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República ou banana?

por Miguel Bastos, em 18.09.18

diario da republica.jpg

"Como se chama o jornal oficial do Estado onde são publicadas as normas legislativas do pais?" Foi pergunta do sabichão, esta manhã, na Antena 1. 
"Não sei", responde o mais novo.
"É o diário..." , diz a ajuda de casa.
"...de um Banana", reponde o mais novo, a sorrir.
E é isto, malta do Zig-Zag...

 

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A minha vida dava um filme

por Miguel Bastos, em 07.09.18

luis_costa_ribas.png

Chamou-lhe “Uma vida em Direto", mas podia ter-lhe chamado “A minha vida dava um filme". Com quase 40 anos de jornalismo, Luís Costa Ribas escreveu um livro sobre as suas aventuras no jornalismo. A partir da sua base nos Estados Unidos, esteve sempre onde devia. Lá, de onde todos saiam: fosse em Angola, em Moçambique, no Haiti ou em Israel.
 
O livro ajuda a perceber a mudança da política americana relativamente a Angola ou a Timor. As virtudes e defeitos dos Estados Unidos. As mudanças políticas internas que conduziram à eleição de Donald Trump e ao actual estado do mundo.
 
Na ânsia de querer resumir um vida cheia e, eventualmente, a não querer maçar os leitores, alguns “episódios” (como o autor lhes chama) são, apenas, enunciados. Fica um sabor a pouco. Mas percebe-se. Pensando bem, a vida de Luís não dava só um filme. Dava uma série, com várias temporadas e “episódios”. Daquelas que nos agarram que nos colam ao sofá, semanas a fio, mas que nos impedem de ler livros como este.

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Vai chatear o Camões!

por Miguel Bastos, em 05.09.18

germano almeida.jpg

Germano Almeida recebeu o Prémio Camões, no Rio de Janeiro. O escritor ficou surpreendido com a reacção dos cabo-verdianos: "Acho que gostaram mais do prémio do que eu", disse ele. Por isso, dedicou o prémio ao povo de Cabo Verde, mas avisou logo que o dinheiro (100 mil euros) era para ele. Germano Almeida tem muito humor. Por isso, gostava que ele fosse chatear o Camões. Daria um belo livro.

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Quente e fio

por Miguel Bastos, em 12.06.18

barco mudar de vida.jpg

“Portugal vive de costas para o mar”, dizia o orador. “Basta andar meia dúzia de quilómetros, para o interior, e vemos os portugueses agachados, a cavar a terra”. Aquilo estava-me a irritar. “Aliás, nem é preciso tanto. Os próprios pescadores têm que cavar umas batatinhas e umas couves no quintal, para compensar a falta de rendimento”. A sério, senhor orador? E o que me diz, por exemplo dos nosso valentes do bacalhau? “São excepções”, respondeu o antropólogo encartado. Teria razão?

 
O discurso sobre as pescas está carregado de mitos: a herança dos descobrimentos, a riqueza da nossa costa, a epopeia do bacalhau. Pensem nas duas últimas. Se a nossa costa fosse assim tão rica, que necessidade teríamos nós de ir pescar para o Canadá?
 
Temos, ainda, uma visão das pescas moldada pelo Estado Novo. E deixámo-nos levar pela cantiga de que foi a Europa que nos destruiu as pescas. Não foi. Foi uma conjugação de fatores. O principal fator: a falta de peixe - que levou a políticas de defesa nacionais e internacionais, em todo o mundo. Outras coisas que faltaram: modernização de frotas e técnicas, investigação científica, definição de políticas. E políticos, que não pescam nada. Em pouco mais de 100 páginas, o livro “As pescas em Portugal”, de Álvaro Garrido, explica isto tudo. É uma análise fria, de um tema que costuma ser discutido de cabeça quente.

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Viagem ao fim da noite

por Miguel Bastos, em 07.06.18

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Mais uma "Viagem ao fim da noite". Não é só o Céline que tem noites difíceis. Eu também tenho. Agora, só me falta ser um génio da literatura.

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Sem rede

por Miguel Bastos, em 30.05.18

Somos seis, nesta ala do comboio. O jovem “hipster” está no Instagram. A jovem alternativa consulta o Facebook. Dois jovens “yuppies” vêem uma série no Netflix. O jovem xoninhas (desculpa xoninhas, ficas sem nome “cool”) vê vídeos de YouTubers engraçados. Eu sou o único que não estou (não estava) ligado à rede. Leio um livro sobre pescas.

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Viver e morrer

por Miguel Bastos, em 23.05.18

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Hoje, morreu o escritor Philip Roth. Hoje, é dia de aniversário de Eduardo Lourenço. E, hoje, a RTP vai estrear um documentário sobre o ensaísta. Diz o realizador, Miguel Gonçalves Mendes, que é preciso celebrar as pessoas em vida. Não podia estar mais de acordo. Os últimos dias vieram recordar-nos uma evidência: os velhinhos morrem muito. Até aqueles que estavam mais vivos do que nós.

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Os Russos

por Miguel Bastos, em 29.03.18

potemkin.jpg 

Tolstói, Dostoevsky, Soljenítsin, Nabokov
Tchaikovsky, Shostakovich, Prokofiev
Kandinsky, Chagall
Eisenstein
Estou a pensar em expulsar os russos, cá de casa...

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Goethe e Ghouta

por Miguel Bastos, em 23.02.18

ghouta.jpg

Goethe (escritor alemão) e Ghouta (região da Síria) pronunciam-se de forma semelhante. Não é a única semelhança. No Fausto, de Goethe, e na guerra, de Ghouta, vendeu-se a alma ao diabo. 

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Ler Norman Mailer

por Miguel Bastos, em 02.02.18

lloyd velho.jpg

Levei mais de 30 anos para seguir o conselho de Lloyd Cole: "Read Norman Mailer", cantava ele em "Are you ready to be heartbroken". Convenhamos, o jovem Lloyd parecia uma enciclopédia. Debitava nomes e obras, à velocidade da luz: Arthur Lee, Simone de Beauvoir, Renata Adler, Eva Marie Saint. Tinha ali, num disco de música pop, matéria para ler, ver e ouvir até à idade da reforma. 

 

No terceiro disco, Cole falou de Sean Penn e Madonna. "Sempre a descer", pensei eu. Mal. Entretanto, apaixonei-me pelos dois. Norman também, ao que parece. É famosa a sua entrevista a Madonna. Que eu li enquanto pensava: "Ainda não li Norman Mailer".

 

Demorei mais de 20 anos a comprar o livro "Os nus e os mortos". A primeira obra de Mailer comemorava , então, 60 anos. O autor tinha morrido no ano anterior. Depois, o livro ficou 10 anos a apanhar pó na prateleira. O livre é grande (mais de 700 páginas) e suspeitava que fosse denso. Não me enganei. É grande. É denso. E é uma obra-prima. 

 

Mais de 30 anos depois, devia agradecer a Lloyd. Está velho, como o Norman quando era mais novo, mas bem vestido. Eu não. Serão precisos 30 anos para a próximo verso: "Get a new tailor"? 

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