Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]

O referendo do Bloco

por Miguel Bastos, em 27.06.16

catarina referendo.jpg

A discussão da Europa está em cima da mesa. Com a Europa a ser empurrada para a porta dos fundos. Catarina Martins também quis dar um empurrão. A altura não podia ser pior. Sejamos claros: a Europa pode e deve ser criticada. Mesmo quando se confunde Europa com União Europeia; com o Euro; com as instituições europeias. Pode (e deve-se) criticar a política orçamental; o peso da Alemanha; a falta de solidariedade dos países mais ricos, com os países mais pobres; sobre tudo o que entendermos. Mas, a verdade é que a Europa tem das costas largas. Mesmo que, às vezes, se diga “esta Europa” ao generalizamos, estamo-nos a atirar, todos, para fora da Europa.

 

Na ressaca do Brexit e da convenção do Bloco de Esquerda, os media abriram os seus fóruns à discussão da Europa. E aqui se confundem simpatizantes da extrema esquerda utópica, da extrema direita agressiva, salazaristas saudosos, anarquistas enfurecidos, socialistas zangados, social democratas desapontados, etc. Todos convergem para a crítica da Europa, mas por razões diversas e, muitas vezes, inversas.

 

Vale a pena lembrar que Marine Le Pen foi uma das que mais festejou a vitória do Brexit. E pediu, de imediato, um referendo, em França, sobre a Europa. E que será, sempre, um entusiasta de um próximo referendo. Não por ser um instrumento da democracia, mas porque é uma ótima arma de arremesso, contra a democracia. Catarina não se devia esquecer disso…

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

A Geringonça vai andando…

por Miguel Bastos, em 14.04.16

geringonça.jpg

Toda a gente estava de olhos postos na Geringonça. “Não vai funcionar”; “Vai cair”; “Vai explodir”, etc. Não caiu. Até Passos Coelho admitiu que se enganou, quanto à Geringonça. Por estes dias, o governo teve graves problemas de funcionamento. Toda a gente estava de olhos postos na Geringonça. Mas o problema foi nos órgãos internos.

 

O Ministro da Cultura ameaçou dar bofetadas a dois colunistas e acabou na rua. Um dos colunistas, foi homem que inventou o termo Geringonça. Ele tem esse poder. Há ainda problemas com os militares, que, por sua vez, ainda têm problemas com os homossexuais. E, finalmente, um secretário de estado saiu do governo. O governo disse que foi por razões pessoais. O secretário de estado respondeu que não. Foi por divergências políticas.

 

Entretanto, a Geringonça continua a funcionar. As peças vão sendo substituídas, a oposição finge que se espanta e indigna, os militares fazem barulho, o mundo anda aos papéis. O mundo não pula nem avança. É como a Geringonça. Vai andando…

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tempo novo

por Miguel Bastos, em 14.03.16

Captura de ecrã 2016-03-14, às 00.21.08.png

Está aí o “tempo Novo”, de que falava Sampaio da Nóvoa. O tempo novo chegou, mas sem Nóvoa. As eleições legislativas já tinham dado uma derrota ao PS. Mas, mesmo assim, António Costa formou governo. Mesmo sem ter vencido, mesmo sem coligação. Mas com o apoio da esquerda, que esteve sempre fora do “arco da governação”. 

 

Depois disso, Marcelo venceu as eleições, sem depender da simpatia dos partidos que o apoiaram, ou toleraram. O “tempo novo”, começado com António Costa, seguiu, com Marcelo. A sua tomada de posse em vários atos, e em vários dias, apagou as últimas resistências. Em Lisboa, foi a pé para o Parlamento, teve uma cerimónia espiritual com as várias religiões e um espetáculo musical com músicos populares. No Porto, desfilou nos Aliados, telefonou para a Rádio Comercial e visitou o Bairro do Cerco, com a população a aclamar “Marcelo,Marcelo”.

 

Foi, também, no Porto (Gondomar, vá!), que o CDS elegeu a sucessora de Paulo Portas. Assunção Cristas vai-se distanciando do PSD e aproximando de António Costa , ao realçar que o voto útil já não faz sentido. O importante é quem tem condições de formar governo. Por isso, as pessoas devem votar no CDS e não no PSD.

 

Este é o “tempo novo”. Surpreendentemente, tem política. Quem diria?

