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Nova guerra

por Miguel Bastos, em 01.06.18

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Donald gosta de uma boa guerra. A nova guerra é com a velha Europa. Há quem o ache enferrujado. Mas, o Donald está "como o aço".

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Eurovisão

por Miguel Bastos, em 13.05.18

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Obrigado Salvador: por nos mostrares que o mundo pode ser melhor.

Obrigado Eurovisão: por nos mostrares que o mundo é o que é.

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Dentro e fora

por Miguel Bastos, em 27.03.18

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Em Portugal, dizemos que são escapadinhas. O slogan é “vá para fora, cá dentro”.

Em Espanha, as escapadinhas têm outro slogan: “vá para dentro, lá fora”.

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No estrangeiro

por Miguel Bastos, em 08.01.18

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O estrangeiro, dizia alguém, é o país onde todos gostariam de viver. "No estrangeiro", dizem uns, "paga-se menos impostos". Talvez, se esse país for os Estados Unidos. "No estrangeiro", dizem outros, "temos melhores hospitais". Talvez, na Suécia. "No estrangeiro", acrescentam outros ainda, "as mães podem ficar com as crianças, em casa, até aos três anos". É verdade, na Alemanha. É verdade, e pode ser bom. Para quem gosta. A ex-ministra Constança Urbano de Sousa, descobriu, por experiência própria, que na Alemanha não havia creches. E não gostou. Está na entrevista da Notícias Magazine, deste fim de semana.

 

Na Alemanha (esse país estrangeiro e avançado!), a maioria das mulheres casadas deixa de trabalhar quando engravida. Como em Portugal, nos anos 40. O reverso de estar em casa com filhos, nos primeiros 3 anos, é não ter creches, nem carreira profissional. Nos Estados Unidos, os impostos são baixos, mas a qualidade da saúde pública também. E se a Suécia tem saúde, na hora de pagar impostos os suecos têm todas as razões para ficarem doentes.

 

Essa é a vantagem do estrangeiro. Podemos escolher o estrangeiro que quisermos, de acordo com as conveniências de cada momento. Só há um problema: o estrangeiro não existe. Mas, é melhor.

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Vamos "lá fora"

por Miguel Bastos, em 22.12.17

Puigdemont quer resolver a questão da Catalunha: "lá fora", com Rajoy. Vamos resolver isto "lá fora" é uma coisa que soa a macho latino à pancada, junto à taberna. Mas, vindo destes dois, será uma coisa diferente. Antes do "lá fora", Puigdemont vai esperar - até ter a certeza que ninguém o vai magoar. E Rajoy vai estudar a constituição - para ter a certeza que os hematomas estarão de acordo com as regras.

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Catalunha dividida a meio

por Miguel Bastos, em 21.12.17

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Valência, Fevereiro de 2017. Dois estrangeiros conversam sobre a independência da Catalunha. Um é português. A outra é francesa. A conversa começa a ficar acesa. Porquê tanta paixão? Bem, o português em questão sou eu: o que olha de fora. Mas, a francesa olha por dentro. Vive em Barcelona, há 20 anos. Mais, é neta de um velho republicano catalão, que fugiu ao regime de Franco. Para ela Barcelona é a cidade, historicamente, oprimida por Madrid - a capital do regime fascista. Ela é a favor da independência. 
 
Mas, Franco já morreu. E Espanha é uma democracia europeia, há mais de 40 anos.   
 
Faço perguntas sobre a língua: vão deixar de usar o espanhol, uma das línguas mais faladas do mundo? Vão perder a ligação privilegiada com a América latina? Ou mantêm a comunicação com os países estrangeiros, com o recurso à língua do "colonizador"?
 
E o que vão fazer ao espanhóis que vivem na Catalunha? E aos catalães que vivem noutras regiões de Espanha? E aos catalães que são da Catalunha e são contra a independência? Vão ter que optar por uma nacionalidade? Vão ser deportados? Vão ser emigrantes?   
 
