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Ganhar ou perder é desporto

por Miguel Bastos, em 08.06.17

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Theresa May resolveu convocar eleições. Porque o país estava a precisar? Porque perdeu a confiança dos eleitores? Não. Apenas, porque achava que as podia ganhar.

 

Vamos a um ponto de situação. O seu antecessor, David Cameron, quis ter sol na eira e chuva no nabal. O nacionalismo e o populismo cresceram, dentro e fora do partido conservador, e Camerou achou que podia usar o descontentamento nas negociações com a União Europeia. Ameava sair e, depois, resolvia ficar, com melhores condições. O tiro saiu-lhe pela culatra e Cameron demitiu-se.

 

Ficou Theresa May que, também, fez campanha pela permanência, e que, agora, é uma entusiasta da saída. Não lhe fez confusão defender uma coisa e o seu contrário. Nem ser primeira-ministra, sem voto popular. Mas as sondagens davam-lhe uma vitória confortavel sobre os trabalhistas e Theresa não resisitiu. Pediu eleições. Só que Corbyn (qual Lili Caneças) provou que estar vivo é o contrário de estar morto. E parece que os trabalhistas vão ter um bom resultado.

 

Ou seja, May deverá ganhar (mas à justa) e sair fragilizada. Pelo meio, não se discutiu Brexit nenhum; a campanha falou de questões internas e deram-se dois atentados. Atentados que vieram lembrar que foi May quem retirou dinheiro, pessoas e equipamentos às forças de segurança. Teresa queria ganhar por muitos. Mas não vai ganahr nada com isto. Nem ela, nem ninguém. Mas, no fundo, "Ganhar ou perder é desporto".

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Montes e Valls

por Miguel Bastos, em 09.05.17

Já se percebeu que a fé em Macron não move montanhas. Mas, Macron está disposto a ir por montes e Valls.

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Macron 66 - Le Pen 34

por Miguel Bastos, em 08.05.17

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Antes dos “ses" e dos “mas” convém lembrar: Emmanuel Macron ganhou; Mariene Le Pen perdeu. E não foi por pouco. Mesmo que se pudesse desejar que fosse por mais. E Macron não facilitou. Não piscou o olho ao eleitorado de Le Pen (como Fillon). Não procurou a simpatia de Mélenchon (que não lhe deu os votos).

 

Mas, mais importante, Macron não foi na cantiga de Le Pen. A candidata da Frente Nacional insistiu que o ex ministro de Holland era o candidato das élites: um banqueiro, rico, europeísta e liberal. Ele não negou o que é: lembrou, apenas, que a (alegada) candidata do povo é, afinal, a herdeira rica de um colaboracionista nazi, que cresceu num castelo. Ele não herdou. Teve que se fazer à vida.

 

Há muitas incógnitas quanto ao futuro de França. A Frente Nacional tornou-se o primeiro partido nacional e anunciou a sua fusão com o outro partido de extrema direita. Os partidos do centro estão em crise. E não se sabe, ainda, quanto vão valer os partidos de Macron e Mélenchon. Estamos,a penas, a seis semana de novas eleições.

 

Mas, ontem, foi clarinho: 66 - 34. Macron ganhou; Le Pen perdeu. E ouviu-se o Hino da Alegria.

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Volta a França

por Miguel Bastos, em 24.04.17

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Volta a França. Macron, Fillon, Mélenchon e Hamon: quatro candidatos com nomes terminados em “on”. Os três últimos terminaram a etapa, mas saíram da prova. O primeiro dos quarto quer vencer a Volta. A outra candidata, em prova, também quer vencer. Para acabar com tudo.

 

Olhando para a tabela classificativa:

 

Macron: venceu a etapa. Mas, não tem grande equipa. Aliás, não tem equipa: nem grande, nem pequena; nem boa, nem má; nem esquerda nem direita. Pedalou ao centro. Correu-lhe bem.

