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Pedrógão, na minha cabeça

por Miguel Bastos, em 19.06.17

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Final de uma tarde de verão. Pedrógão Grande estava pronta para ouvir música. Senhores e senhoras, com alguma idade, aguardavam. Era sábado. Os trajes eram domingueiros. Havia curiosidade e entusiasmo no ar. A música começou… e começou mal. No final do primeiro andamento, o entusiasmo converteu-se em palmas. O maestro, que já tinha feito gestos e olhares de censura, parou a Sinfonia de Câmara, de Shostacovitch. A obra, explicou, foi inspirada no bombardeamento de Dresden e dedicada às vítimas da guerra e do fascismo. Dresden foi uma das cidades mais fustigadas pela guerra. A música é triste e soturna. Não podia ser diferente. Fala de morte, desespero e destruição. Não combina com palmas, no meio dos andamentos.

 

Explicada a obra, o maestro pediu silêncio e prometeu divertimentos de Mozart, na segunda parte. O público acatou com dignidade e silêncio e a orquestra tocou como nunca. Na minha cabeça, Pedrógão Grande passou a ser a terra dos que sabia ouvir e homenagear, com dignidade, as vítima da destruição. Saibamos, nós, fazer o mesmo.

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