E como é que vai ficar a relação com a União Europeia? ( O resto de) Espanha vai votar contra a adesão da Catalunha e muitos países também. E seguiram-se muitas outras perguntas: da moeda, à defesa, ao campeonato de futebol. 
 
A minha amiga começou a ficar aborrecida. Ela acha que eu não percebo nada. Tem razão. Não percebo nada. Daí as questões. Questões que continuam a não ser debatidas. É pena. Hoje vota-se, para separar a Catalunha, de Espanha. Mas é a Catalunha que está dividida a meio.

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O sorriso de Centeno

por Miguel Bastos, em 06.12.17

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Foi surpreendente assistir às reacções do Presidente da República e dos partidos políticos (com excepção do PS) à eleição de Mário Centeno para a presidência do Eurogrupo. Marcelo veio lembrar que Centeno só é presidente porque é ministro das Finanças. (Centeno sabe disso. Afinal, o Eurogrupo é o grupo onde se reúnem os ministros das Finanças da Zona Euro). O Bloco e o PCP salientaram que Centeno vai trabalhar para uma Europa que defende a austeridade e o liberalismo económico e que é o novo rosto das políticas erradas. O PSD e o CDS vieram dizer que iam estar atentos, porque não se pode ser rigoroso na Europa e desleixado em Portugal.

 

Portanto, os líderes Europeus, que inicialmente tiveram dúvidas em relação a Centeno, votaram na sua eleição, deram sorrisos e parabéns. Já os políticos portugueses, começaram a ter dúvidas, fecharam o rosto e resolveram lançar avisos e ameaças. Podiam, ao menos, ter disfarçado. Atualmente, há imensas soluções farmacológicas para a azia. Mas, não devia ser preciso. O sorriso de Centeno devia bastar.

 

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Centeno

por Miguel Bastos, em 30.11.17

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Facto: Mário Centeno é candidato à presidência do Eurogrupo. Especulação: o Ministério das Finanças pode mudar para a cidade do Porto.

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Manipulações...

por Miguel Bastos, em 27.10.17

"Houve atores políticos que procuraram manipular as populações, ao serviço dos seus interesses. E, infelizmente, tiveram êxito." António Guterres falou. Não foi sobre a Catalunha. Foi sobre a República Centro Africana.

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É o raça

por Miguel Bastos, em 12.07.17

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Lá em casa, tivemos sempre  problemas com o "raça". Assim mesmo, com artigo masculino. Perante a minha irrequietude, a minha mãe dizia: "o raça do rapaz não pára quieto". Ou "o raça do rapaz nunca está calado". O "raça", portanto. O "raça", dizem os dicionários mais nobres, é uma expressão popular para exprimir descontentamento, irritação, contrariedade.

 

Lá em casa, o "raça" da torneira não funcionava, apesar dos esforços do meu pai. O "raça" do vizinho estacionava a camioneta à nossa porta. E o "raça" do forno queimava o assado de domingo. O "raça" levava sempre com a culpas. A raça também.

 

No livro "Brasil: Uma biografia", as historiadoras Lilia Moritz Schwarcz e Heloisa Murgel Starling contam-nos que, no século XIX, o "raça" dos brasileiros estavam preocupados com a raça. Para "purificarem" a raça brasileira, "ameaçada" pela sobrevivência dos índios e pela proliferação dos negros, os brasileiros queriam importar pessoas brancas e louras da Europa. Que "raça" de ideia!

 

Na Bósnia dos anos de 1990, a coisa foi mais difícil. Sem negros, nem índios, era preciso distinguir o "raça" de um eslavo do sul, do "raça" de outro eslavo do sul. Neste caso, a religião, explica Tim Butcher no livro "O Gatilho", serviu para dividir o que Deus uniu. E, depois de divididos, foi o "raça". Chamaram "limpeza étnica" à matança mais suja, levada a cabo na Europa, depois da Segunda Guerra Mundial.

 

"Raça" é isto: na Cova da Moura ou na cidade de Mossul. E é o raça.  

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