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Eurovisão

por Miguel Bastos, em 13.05.18

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Obrigado Salvador: por nos mostrares que o mundo pode ser melhor.

Obrigado Eurovisão: por nos mostrares que o mundo é o que é.

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Carolina Dislates 

por Miguel Bastos, em 11.05.18

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A Carolina não me interessa. Entrou no Ídolos. Cantou com o filho do Tony Carreira. Lançou um disco meias tintas, em português. E um disco a-armar-ao-pingarelho, em inglês. A Carolina escarrapacha a sua vida no Facebook e põe fotos intimas no Instagram. E tem muito seguidores. E é assunto: nas páginas da imprensa cor-de-rosa e nos programas rosa choque da televisão. Provoca críticas e responde às críticas. A Carolina tem umas tatuagens esquisitas. E exibe sardas e óculos e estrias e celulite e filhos. A Carolina diz e faz dislates.

 

Mas, a Carolina é "três mulher numa só", como na canção do Godinho, "ar de menina, sapiência de avó". Carolina usou a sua vida para criar um disco terno, intimista, simples e sofisticado. Fala de amor, dos filhos, da família. Chama-se "Casa" e é uma maravilha. Carolina tem talento, muito talento. Canta bem (isso eu já sabia); escreve boas letras e excelentes melodias; tem arranjos maravilhosos e uma produção irrepreensível. Faz uma bela dupla com Diogo Clemente. 

 

"Casa" é das melhores coisas que ouvi nos últimos tempos. E, afinal, quem diz dislates sou eu. 

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Oprah

por Miguel Bastos, em 08.01.18

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Oprah poderá ser candidata à Casa Branca. Em 2020, a escolha será entre o talk show e o reality show. Vai-se votar com o comando. 

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Debate Rio/Santana

por Miguel Bastos, em 05.01.18

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Gostei do debate entre Rio e Santana. Mas, em termos de programação, fazia mais sentido na RTP Memória.

 

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Pedro Rolo Duarte

por Miguel Bastos, em 27.11.17

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Há cerca de 4 anos, eu andava muito ocupado. A minha tarefa era simples, mas de extrema importância: sobreviver. Uma doença súbita, deixou-me perto da morte. E eu não estava com vontade nenhuma que tal viesse a acontecer. Uns meses mais tarde, encontrei, num restaurante, uma das médicas que impediu a minha morte. Cumprimentei-a. Ela respondeu e sorriu. Trocámos meia dúzia de palavras. Até que ela me perguntou: “Desculpe, de onde é que nos conhecemos?” Respondi que nos conhecíamos do hospital. E que tentámos, os dois, salvar a minha vida. Com sucesso, como dava para ver. Voltou a sorrir e despedimo-nos.

 

Fiquei a pensar como é que possível os médicos fazerem tanto por uma pessoa que, passado poucos meses, já nem sequer reconhecem. Para mim, aquela médica estava associada à minha vida. Para ela, eu tinha sido um doente, uma vida. Assim, em abstrato.

 

E a vida, também, é isto. Estamos ligados a pessoas, que não conhecemos, verdadeiramente; algumas, nem sequer nos reconhecem; mas que, para nós, são da maior importância. Importância que elas desconhecem. Pensei nisto tudo, ao receber a notícia da morte do Pedro Rolo Duarte.

 

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O fim do fogo

por Miguel Bastos, em 18.10.17

E pronto, está tudo bem quando acaba em bem. O CDS censura. O PR demite. A ministra sai. Costa aceita. Passos acusa. A TV aplaude. E o país recolhe às cortes. De onde nunca se viram árvores. Muito menos, florestas.

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Parece que é bruxo!

por Miguel Bastos, em 06.07.17

Gosto de ver ex-ministros, ex-jogadores, ex-jornalistas, ex- treinadores, ex-deputados, ex-gestores, ex-advogados, a discutir bruxaria. Uma pessoa pensa que estão no fim da carreira, mas, afinal, eles conseguem ir mais Além.

