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Banco PCP

por Miguel Bastos, em 21.07.17

O PCP chumbou o banco de terras. Muita gente ficou surpreendida. Não sei porquê. O PCP a votar contra um banco não é, propriamente, uma novidade.

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Limpar armas

por Miguel Bastos, em 23.06.17

Fogos. Em tempo de guerra, não se limpam armas. Agora, com a guerra em rescaldo, talvez já seja. Mas, limpar armas é diferente de afiar facas.

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Soares é Fixe!

por Miguel Bastos, em 07.01.17

soares freitas.jpg

Foi uma grande campanha eleitoral: Soares contra Freitas, nas Presidenciais de 1986. Freitas fez uma campanha à americana: jovem, moderna, com um slogan irresistível, com a sua mulher bonita ao lado. A malta do liceu andava muito excitada com o Freitas. Eu também estava fascinado com o antigo líder do CDS: os cartazes, os autocolantes, as bandeiras. "Prá frente portugal?" Claro que sim!

Mas, depois, a minha irmã chegou a casa, toda "Soares é Fixe!", com uns autocolantes que faziam lembrar o "Nuclear não, obrigado!", e o meu coração vacilou. Eu achava que o "bochechas" estava velho. Mas a minha irmã dizia que não, que o outro era mais novo mas tinha ideias velhas. Freitas, dizia ela, era um reaccionário de direita e só os fascistas é que gostavam dele. Além do slogan, a música de apoio a Soares do Rui Veloso também era fixe, e o MASP (Movimento de Apoio Soares à Presidência) crescia de dia para dia, com o apoio de gente fixe. Depois, os comunistas taparam a cara de Soares; Soares ganhou; Freitas perdeu mais do que seria admissível e a política foi ficando mais tecnocrática e cinzenta. Cavaco teve culpas no cartório. Soares, o rei-republicano, também. E nunca mais houve uma campanha, como a de 1986.

Mas, sim, Soares foi (mesmo) fixe.

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E o burro sou eu?

por Miguel Bastos, em 06.11.16

burro ferrari.jpg

O PSD teve a ideia de reeditar a corrida entre um burro e um Ferrari. A ideia original, recorde-se, foi de António Costa, há mais de 20 anos. Na altura, Costa era candidato à Câmara de Loures. Recordo os resultados: ganhou o burro, perdeu António Costa. Desta vez a corrida, não avançou. Porque não se deve brincar com um primeiro-ministro? Porque o Ferrari gasta muito e faz mal ao ambiente? Porque não precisamos de mais carros na Calçada de Carriche?

 

As perguntas são minhas e são idiotas. Foram inspiradas nas respostas que inviabilizaram a corrida. Parece que não havia autorização das associações de defesa dos animais e das entidades sanitárias. Afinal, estava a em causa a saúde pública, porque descobriu-se que os burros fazem cocó… e a dignidade do animal, forçado a um grande esforço… E deviam ter sido pedidos licenciamentos, para isto e para aquilo. Perante as objeções, o PSD desistiu. Não percebi quem ganhou. Perderam todos? O burro sou eu?

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A Geringonça vai andando…

por Miguel Bastos, em 14.04.16

geringonça.jpg

Toda a gente estava de olhos postos na Geringonça. “Não vai funcionar”; “Vai cair”; “Vai explodir”, etc. Não caiu. Até Passos Coelho admitiu que se enganou, quanto à Geringonça. Por estes dias, o governo teve graves problemas de funcionamento. Toda a gente estava de olhos postos na Geringonça. Mas o problema foi nos órgãos internos.

 

O Ministro da Cultura ameaçou dar bofetadas a dois colunistas e acabou na rua. Um dos colunistas, foi homem que inventou o termo Geringonça. Ele tem esse poder. Há ainda problemas com os militares, que, por sua vez, ainda têm problemas com os homossexuais. E, finalmente, um secretário de estado saiu do governo. O governo disse que foi por razões pessoais. O secretário de estado respondeu que não. Foi por divergências políticas.

 

Entretanto, a Geringonça continua a funcionar. As peças vão sendo substituídas, a oposição finge que se espanta e indigna, os militares fazem barulho, o mundo anda aos papéis. O mundo não pula nem avança. É como a Geringonça. Vai andando…

 

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Ajuste das contas

por Miguel Bastos, em 16.03.16

orcamento 2016.jpg

O PSD acha que as coisas vão de mal a pior… O PS acha que está na altura do PSD mudar de atitude. Toda a esquerda criticou a atitude do PSD. Até, dizem, o CDS já mudou. De atitude e não só, digo eu. O CDS já tinha falado da geringonça. O PS fala, agora, da caranguejola. O Presidente do PS tenta a metáfora. Vamos ver se cola.

 

O PS quer que o PSD tenha uma atitude construtiva. O PSD responde que a responsabilidade está do lado do governo. O PSD acha que, sem o apoio da esquerda, o PS deve-se demitir. O PS responde que o PSD é que se demitiu. O PSD diz que a esquerda perdeu as eleições. A esquerda diz que acabou o autoritarismo da maioria de direita.

 

O jogo de ping pong distrai-nos da renegociação da dívida e das críticas à submissão ao euro, ao pacto de estabilidade, ao tratado orçamental feitas pela esquerda da esquerda. Ou do enorme aumento de impostos e da austeridade, referido pela direita da direita.

