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Ter a nação

por Miguel Bastos, em 10.05.18

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"Que nação queremos ser?", pergunta a jornalista no artigo. "Uma startup nation? Uma green nation? Ou uma innovative nation?” Uma nação, respondo eu, é isso que queremos ser. Eu sei que o conceito provoca comichão. Porque o nacionalismo volta a assustar. Porque o conceito tem vindo a mudar. Porque diferentes etnias ou religiões convivem, cada vez mais, numa nação. Mas há uma base comum: território, tradições, valores ou língua.

 
Portanto, uma nação não é um "business plan", nem uma "marketing strategy". É uma coisa que existe (antes, durante e depois) destes termos de importação da moda. Não perceber isto, é não ter a mínima noção. Ou a mínima "notion", ou lá o que é...

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Ex-namorada

por Miguel Bastos, em 08.05.18

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A ex-namorada de um ex-primeiro-ministro, acusou o seu "ex" de traição. Ex-traíram-se daí inúmeras ilações. Vários ex-dirigentes, ex-ministros, ex-jornalistas, falaram ex-tensamente sobre o assunto. Parece-me tudo muito ex-temporâneo. Que é para não dizer ex-túpido.

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Vai trabalhar, malandro!

por Miguel Bastos, em 16.02.18

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Ferraz da Costa é gestor das empresas que herdou. Mas, não é por isso que é conhecido e que aparece, abundantemente, nos órgãos de comunicação social. É conhecido porque esteve 20 anos à frente da CIP - a confederação dos patrões. Quando saiu, foi para outra presidência: do Fórum da Competitividade. Este organismo inclui, desde logo, a CIP,  as maiores empresas que actuam em Portugal e alguns nomes que têm estado entre a política e os negócios.

 

Ferraz fala sempre na qualidade de presidente. Desde 1981, que assim é. Nessa altura, a AD governava e Eanes era presidente. Ferraz da Costa também era, e presidente continuou. Continua, de resto. Os outros líderes não. Tinham empregos precários.

 

Hoje, Ferraz da Costa dá uma entrevista no i, para dizer uma coisa que nunca se tinha ouvido em Portugal: "as pessoas não querem trabalhar". E, do alto dos seus mais de 70 anos, e quase 40 de presidências, diz que é preciso gente nova. Não podia estar mais de acordo.

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Posta restante

por Miguel Bastos, em 15.02.18

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O novo filme de Spielberg, "The Post", passa-se na era Nixon. Mas, é inevitável vê-lo como uma reacção à era Trump. Não é, no entanto, um filme dos bons contra os maus. É melhor que isso. A história anda à volta de uma investigação, governamental, sobre o Vietname. Fica-se a saber que, afinal, a guerra do Vietname era uma história mal contada. Aliás, era uma história não contada. Porquê? Porque os presidentes anteriores (Kennedy e Johnson) eram do grupo dos bons. O grupo que os jornais gostavam. Com quem tinham cumplicidade. Eram farinha do mesmo saco. Um saco onde estava, desde logo, o Washington Post.

 

Os protagonistas são a dona do jornal (Meryl Streep) e o diretor (Tom Hanks). São eles que vão ter que colocar em causa a sobrevivência do jornal, em nome da liberdade da imprensa. Mas, tão ou mais importante, vão ter que se colocar em causa.   

 

Nesse sentido, "The Post" é um filme sobre a perda da ingenuidade. Um postal de uma época e do que restou dela.

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Abstenho-me!

por Miguel Bastos, em 08.02.18

[Foto Nelson Garrido]

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Conselho do Cardeal Patriarca de Lisboa aos católicos que voltam a casar: abstinência sexual. Eu abstenho-me. Mas, só de comentar...

 

https://www.publico.pt/2018/02/08/sociedade/noticia/recasados-catolicos-devem-ser-aconselhados-a-viver-como-irmaos-1802394

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No estrangeiro

por Miguel Bastos, em 08.01.18

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O estrangeiro, dizia alguém, é o país onde todos gostariam de viver. "No estrangeiro", dizem uns, "paga-se menos impostos". Talvez, se esse país for os Estados Unidos. "No estrangeiro", dizem outros, "temos melhores hospitais". Talvez, na Suécia. "No estrangeiro", acrescentam outros ainda, "as mães podem ficar com as crianças, em casa, até aos três anos". É verdade, na Alemanha. É verdade, e pode ser bom. Para quem gosta. A ex-ministra Constança Urbano de Sousa, descobriu, por experiência própria, que na Alemanha não havia creches. E não gostou. Está na entrevista da Notícias Magazine, deste fim de semana.

 

Na Alemanha (esse país estrangeiro e avançado!), a maioria das mulheres casadas deixa de trabalhar quando engravida. Como em Portugal, nos anos 40. O reverso de estar em casa com filhos, nos primeiros 3 anos, é não ter creches, nem carreira profissional. Nos Estados Unidos, os impostos são baixos, mas a qualidade da saúde pública também. E se a Suécia tem saúde, na hora de pagar impostos os suecos têm todas as razões para ficarem doentes.

 

Essa é a vantagem do estrangeiro. Podemos escolher o estrangeiro que quisermos, de acordo com as conveniências de cada momento. Só há um problema: o estrangeiro não existe. Mas, é melhor.

