Deviam ter-me ouvido a cantar Supertramp. Toda a gente dizia que eu era um espetáculo. Os meus irmãos adoravam o meu “swing” e os meus agudos. Sim, a minha especialidade era imitar o que cantava fininho. Nem precisava de fazer falsete. Bastava-me ter seis, sete, oito anos. Também não era preciso saber a letra. Pelo menos, não foi - até os meus irmãos começarem a aprender inglês. Nessa altura, tudo mudou. Passaram a gozar com a língua que eu inventei para o “Logical Song” e o “Breakfast in America”. A minha carreira acabou por ignorância. Ignorância deles, claro, longe que estavam da poesia fonética, da poesia concreta, do esperanto. Coitados!
Continuo a ouvir Supertramp, mas, agora, sou um não praticante. O meu inglês melhorou um bocadinho, é certo, mas sinto-me incapaz de imitar o tipo que cantava fininho. O outro, talvez dê: o da voz grossa, o que morreu. Rick Davies tinha 81 anos. Eu gostava de ter 8 e de cantar com ele. Saio, de fininho.