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Lembro-me que ouvi o disco, apenas para confirmar que não gostava. As rádios que eu não gostava, as discotecas que eu não gostava, as lojas que eu não gostava, as pessoas que tinham gostos que eu não gostava, andavam todas doidas com o Juan Luis Guerra e as suas "Burbujas de amor". Peguei no disco, para não gostar, e... gostei. Primeiro, gostei mais ou menos. Depois, gostei mais e mais. Juan Luis Guerra já era o rei da bachata (estilo que não conhecia), que misturava com merengue, salsa, rumba, bolero e alguma pop internacional. Misturava canções de amor, com política e intervenção social, sempre com uma alegria contagiante. É um dos artistas latinos mais populares das últimas décadas. Em Portugal, contudo, foi apenas um êxito de verão. (Re)encontro, por acaso, esta "Rosalía" e fico encantado. Faz parte de um concerto gravado há 15 dias, para a cadeia de televisão HBO: sem público, "Entre o mar e as palmeiras", na sua República Dominicana natal. Juan Luis Guerra diz que tocaram, como se houvesse público presente. Olho para o contador do "Youtube": reparo que mais de 3 milhões de pessoas estão presentes, para partilharem o gozo dos músicos. E reparo que, ainda, sei a "Rosalía" de cor. Agora, vou cantar. Depois, voltarei a ser "cool".
Ele há musicas e interpretes que tem o condão de nos transportar para outra dimensão e acicatar recordações que julgávamos esquecidas no baú da memória…
Ouvir Juan Luis Guerra é passar 7 dias em Havana, beber um copo com Benicio del Toro na Bodeguita del Medio e encontrar Robert Redford e Sydney Pollack no Tropicana Club..
Mas é também, estranhamente, voltar ao largo do Conde Barão, á sala do Casa Pia, ás noites longas, do Zé da Guiné, onde misturado com a malta cool daquele tempo, tentava disfarçar as “burbujas” da acne juvenil.
Da mesma forma que os Dexys Midnight Runners eram os corredores da meia-noite e curiosamente atuaram em Portugal, em Setembro de 1981, na Festa do Avante.