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Um arquiteto que é pessoa

por Miguel Bastos, em 28.12.17

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O arquiteto Manuel Aires Mateus foi distinguido com o Prémio Pessoa 2017. A entrevista, deste fim de semana, no Expresso, é uma delícia. Gosto da forma como fala da sua família (o avô, os pais): entre o pragmatismo e o espírito artistico; entre o salazarismo e a extrema-esquerda. Da forma como fala do seu irmão Francisco, que também é arquiteto, mas possuidor de vários talentos. É impossível separar a sua vida, da sua arquitetura ligada à terra: tem muita obra no estrangeiro, mas a sua obra, diz o arquiteto, é sempre "daqui".

 

E a sua vida também é aqui. "O que é que verdadeiramente lhe interessa na vida?", pergunta-lhe o jornalista Valdemar Cruz. "A vida", responde, "Adoro viver". E acrescenta: "Mas sou uma pessoa de uma banalidade extrema. Cresci, estudei, casei aqui, tive os meus filhos aqui." Num país mediano, onde todos querem ser excecionais, há um arquiteto, que é dos melhores do mundo, que diz "Adoro tudo aquilo que as pessoas adoram, mas ao mesmo tempo adoro sentar-me aqui e ficar aqui a pensar".      

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Pedro Rolo Duarte

por Miguel Bastos, em 27.11.17

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Há cerca de 4 anos, eu andava muito ocupado. A minha tarefa era simples, mas de extrema importância: sobreviver. Uma doença súbita, deixou-me perto da morte. E eu não estava com vontade nenhuma que tal viesse a acontecer. Uns meses mais tarde, encontrei, num restaurante, uma das médicas que impediu a minha morte. Cumprimentei-a. Ela respondeu e sorriu. Trocámos meia dúzia de palavras. Até que ela me perguntou: “Desculpe, de onde é que nos conhecemos?” Respondi que nos conhecíamos do hospital. E que tentámos, os dois, salvar a minha vida. Com sucesso, como dava para ver. Voltou a sorrir e despedimo-nos.

 

Fiquei a pensar como é que possível os médicos fazerem tanto por uma pessoa que, passado poucos meses, já nem sequer reconhecem. Para mim, aquela médica estava associada à minha vida. Para ela, eu tinha sido um doente, uma vida. Assim, em abstrato.

 

E a vida, também, é isto. Estamos ligados a pessoas, que não conhecemos, verdadeiramente; algumas, nem sequer nos reconhecem; mas que, para nós, são da maior importância. Importância que elas desconhecem. Pensei nisto tudo, ao receber a notícia da morte do Pedro Rolo Duarte.

 

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Vácuo Pulido Valente

por Miguel Bastos, em 22.12.16

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 "Para o alemão ou o inglês medianamente educado", diz Vasco Pulido Valente, no Observador, "Portugal (fora Ronaldo e o turismo) é um vácuo". Ora, eu como não sou inglês, nem alemão, nem (sequer) medianamente educado (ao contrário de Vasco) gosto de encontrar coisas portuguesas, no meio do vácuo. Por exemplo: há uns tempos, encontrei um teatro em França de que gostei muito. Fazia-me lembrar arquitetura portuguesa. E era: o Théâtre Auditorium de Poitiers (que, curiosamente, é conhecido pela sigla "TAP") é uma obra de Carrilho da Graça.

 

Sim, temos arquitetura de nível mundial. Mas os franceses, (lá está!) não são "alemães ou o ingleses medianamente educados". E temos dois Pritzker, conhecidos como o Nobel de Arquitetura, mas o prémio é americano. E, também, temos prémios Nobel, propriamente ditos, mas são suecos. Uma amiga minha chama-se Amália, mas é romena. E a Carminho foi convidada para cantar Jobim, que é brasileiro.

 

No meio disto tudo, o reconhecimento (inglês) de Paula Rêgo, só pode ter sido engano. E o reconhecimento (alemão) de Siza, também. Ou, então, o "alemão ou o inglês medianamente educado" não querem é saber de Vácuo. Fazem bem.

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Um rapaz chamado Soares

por Miguel Bastos, em 21.11.16

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Durante muitos anos, agarrei-me a Mário Soares. Tinha lido, num jornal, que Soares, sempre fora atento e curioso, mas nunca tinha sido grande aluno. O artigo dizia que havia alunos que não eram bons, porque não queriam saber de nada; e alunos que não eram bons, porque queriam saber de tudo. Era o caso de Soares. Eu assumi que era um desses: “um aluno-Soares.”

 

Até que descubro, na (excelente) biografia de Soares, de Joaquim Vieira, que o jovem Soares não se interessava por nada. Não gostava de estudar, não sentia curiosidade por nada, que não fosse política. Seria, então, um teórico fascinado pela grandes narrativas políticas? Não, não tinha paciência, gostava mais de acção. Que tipo de acção? Queria ser um grande professor, gerir a escola do pai? Não era bem isso. Queria ser engenheiro ou arquiteto, fazer estradas e pontes? Não, não tinha competências técnicas para isso, nem queria ter. Acção armada? Nem pensar, não é do seu género. Nem sequer irá à tropa. Acção, para Soares, era fazer papéis, colar cartazes, viajar, fazer contactos, fazer discursos. Ou seja, além de ter sido, sempre, um menino-família; Mário Soares já era um boy, numa altura em que não havia “jotas”, nem partidos.

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