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Olhe que não, D. Helena!

por Miguel Bastos, em 25.11.16

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A D. Helena era uma crente fervorosa do PSD. Mas afirmava, entre duas vassouradas, que não gostava do Marcelo. Porque não percebia nada do que ele dizia. “Olhe que não, D. Helena!", repetia-lhe eu, "Olhe que não”. Mas ela não cedia. Gostava do Santana, que, ainda por cima, era mais giro. Estávamos, ainda, na ressaca do cavaquismo. Rebelo de Sousa liderava o PSD, mas não o coração das donas helenas. Nessa altura, difundiu-se a ideia que, sendo um intelectual, Marcelo não chegava ao povo.

 

E, de facto, Marcelo chegava, com facilidade, às páginas dos jornais; aos microfones da rádio; aos corredores do poder; às mesas dos pensadores e dos conspiradores. Mas não conseguia “subir ao povo”, como diz o Carlos do Carmo. Isso mudou, claro.

 

Hoje, Marcelo bate recordes de popularidade. O Presidente da República tem uma avaliação positiva de 97% dos inquiridos pela sondagem da Católica (para a Antena 1, a RTP, o JN e DN). A popularidade de Marcelo coincide com uma altura em que se fala de populismo. São coisas bem diferentes. Estou, até, convencido que ser popular pode ser um antídoto contra o populismo.

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Obrigado, BPN!

por Miguel Bastos, em 03.10.16

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“Nunca tinha visto tantos jornalistas interessados em arte contemporânea”, brincou António Costa. Nessa altura, o primeiro ministro inaugurava um museu, de Siza Vieira, sob um manto ruidoso de vaias, assobios, palavras de ordem, bombos e apitos. Foi a primeira grande manifestação do movimento dos colégios privados. Protestava-se contra a decisão do governo de rever os contratos de associação.

 

Na sexta feira, António Costa voltou a inaugurar uma exposição, num espaço de arte contemporânea, com o dedo de Siza. Mas o cenário era muito diferente. Costa estava com Marcelo, Mariano Rajoy, o presidente da Câmara do Porto e o ministro da Cultura. Foi uma festa, cuidadosamente planeada, com Rui Moreira a anunciar que as obras de Miró ficavam no Porto. O ambiente era de regozijo. O fim de semana trouxe uma enchente a Serralves, com filas de espera para ver a famosa colecção que o governo decidiu que ficava em Portugal. Já agora, a colecção era de um banco que faliu e deu cabo das contas do Estado. O cartoonista Luís Afonso já brincou com o assunto, no Público: ainda vamos ficar gratos ao BPN. Parece que já estamos...

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Não é Kristalina… é turva

por Miguel Bastos, em 30.09.16

930_002.jpg

Kristalina Georgieva pediu folga ao patrão para ir para a ONU. O patrão deu folga e, até, encorajou Kristalina… Angela Merkel apoia. Portugal espanta-se. Guterres já venceu cinco batalhas, mas arrisca-se a peder a guerra. Marcelo diz que Kristalina parece uma atleta que entra para a maratona, a 100 metros do fim. Mas lembra que Guterres é um "maratonista natural". Felizmente, Portugal tem tradição na maratona.

 

Mas anda batota no ar, lembrou-nos Freitas do Amaral - homem que percebe de ONU. Kristalina veio substituir a candidatura de Irina Bokova, a anterior búlgara de serviço, que perdeu todas as votações. Na segunda-feira, Kristalina vai ser ouvida na ONU. Não se sabe para que é que serviram as votações informais anteriores. Só se "votação informal" significar “votar, até vencer o que eu quero”.

 

Antigamente, havia a Cristalina. Uma laranjada honesta: xarope de açúcar, ácido citrico e sumo de fruta. Era uma refrefrigerante hidro-carbo-gaseificado… Não era sumo detox. Nós sabíamos isso. Era claro como a água. A candidatura de Georgieva não é Kristalina. É turva.

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Na ONU

por Miguel Bastos, em 21.09.16

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Ter um antigo e um actual Presidente da República Portuguesa a apoiar a candidatura de um antigo primeiro-ministro, a secretário-geral da ONU, é (sem ironias) uma coisa linda de se ver. O antigo Presidente (Jorge Sampaio) foi rival de António Guterres no PS. O atual (Marcelo Rebelo de Sousa) foi líder da oposição, quando Guterres foi primeiro ministro. E antigo e o atual Presidente foram adversários nas eleições à Câmara de Lisboa. Nem um, nem outro, hesitaram no apoio a Guterres. Os três conhecem-se há várias décadas. E unem esforços, em termos políticos e pessoais, a favor de Portugal.