 

Contas feitas… as contas do orçamento foram aprovadas. Mas falta, ainda, o ajuste de contas. Não vai ser para já… Já agora, quem conta as contas acrescenta-lhe umas pontas…

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Arnaldo e as meretrizes

por Miguel Bastos, em 19.10.15

arnaldo matos.jpg

O camarada Arnaldo resolveu insultar a “Frente de Esquerda”. Eu não repito o insulto, por pudor. Lembrei-me, então, de citar Mário Zambujal, na Crónica dos Bons Malandros:

 

“Profissão?”

(…)

“Putas…”

(…)

“Meretrizes, queria a senhora dizer…”

“Pois sim, senhor subchefe, também pode ser isso. Meretrizes.”

 

O camarada Arnaldo porta-se como um chefe de polícia “em cruzada contra o pecado”, mas com o vocabulário das profissionais do sexo. Chama “revisionista e social-fascista” a Jerónimo de Sousa; “canalha”, aos dirigentes do PCP; “meninas oportunistas” às dirigentes do Bloco “dito de Esquerda”; concluindo que “Isto é tudo um putedo!”. É extraordinário.

 

Ficámos com a ideia que, para os senhores maoístas, só há gente decente no PCTP/MRPP. Mas nem isso. O partido do “Morte aos Traidores” já suspendeu Garcia Pereira e outros três dirigente do partido por “incompetência, oportunismo e anti-comunismo primário”. E até fala em “autocrítica”, um termo maoísta que nunca deu saúde a nenhum senhor chinês.

 

Regresso a Mário Zambujal, que é um senhor de idade, com mais humor e inteligência. Na sua “Crónica dos Bons Malandro”, Arnaldo é descrito como um “brigão de mil vitórias”. O que dirá Zambujal deste Arnaldo?

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Os últimos são os primeiros?

por Miguel Bastos, em 12.10.15

antonio costa2.jpg

“Os últimos são os primeiros” é uma frase que me lembra a infância. Quando um meninos perdiam uma corrida ou um jogo de futebol, havia sempre uma mãe, ou um filho da mamã, que dizia “os últimos são os primeiros”. Só diziam depois de perderem, o que me deixava irritado.

 

Nunca pensei que a nossa esquerda recorresse à frase “os últimos são os primeiros”. Mas anda, há uma semana, a ver se cola. Tenho achado que é bluff. Mas, à medida que os dias passam e o PS se agita, perco as certezas.

 

Caso não se tenham apercebido, a coligação de direita ganhou as eleições. Perdeu votos, mas ganhou as eleições. Parte dos votos estão no PS e não são de esquerda. Portanto, a “maioria de esquerda" é uma ficção como outra qualquer.

 

Nunca gostei do conceito de “arco da governação”, que sempre excluiu o PCP e agora o Bloco. Não me choca nada que o PS possa governar, com a ajuda de outros partidos de esquerda. Mas, para isso, convém ganhar. Ganhar mesmo. Fazer bluff tem riscos, mas é legítimo. Fazer batota, não. Os últimos não são os primeiros e ninguém gosta de filhos da mamã.

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Cavaco e a maioria

por Miguel Bastos, em 23.07.15

cavaco eleicoes.jpeg

Cavaco Silva já fixou a data das eleições: 4 de Outubro. Uma boa data, já que deixámos de celebrar a República, de que Cavaco é presidente. Em frente. Para além de fixar a data, Cavaco pediu: "uma maioria estável no Parlamento”. Referiu que é necessária estabilidade, já que continuamos sujeitos a uma forte disciplina financeira.

 

Os partidos não tardaram a reagir: o PSD e o CDS acham que a actual coligação é a única que garante a estabilidade; o PS diz que “é o único partido que pode consagrar uma maioria absoluta”; o PCP lembra que “a estabilidade política significou desestabilização” dos portugueses; o Bloco considera que Cavaco “não tem nenhum mandato” para impor uma maioria ao país.

 

Portanto, tudo na mesma, como a lesma. Os coligados acham que personificam o desejo de Cavaco; o PS também, mas vai fazer tudo sozinho; o PCP e o BE põem-se de fora (como sempre). Os outros dificilmente contam. Em Portugal, uma coligação continua a ser um bicho de sete cabeças. Cavaco tem razão: “não há nenhum motivo para que Portugal seja uma exceção”. Mas vai continuar a ser… Vou ver o Borgen. Está gravado.

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Portugal na CEE

por Miguel Bastos, em 12.06.15

portugal na cee.jpg

 

Os GNR escreveram a canção, depois de um sobrinho ter perguntado se, com “Portugal na CEE”, podia continuar a comer gelados. Ora, nós queríamos “Portugal na CEE”, precisamente, para comer gelados. E para comer fora, comprar carro, fazer férias, andar de avião. Parece pouco, mas não é.

 

Agora, critica-se os portugueses por comer gelados. Quem critica, sempre comeu. E continua a comer. No fundo, está a dizer que os outros não têm direito a comer gelados. Chamam a isto, “viver acima das suas possibilidades”.

 

Depois de Abril, tivemos MFA, COPCON, PS, PCP, PSD, CDS, AD, FP-25, FMI. A CCE é que tardava a chegar. Por isso, há 30 anos, acompanhámos a cerimónia dos Jerónimos. E arregalámos os olhos, quando vimos a caneta de Soares. Soares começou, ali, a ser fixe. “Oh, boy é tão bom estar na CEE”.

 

Depois, como nas novelas, descobrimos que os ricos não são felizes: têm familiares que roubam no escritório e criados que conspiram na cozinha. Até então, tínhamos estado embriagados, com os sumos de laranja e papaia.

 

Mesmo assim, não trocamos o “Portugal na CEE” pelo “Portugal dos Pequenitos”.

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