses na ciência e nos profissionais de saúde, refere um estudo da Universidade do Porto, que indica que a população passou a confiar menos nos políticos e nos jornalistas. Espero não ser corporativista, mas fui ver os alinhamentos dos noticiários que referiam o estudo. Eis alguns exemplos:
 
- o governo português garante que está tudo a postos para vacinar os menores
 
- o segundo voo de repatriamento de portugueses, vindo de Moçambique, chegou a Lisboa
 
- a vacinação obrigatória está em discussão, em vários países
 
Claro que podemos (e devemos) discutir as medidas de combate à pandemia, a sua aplicação e fiscalização ou o tempo de decisão. Mas temo que a generalidade das pessoas tenha ficado com a ideia que "os políticos" andam a discutir as vacinas e os confinamentos, enquanto os médicos andam a trabalhar, o que, manifestamente não é verdade. Não são os médicos que compram vacinas, que abrem centros de vacinação, que fecham escolas. Já têm trabalho que chegue.
 
Evidentemente, há muitos casos em que os políticos falham. A nova variante, por exemplo, veio por a nu uma evidência: África continua arredada do processo de vacinação e, enquanto for assim, não será possível controlar a pandemia. E quem é que denúncia isto? Os médicos e cientistas, mas, também, as Nações Unidas, dos... políticos.
 
E, já agora, como é que isto tudo se sabe? Parece que os jornalistas disseram qualquer coisa sobre o assunto. Os mesmos jornalistas que perdem a confiança das pessoas, por causa de fenómenos como a "desinformação" e as chamadas "'fake news'", que são o oposto do jornalismo.
 
O mundo está confuso e as pessoas têm todo o direito de andarem atentas e desconfiadas. Mas, gritar por gritar, disparar em todas as direções ou deitar tudo para o mesmo caixote do lixo, só vai piorar as coisas.

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Nobel da literatura

por Miguel Bastos, em 07.10.21

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Abdulrazak Gurnah ganhou o Nobel da literatura. Subitamente, a internet encheu-se de imagens de Kofi Annan. Não percebi porquê. Ou então... Ei, espera aí...

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Caridade

por Miguel Bastos, em 15.04.21

A Dinamarca prepara-se para oferecer as vacinas da AstraZeneca aos países pobres. Querem fazer um dois em um: evitar tromboses e mostrar que têm bom coração. Lembrei-me duma canção de José Barata-Moura tão atual, que lembra a solidariedade mais antiga do mundo: a caridadezinha.

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Cabo Delgado

por Miguel Bastos, em 01.03.21

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Cabo Delgado tem estado longe das "gordas" dos jornais, da rádio e da televisão. Este trabalho, do enviado especial da Antena 1, Nuno Amaral, é uma ajuda importante para quebrar um silêncio que incomoda. A rádio - aquela que interessa e que importa - está aqui e agora, sempre; e no fim do mundo, quando é preciso. Ao fim e ao cabo, a rádio está onde deve estar: Cabo Delgado.

Pode ouvir aqui:

https://www.rtp.pt/noticias/mundo/cabo-delgado-numero-de-deslocados-continua-a-aumentar_a1300813

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Zuma na Caneca

por Miguel Bastos, em 14.02.18

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O Presidente da África do Sul renuncia ao cargo. Jacob Zuma antecipa-se, assim, à moção de censura do seu partido: o ANC, do histórico Nelson Mandela. Catrapumba. 

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Manipulações...

por Miguel Bastos, em 27.10.17

"Houve atores políticos que procuraram manipular as populações, ao serviço dos seus interesses. E, infelizmente, tiveram êxito." António Guterres falou. Não foi sobre a Catalunha. Foi sobre a República Centro Africana.

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É o raça

por Miguel Bastos, em 12.07.17

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Lá em casa, tivemos sempre  problemas com o "raça". Assim mesmo, com artigo masculino. Perante a minha irrequietude, a minha mãe dizia: "o raça do rapaz não pára quieto". Ou "o raça do rapaz nunca está calado". O "raça", portanto. O "raça", dizem os dicionários mais nobres, é uma expressão popular para exprimir descontentamento, irritação, contrariedade.

 

Lá em casa, o "raça" da torneira não funcionava, apesar dos esforços do meu pai. O "raça" do vizinho estacionava a camioneta à nossa porta. E o "raça" do forno queimava o assado de domingo. O "raça" levava sempre com a culpas. A raça também.

 

No livro "Brasil: Uma biografia", as historiadoras Lilia Moritz Schwarcz e Heloisa Murgel Starling contam-nos que, no século XIX, o "raça" dos brasileiros estavam preocupados com a raça. Para "purificarem" a raça brasileira, "ameaçada" pela sobrevivência dos índios e pela proliferação dos negros, os brasileiros queriam importar pessoas brancas e louras da Europa. Que "raça" de ideia!

 

Na Bósnia dos anos de 1990, a coisa foi mais difícil. Sem negros, nem índios, era preciso distinguir o "raça" de um eslavo do sul, do "raça" de outro eslavo do sul. Neste caso, a religião, explica Tim Butcher no livro "O Gatilho", serviu para dividir o que Deus uniu. E, depois de divididos, foi o "raça". Chamaram "limpeza étnica" à matança mais suja, levada a cabo na Europa, depois da Segunda Guerra Mundial.

 

"Raça" é isto: na Cova da Moura ou na cidade de Mossul. E é o raça.  

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África minha

por Miguel Bastos, em 29.07.15

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A visita de Barack Obama ao Quénia tem um grande simbolismo. O presidente americano é (sempre) o político mais importante do mundo. Mas este, não é branco, forte, alto e louro. É filho de um queniano. É um negro amarelado, magricelas e com orelhas grandes (como ele se descreveu). Além disso, tem um nome esquisito, que inclui “Hussein”, como Saddam. Pior, é difícil.

 

Mas Obama ganhou as eleições, uma e outra vez. E, agora, voltou ao Quénia. Desta vez, na qualidade de presidente. Abraçou a meia-irmã Auma Obama; falou de corrupção e de direitos humanos; condenou a descriminação dos homossexuais e das mulheres. Referiu que “não há nenhuma desculpa para justificar a agressão sexual ou a violência doméstica”, nem “nenhuma razão” para a “mutilação genital”. Outro presidente americano podia ter dito isto. Mas foi Obama, que disse ainda “Sinto-me orgulhoso de ser o primeiro Presidente norte-americano a visitar o Quénia e, claro, por ser o primeiro Presidente queniano-americano a chegar a Presidente dos Estados Unidos da América”. E, dito assim, dito por quem é, tem um enorme significado. Não é um americano a ensinar a missa ao padre. É um dos nossos.

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