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tudo na mesma

por Miguel Bastos, em 10.12.15

sondagem catolica.jpg

Tudo na mesma, como a lesma. Se as eleições fossem hoje, a coligação PSD/CDS ganhava, o PS ficava em segundo, seguia-se o Bloco, a CDU e o PAN. Todos os partidos sobem nas intenções de voto. Com excepção da CDU. Mas, como sabemos, a CDU ganha sempre. Portanto, ganham todos. São dados da sondagem da Católica (para a RTP, Antena 1, JN e DN - o gráfico é do DN).

 

Mais dados curiosos: a maioria dos inquiridos acha que Passos Coelho deveria ter sido  primeiro-ministro, que é, agora, um líder mais popular do que António Costa. A maioria dos portugueses, considera que o PS deveria ter viabilizado um governo PSD/CDS. Será que estes dados vão servir reforçar o discurso da “ilegitimidade”, da coligação de direita? Talvez. Mas há outro dado curiosos. É que, a maioria dos inquiridos considera que António Costa é melhor solução para o país, como primeiro-ministro.

 

Confuso? Talvez não. Passos Coelho é o preferido, mas se não puder ser… Em certos países viria aí uma corrente de indignação. Mas, em Portugal, tendemos a encolher os ombros. Somos um país de gente porreira.

Autoria e outros dados (tags, etc)

One night stand

por Miguel Bastos, em 11.11.15

acordo ps be .jpg

Enquanto se fingia discutir o programa do governo, foram chegando as moções de rejeição ao presidente da Assembleia da República. À tarde o governo cairia. Mas antes, pela hora do almoço, numa sala do Parlamento, sem presença de público ou jornalistas, assinaram-se  vários acordos “não sei de quê” entre o PS e os partidos à sua esquerda. Primeiro, entrou um partido e saiu. Depois, entrou outro partido e saiu. E, finalmente, o terceiro. Falaram, à vez, com o PS e nem sequer se sentaram. Enquanto o governo afirmava que caía de pé, a oposição de esquerda assinava acordos, de pé.

 

O DN considera que nem sequer se pode chamar “acordos” aos documentos. É uma “posição conjunta”, cheia de “ses” e “mas”. A “posição conjunta” compromete-se a não votar com a direita uma moção de censura, mas isso não impede que cada partido da “posição conjunta” não possa apresentar as sua própria moção de censura. Nesse caso, António Costa diz que há divórcio. Só que não houve casamento, nem união de facto, nem namoro sequer. Foi uma “one night stand”, à luz do dia. Sem tempo para sentar.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Governo cai de quatro

por Miguel Bastos, em 10.11.15

governo quatro.jpg

O governo vai cair hoje. E vai cair quatro vezes, que é para não haver dúvidas. Cai de quatro. Ontem, começou a discussão do programa do governo. O governo acaba hoje. Antes, mesmo, de começar. O debate foi pobre, com a repetição de argumentos, de parte a parte. A coligação afirma que ganhou as eleições. A esquerda que tem na maioria no parlamento. É pouco. É curto.

 

No Parlamento, os líderes das bancadas do PSD e do CDS foram aguerridos e contundentes. No PS, Carlos César ensaiou um discurso de Estado. O Público sintetizou: “Direita travestida de oposição, esquerda em pose de Governo”.

 

À noite, na TVI, Adolfo Mesquita Nunes, do CDS, colocou bem o assunto. A coligação ganhou as eleições e é verdade é que não tem a maioria. Se ela existir, à esquerda, ela terá legitimidade para formar governo. O problema é que tudo indica que nem o Bloco, nem o PCP, nem o PEV vão ter representação no governo. E aí coloca-se a questão da maioria. Não há maioria. Há um partido, que perdeu as eleições e que vai governar, apenas porque conta ter o apoio dos partidos à sua esquerda.

 

Se este governo cai de quatro, o próximo nasce feito num oito.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

A chave para Portugal

por Miguel Bastos, em 05.11.15

Captura de ecrã 2015-11-5, às 18.07.28.png

A chave para governar Portugal não está fechada a sete chaves. Está em Chaves - terra de bons pastéis e de bom senso. Chaves era uma espécie de Bélgica, onde à falta de governo, governava-se em duodécimos. De acordo com a reportagem da RTP (minuto 15), a situação não fez alarmar os mercados, mas fez parar obras e pessoal, e disparar o preço da água.