 

Le Pen: tem uma máquina bem oleada: É velha, mas parece nova. É uma escaladora: subiu bem à montanha. Mas derrapa, sempre, nos circuitos urbanos.

 

Fillon: guinou a direita, para a direita. Derrapou e caiu. Está por apurar a gravidade da lesão.

 

Mélenchon: optou pela pista da esquerda. É formosa, é segura, mas não ganha. Não se sabe quem é que ganha com isso.

 

Hamon: o PS apostou no melhor atleta para ganhar, e teve a sua maior derrota. A culpa é do treinador?

 

A Volta a França, continua. Agora com dois atletas. Fazem-se à estrada e aceleram. Correm contra o tempo.

 

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1, 2, 3… diga lá outra vez

por Miguel Bastos, em 04.08.16

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Está toda a agente a preparar-se para as terceiras eleições, consecutivas, em Espanha. Foi neste país que se inventou o concurso “1, 2, 3” que colava Portugal à televisão. Todos queriam saber se saía a casa, o carro ou uma coisa nenhuma, ao casal que tentava descobrir os enigmas lidos por Carlos Cruz.

 

Recorde-se o “1, 2, 3”. O concurso tinha três partes. Na primeira, uma prova de cultura geral. Na segunda, uma prova de habilidade. Na terceira, havia uns objetos e uns enigmas que os concorrentes iam eliminando, até chegarem à última escolha. A terceira parte sempre me pareceu uma cachada. Basicamente, Carlos Cruz arrastava o programa, ajudando ou baralhando os concorrentes, que, depois de muito pensar, escolhiam à sorte. Às vezes tinham sorte, outras vezes tinham azar. Depois de dois processos eleitorais, os espanhóis vão votar outra vez? Ou vão deixar de votar, e passam a escolher à sorte?

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Espanha: na mesma?

por Miguel Bastos, em 28.06.16

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As eleições espanholas voltaram a dar vitória ao PP, sem maioria. Portanto: na mesma, como a lesma? Pode ser que não. A verdade é que o PP cresceu, em votos e em mandatos; o PSOE perdeu votos e mandados, mas está à frente do Podemos; o Podemos caiu, nas expetativas e na real; o Ciudadanos também. Os jornais de ontem faziam contas e cenários: PP + PSOE; PP + PSOE + Ciudadanos; PSOE + Podemos + Ciudadanos e, a mais provável, PP+Ciudadanos, com apoio parlamentar do PSOE.

 

Num certo sentido, Espanha não mudou muito, relativamente às eleições de há seis meses. Não há uma vitória clara de um partido, nem a capacidade de um dos partidos clássicos, governar com um dos novos partidos. Uma solução do tipo PP + Ciudadanos ou PSOE + Podemos. Mas há duas diferenças significativas. Primeiro, só há soluções governativas com o  envolvimento dos dois principais partidos, o que parece um regresso ao bipartidarismo. Segundo, mesmo sem maioria, a legitimidade para o PP governar, aumentou. Houve um número significativo de eleitores que deram o seu voto ao partido de Mariano Rajoy e castigaram os outros partidos, que foram penalizados por não se entender. A isto chama-se democracia. São os eleitores que têm o poder e o passam aos políticos. Resta saber se eles sabem o que fazer com ele…

 

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O riso de Marcelo

por Miguel Bastos, em 21.01.16

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José Miguel Júdice diz, hoje, no i, que "Marcelo teve de controlar a boa disposição". E acrescenta: “Os portugueses gostam pouco disso”. Pois é, somos o país do “muito riso, pouco siso”. Até porque, como dizia o meu pai, “não se brinca com coisas sérias”. Eu, que sempre gostei de brincar com coisas sérias, tentava argumentar que era divertido. Mas, o meu pai não achava graça nenhuma.

 

Os adversários implicam com o riso de Marcelo. Ri muito, porque não é um homem sério; porque diz uma coisa e o seu contrário; porque sempre foi de intrigas e partidas. Tudo para se rir. E Marcelo faz um esforço para se rir menos. Nota-se. Claro que, a chegar perto dos 70 anos, Marcelo já não pode ser o jovem traquinas dos tempos do Expresso ou da candidatura a Lisboa. Mas, é evidente que  teve de controlar a boa disposição”.

