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Cidade fantasma 

por Miguel Bastos, em 16.04.15

Na minha cidade havia uma praça, onde se encontravam vários serviços e instituições: a câmara municipal, a biblioteca, o posto de turismo, as finanças. Primeiro, a biblioteca foi para um edifício recuperado, mais arejado, e ninguém reclamou. Depois foi o posto de turismo, também para um edifício recuperado, e toda a gente gostou. As finanças mudaram-se para um rés do chão de um prédio, numa zona nova da cidade, e ninguém contestou. Finalmente, a câmara mudou-se para outro edifício, usando o antigo apenas para actos oficiais. Ninguém estranhou. À volta, esvaziaram-se lojas, cafés e restaurantes.

 

Um dia, o presidente da Câmara olhou à volta e comentou com os jornalistas que a praça estava muito vazia (A sério? Só agora é que reparou? E de quem será a culpa?) e que era preciso fazer alguma coisa (E quem é que vai fazer, os mesmos que a abandonaram?).

 

Esta história, contada assim, parece uma fábula. Mas é um retrato do que se tem passado, em Portugal, nas últimas décadas. Primeiro, abandonam-se as cidades à sua sorte. Depois, inventam-se programas para as repovoar, como o Polis. Com isto, perde-se tempo e dinheiro, mas, sobretudo, qualquer noção de Pólis.

 

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3 comentários

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De Alugarcarrosbaratos.pt a 20.04.2015 às 09:24

Pois tem toda a razão. Os centros das cidades estão cada vez menos utilizados, todos os serviços vão sendo retirados pouco a pouco e quando se dá por ela (ao fim de muito tempo como diz o Sr Presidente) é que querem voltar a requalificar.

realmente é uma falta de visão. Mesmo na minha cidade acontece isso. Está na fase de a Câmara já mudou de sitio e está agora só alguns serviços a funcionar.

Já vi uma noticia em algum lado que vão remover os centros de turismo para colocar nas Câmaras, mais uma remoção e os centros ficarem desertos
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De Miguel Bastos a 20.04.2015 às 12:30

Bom dia e obrigado pelo seu comentário.

Acho que a melhor forma de combater a desertificação é lutar para que as pessoas fiquem nos centros, e, sobretudo, não contribuir para o seu abandono.

Infelizmente, a política tem sido mais o “deixa andar” e depois ficar admirado com os resultados.

Um abraço,

Miguel
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De Ideias e Baleias a 24.07.2015 às 03:53

O retirar serviços pouco a pouco até não restar nada é uma variante da cozedura do sapo, mencionado aqui: http://ideiasebaleias2.blogs.sapo.pt/ainda-sobre-o-sapo-81797

No seu exemplo ninguém se importava muito com cada mudança e deixavam-se ficar. Mas no fim, é que notaram. Quando era tarde demais.

A isto chama-se falta de visão.
Falta de visão integrada de quem gere as instituições públicas.
Falta de visão do público que não vê até ser demasiado evidente.

E agora o que se decidiu fazer em relação à área vazia?

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