 

Sampaio trouxe consigo o empenhamento na defesa dos refugiados sírios. Marcelo fez um bom discurso. Exagerou (quando evocou Gandhi e Mandela), mas esteve bem na evocação das qualidades do candidato e das qualidades do país. Somos um país pequeno, periféricos, etc. Mas isso, não é uma maldição. Pode, até, ser uma vantagem para este tipos de cargos. Termos jornalistas franceses que não sabem quem é Marcelo, não tem mal nenhum. Alguém, em Portugal, sabe o nome do chefe de Estado da Finlândia ou da Lituânia?

 

Se não servir para mais nada, a candidatura de Guterres a secretário-geral das Nações Unidas, servirá, ao menos, para mostrar que se pode melhorar a política portuguesa, a partir de dentro. E que se pode trabalhar em conjunto. Basta ter objectivos e desígnios comuns. Não faltam oportunidades.

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Digital em papel

por Miguel Bastos, em 24.05.16

observador.jpg

“Já nas bancas”, anuncia um papel à porta da papelaria. Tinha “Observador” escrito no cabeçalho, com lettering e logotipo a condizer. Pensei que fosse publicidade. Um encarte do jornal numa outra publicação. Mas não, vi, depois, que era mesmo o Observador, a assinalar “O melhor dos nosso dois anos”. “Porque é que um jornal digital, publica uma edição em papel?”, perguntei-me, enquanto pegava (e pagava) o jornal.

 

O Observador é diferente dos outros jornais, porque já nasceu digital, assinala o diretor, Miguel Pinheiro, no seu editorial impresso. Confirma João Miguel Tavares (JMT), coordenador da edição impressa, que escreveu sobre a publicação, em papel, na edição digital. Um paradoxo? Talvez.

 

Para que fique claro: jornalismo é jornalismo. Dizer que a internet mata o jornalismo não faz sentido. Mas, é claro que a maior parte dos jornais ainda não se encontrou um bom modelo para financiar o seu jornalismo e é claro que o formato importa. Por isso, é que existem vários media: rádio, televisão, jornais, multimedia. Eu, por exemplo, gostei muito mais de ler o artigo da Maria João Avillez (sobre Marcelo Rebelo de Sousa) em papel, do que em digital. Tenho dificuldade de ler textos longos, em ecrãs. Normalmente, passo à frente. Gostava, por exemplo, que o Observador editasse, regularmente, os seus ensaios em papel. Poderá ser outro caminho para explorar no jornalismo.

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O Presidente feliz

por Miguel Bastos, em 02.05.16

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Passo Coelho disse o óbvio: Marcelo é um presidente feliz. “Pois sou” responde Marcelo, em Itália, antes de regressar a Portugal, para embarcar rumo a Moçambique. Já tínhamos reparado. Marcelo fez uma campanha onde se via que estava feliz. Depois “irradiou felicidade” na tomada de posse; no Concelho de Estado; na ida a Bruxelas; no 25 de Abril. Marcelo está feliz porque está onde sempre quis estar.

 

Na (excelente) biografia de Marcelo, o jornalista Vítor Matos descreve a forma como a família, os amigos, ele próprio, viam o futuro de Marcelo. Ele chegaria a Presidente do Conselho, como Salazar, mas (sobretudo) como Marcelo Caetano. Marcelo Nuno (era assim que Caetano o tratava) não herdou apenas o nome do líder político, que governou Portugal até ao 25 de Abril. Herdou (e cultivou) o gosto pela academia, pelos livros, pela política, pela comunicação.

 

O livro de Matos começa com as lágrimas do amigo Eduardo Barroso ao ouvir a demissão de Marcelo da presidência do PSD e termina com a actividade de Marcelo, republicano, a dirigir uma fundação monárquica. Ao longo do livro, o autor explora as inúmeras contradições e mudanças de rumo de Marcelo. Mas há uma constante: ele sempre quis estar há frente do país. Que é onde ele está agora. Feliz.

 

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Tempo novo

por Miguel Bastos, em 14.03.16

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Está aí o “tempo Novo”, de que falava Sampaio da Nóvoa. O tempo novo chegou, mas sem Nóvoa. As eleições legislativas já tinham dado uma derrota ao PS. Mas, mesmo assim, António Costa formou governo. Mesmo sem ter vencido, mesmo sem coligação. Mas com o apoio da esquerda, que esteve sempre fora do “arco da governação”. 

 

Depois disso, Marcelo venceu as eleições, sem depender da simpatia dos partidos que o apoiaram, ou toleraram. O “tempo novo”, começado com António Costa, seguiu, com Marcelo. A sua tomada de posse em vários atos, e em vários dias, apagou as últimas resistências. Em Lisboa, foi a pé para o Parlamento, teve uma cerimónia espiritual com as várias religiões e um espetáculo musical com músicos populares. No Porto, desfilou nos Aliados, telefonou para a Rádio Comercial e visitou o Bairro do Cerco, com a população a aclamar “Marcelo,Marcelo”.