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O Salvador da Canção

por Miguel Bastos, em 21.02.17

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Tinha pensado em escrever sobre o Festival da Canção. Mas mudei de ideias, por causa do Salvador. Dizia ele que, talvez, as pessoas também gostem de alguma calma, de algum espaço. Algumas das canções da primeira eliminatória do Festival sofrem do problema de costume: muita orquestração supérflua, muito gente a cantar alto, muita pompa sem circunstância. O Festival, pensa-se, é um espetáculo de luz e cor. E, portanto, quanto mais, melhor. E depois, chega o Salvador - o mano da Luísa: desajeitado, desalinhado, desajustado. E passa a eliminatória, porque canta bem, e tem uma boa canção.

 

Toda a gente tem uma ideia sobre como é que devia ser o Festival : mas nenhuma é igual à do vizinho. Uns acham que deve ser moderno; outros acham que deve respeitar a tradição. Uns acham que importa ter “grandes vozes”; outros acham que o que importa é a canção.

 

Talvez Salvador não tenha opinião. Ficamos com a ideia que não. Ele só quer cantar uma boa música. E, com isso, salvou o Festival.

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Radio Ga Ga

por Miguel Bastos, em 13.02.17

É um dos maiores sucessos dos Queen. “Radio Ga Ga” fala da rádio: da forma como foi perdendo influência para a televisão, e, mais tarde, para a MTV - a televisão dos telediscos, que colocou a música num lugar secundário. Os Buggles já tinham avisado: “Video killed the Radio Star”. Mas foi manifesto exagero. Não morreu ninguém. A televisão dos vídeos é que anda a passar mal. Coitada!

 

Mas, Radio Ga Ga, é também uma critica à rádio. Porque foi perdendo a vontade de arriscar, de inovar. Foi perdendo diversidade e ousadia. Foi-se formatando até se tornar uma caricatura, de qualidade duvidosa. A rádio é, como diz a canção, “Ga Ga”, “Gu Gu”, “Blah Blah": para criaturas que ainda não dominam a oralidade. Curiosamente, a rádio adorou o tema. E “Radio Ga Ga” passa, abundantemente, no tipo de rádio que a canção critica.

 

“Radio Ga Ga” com o seu vídeo com imagens do filme “Metropolis”, de Fritz Lang; com referencias à Guerra dos Mundos de H.G Wells, levada para a rádio por Orson Welles; com um refrão orelhudo; com 72 mil pessoas a cantar e a bater palmas, em uníssono, no Live Aid; tornou-se um dos maiores sucessos dos Queen. Apetece ouvi-la, no Dia da Rádio.

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Trabalhar nas Óperas

por Miguel Bastos, em 03.02.17

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Comecemos pelo estereótipo: a ópera é uma música cantada por pessoas com excesso de peso e de voz. As vozes são demasiado grossas ou demasiado estridentes. As histórias ou andam à volta de amores impossíveis e crimes passionais; ou guerras entre famílias ricas ou deuses gregos. As letras são em italiano ou alemão. E cantarem uma palavra, estendendo-a durante dois minutos, também não ajuda. Cheira a mofo. É de outro tempo.

 

E, no entanto, a ópera mexe-se.

 

A RTP2 tem estado a transmitir "Isto é ópera", de Ramon Gener. No último programa, Gener falou de Händel, o alemão que introduziu a ópera em Inglaterra. O apresentador (que é cantor e pianista) passeia-se por Londres, vai a lojas de bugigangas, anda de metro, ao som de pop, rock e jazz. Mostra a casa de Händel, encostada à casa de Jimi Hendrix. Vai ao West End, para contar que foi Händel que antecipou os musicais. Explica, com a ajuda de uma navalha e uma noz, como se castravam os cantores. Põe as pessoas a ouvir música clássica, de auscultadores, no meio da rua. E é assim, que as pessoas descobrem que Händel é o autor da música da coroação britânica ou do hino da liga dos campeões. 

 

E, finalmente, Ramon sorri. Sorri muito. Fazendo da divulgação da música, um exercício de paixão e alegria. Tudo aquilo que não associamos à ópera. Trabalha nas óperas, no duro, porque sabe que nós somos uns preguiçosos. Mas com um coração, pronto a ser seduzido.

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