 

Portugal ainda tem um Presidente que não ri. Os portugueses, como “gostam pouco disso”, votaram nele. Mas, afinal, não gostaram assim tanto. Por isso, acho que o riso de Marcelo não é nem defeito, nem feitio. É uma alegria.

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O Tino

por Miguel Bastos, em 06.01.16

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Entre os debates de ontem, vi uma entrevista. Foi ao candidato Vitorino Silva. Ninguém sabe quem é. É o Tino de Rans. Não deve faltar gente que tenha achado a entrevista divertida. Eu achei triste.

 

Pois é, não achei graça. Como não acho graça aos apanhados, às gafes em direto, a pessoas a cair na rua. O entrevistador, José Rodrigues dos Santos, esteve numa posição muito difícil. Tentou entrevistar Tino de Rans, como um candidato “normal”. Fez as perguntas que achou pertinentes, mas não obteve respostas. A dada altura Tino deixa escapar “Se me fizer perguntas sobre calcetaria, eu terei todo o gosto em responder.” Acontece que Tino não é candidato a calceteiro. É candidato a Presidente. E convinha dizer alguma coisa.

 

No rescaldo, José Manuel Fernandes questionava se fazia sentido haver candidatos que nem sequer têm a noção do que é ser Presidente da República. Tino pode ser candidato? Claro que pode. Não quer dizer que deva.

 

PS. Gostava de ter usado o título “Perder o Tino”. Infelizmente, já o tinha usado.

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Albergue espanhol?

por Miguel Bastos, em 05.01.16

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Estamos na campanha para as presidenciais. Tenho tentado seguir os debates na televisão. É difícil. São mais de 20. Ontem, até ouvi o debate, na rádio, com 10 candidatos. Isso mesmo, dez. Enchiam o estúdio da Antena 1. Falou-se do cargo de presidente, de governação, de demitir governos, do Banif. Tino de Rans adaptou António Variações para dizer que “quando os bancos não têm juízo, o povo é que paga”. Foi um debate e pêras!

 

À noite, Miguel Sousa Tavares considerava que há candidatos que procuram, apenas, publicidade. São as presidenciais ao serviço dos 15 minutos de fama, de Andy Warhol. Freitas do Amaral reforçou o óbvio: ninguém deve começar uma carreira política pela Presidência da República. Maria de Belém já tinha dito o mesmo. Mas Maria é candidata a Belém. Freitas já foi e não volta a ser.

 

A democracia é de todos e para todos. Mas, ao ver tantos e tão estranhos candidatos, pergunto-me se deve ser um albergue espanhol. Com todo o respeito pelo setor hoteleiro e pelos espanhóis.

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Espanha empata em casa

por Miguel Bastos, em 21.12.15

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Eleições em Espanha: o PP ganhou, porque ganhou; o PSOE ganhou, não sei porquê; o Podemos e o Cidadãos também ganharam, porque passaram a existir e acabaram com o bipartidarismo. Os Espanhóis estão a ficar parecidos com os portugueses. Todos ganham.

 

Apesar de ter ganho, PP perdeu demasiados votos e mandatos. Sozinho não se aguenta e,  mesmo que conseguisse o apoio dos Cidadãos também não seria suficiente. Portanto, PP sozinho não chega; PP + Cidadãos também não; PSOE + Podemos idem; PSOE + Podemos +  Cidadãos é esquisito; PP + PSOE também. Venceram todos, mas não se percebe o quê. Fala-se em mudança, mas não se percebe que mudança é que aí vem.

 

Em Espanha, havia um partido que ganhava, um partido que perdia, e os outros. Agora, temos um empate. Há mais cenários e narrativas possíveis, mas o fim é uma incógnita. Se for bom, é um filme de David Fincher, se for mau é uma novela da TVI.

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