 

Foi, também, no Porto (Gondomar, vá!), que o CDS elegeu a sucessora de Paulo Portas. Assunção Cristas vai-se distanciando do PSD e aproximando de António Costa , ao realçar que o voto útil já não faz sentido. O importante é quem tem condições de formar governo. Por isso, as pessoas devem votar no CDS e não no PSD.

 

Este é o “tempo novo”. Surpreendentemente, tem política. Quem diria?

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Presidentes na Pastelaria

por Miguel Bastos, em 08.03.16

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“Eanes é um senhor. Ontem, esteve bem ao falar do ultimato. Sampaio também esteve muito bem. São dois grandes senhores. Continuam a ser. Foram os melhores Presidentes da República. O Soares não foi mau. Esteve bem no primeiro mandato, mas no segundo excedeu-se. Não admira. É um egocêntrico. Só pensava em si. Era ele e ele e a mulher dele… Ainda bem que saiu.”

 

Não cheguei a saber o que é que a minha amostra de duas senhora na casa dos 60/70 anos, classe media alta, que frequentam a minha pastelaria acharam de Cavaco. De Marcelo, uma tem-lhe simpatia a outra responde “É muito fala barato e, em termos de ego, lembra o Soares”.

 

É, por isso, que é muito difícil de falar sobre “os portugueses”, atribuindo-lhe características comuns. Mário Soares foi um Presidente extremamente popular. E, no entanto, muita gente que não gostava dele. Como a senhora ao meu lado. A conversa começou com um “Viu o programa sobre o Marcelo?” e com a resposta “Não vi não. Mas também não me interessava muito, queria ouvir o Eanes e o Sampaio”.

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O anti-Cavaco

por Miguel Bastos, em 07.03.16

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Marcelo no lançamento do livro sobre Marcelo. Marcelo na última aula. Marcelo na última arguência. Marcelo a torcer pelo Braga. Marcelo a dizer que o Presidente não pode tomar banho no mar. Não há dúvida: a imprensa está enamorada por Marcelo. Chamam-lhe “Presidente Eleito”, uma nomenclatura que nunca tinha sido usada em Portugal. A imprensa não refere a fonte. Foi Cavaco que o batizou. A imprensa não cita Cavaco.

 

Mário Soares foi, durante muitos anos o “ex-Presidente”. Mais uma designação que nunca tinha sido usada. Foi difícil despedirmo-nos do Presidente Soares. Soares era fixe. Sempre foi. Soares dise que Sócrates era o anti- Guterres. Marcelo é o anti-Cavaco. Cavaco é formal, Marcelo é familiar. Cavaco é palavroso, Marcelo é direto. Cavaco é sisudo, Marcelo é bem-humorado. Cavaco é frio, Marcelo é quente. Marcelo é “cá dos nossos”. Tem a imagem certa, o ritmo certo, as palavras certas.

 

Enquanto Cavaco se despede do cargo, os media “fingem” que foi despedido. Tem os índices de popularidade mais baixos de sempre, é certo. Mas foi votado: uma, duas, três… várias vezes. Há uma espécie de alívio coletivo pela saída de Cavaco. Mas ele sai pelo seu pé. As atenções voltam-se agora para Marcelo.

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Assunção levanta a crista

por Miguel Bastos, em 28.01.16

assuncao cristas.png

Assunção Cristas está em campanha para a presidência do CDS. Na terça feira, deu um “Oscar” de realizador a António Costa, pelo melhor filme de ficção. Ontem, falou de um sonho cor de rosa, “um cor-de-rosa bastante avermelhado”. No primeiro caso, Assunção Cristas quer "interromper este filme”. No segundo caso, talvez não seja preciso fazer nada, porque o "despertador de Bruxelas acordou Costa do sonho cor-de-rosa”.

 

Formada na “Universidade do soundbite”, Assunção Cristas gosta de metáforas e trocadilhos. Eu, também gostava de sugerir alguns. Por exemplo, sobre a vitória de Marcelo: “É a vitória da esquerda da direita e a derrota da frente de esquerda”. Ou sobre o projecto de orçamento: “Costa não é Fitch”. O próprio nome da candidata dá para imensos trocadilhos. Sobre a sua candidatura: “A Assunção de Cristas: ex-ministra assume candidatura à liderança do CDS”. Sobre a sua atitude “Assunção levanta a Crista”. E por aí fora.

 

A candidata diz que não é muito ideológica, mas assume-se como democrata-cristã. Podia fazer um trocadilho com “democrata-crista”, mas isso seria demasiado óbvio.

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