 

Em Chaves, as eleições para a freguesia da Madalena deram confusão. O PSD ganhou, mas a oposição (o MAI - Movimento Autárquico Independente e o PS ) tinha mais mandatos. De modo que, durante dois anos, a terra ficou ingovernável. O que é que mudou, entretanto? Em Chaves, fez-se um governo de unidade. O PSD ficou com a presidência da Junta e com o tesoureiro; o MAI com o secretário. A presidência da Assembleia ficou nas mãos do PS, o secretariado divido entre o PSD e o MAI.

 

Portugal inteiro (como dizia o Almada) pode seguir o exemplo? Bem, a presidência da Assembleia já está nas mãos do PS. O PSD, como ganhou, ficava com o lugar de Primeiro Ministro? António Costa, ainda pode ser o vice? E como é que fica o governo de esquerda? E o bigode, ficava para Paulo Portas?

Autoria e outros dados (tags, etc)

00Sérgio

por Miguel Bastos, em 30.10.15

00sergio.jpg

Sérgio Monteiro é o Agente Privatizador. O ex. governante vai liderar a venda do Novo Banco. Faz sentido: foi o homem que privatizou a TAP e os transportes públicos. E que reavaliou as parcerias público-privadas. É, portanto, o homem ideal? Talvez não.

 

A privatização da TAP continua polémica. A Autoridade Nacional de Aviação Civil quer saber quem é que, efetivamente, manda na TAP e (ontem mesmo) o jornal Público escrevia que os credores da TAP ameaçam anular a privatização. De resto, existe essa ameaça, caso haja um governo de esquerda. A esquerda que ameaça, ainda, reverter as concessões dos transportes públicos, em Lisboa e no Porto, feitas por ajuste direto e no final da legislatura.

 

A venda do Novo Banco também não tem sido exemplar. A pressa do governo fez cair Vítor Bento, mas o banco continua por vender. Além disso, parece, cada vez mais claro, que a venda terá custos para os contribuintes. Por fim, colocar Sérgio Monteiro a tratar da venda mostra que o governo esteve sempre envolvido no processo, ao mesmo tempo que dizia que não.

 

Por tudo isto, 00Sérgio - O Agente Privatizador tem uma Missão Impossível.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Casa dos Segredos

por Miguel Bastos, em 28.10.15

Captura de ecrã 2015-10-26, às 14.31.37.png

Esta capa do jornal i lembrou-me uma crónica de Ricardo Araújo Pereira. Diz o i: “PS só revela acordo quando a queda do governo estiver eminente”. Cito (de cor) Araújo Pereira (esse mestre da ciência política): “mas o ponto não é esse. O ponto não é esse. O ponto só eu e o Pacheco Pereira é que sabemos. E, mesmo assim, não dizemos nada a ninguém”. Ricardo antecipou António Costa e o acordo de esquerda. A coligação ganhou, mas esse não é o ponto. A alternativa existe, mas não dizemos nada a ninguém.

 

Eu sou espectador da Quadratura do Círculo. Muitas vezes, as questões de Carlos Andrade são respondidas com um “ó Carlos, eu já lhe respondo, mas…” ou “eu percebo a sua curiosidade, mas deixe-me dizer-lhe o seguinte”...  - que, geralmente, são formas de não responder. Outra expressão recorrente é “O ponto não é esse” - utilizada, sobretudo, por Pacheco Pereira e glosada pelo humorista. O “e, mesmo assim, não dizemos nada a ninguém” aplica-se, agora, a António Costa, que deixou a “Quadratura” e entrou para a "Casa dos Segredos".

Autoria e outros dados (tags, etc)

Governo para a rua!

por Miguel Bastos, em 27.10.15

governo rua.jpg

O governo é novo, toma posse na sexta feira, mas já se sabe que vai cair. Cairia sempre. Cairia, com estes ou outros ministros. Cairia, com mais (ou menos) independentes. Cairia, com mais (ou menos) CDS. Cairia, com mais (ou menos) PSD. É para cair.

 

Valerá a pena falar deste governo, que mantém grande parte do governo anterior e junta uns veteranos e uns novatos de círculos próximos dos dois partidos? Valerá a pena lamentar a perda de alguns nomes importantes (Paulo Macedo ou Pires de Lima )? Valerá a pena festejar a saída de Nuno Crato ou a chegada de um Ministério da Cultura? Para quê? Se é para cair!

 

O Presidente da República vai dar posse a este governo, e ele cai. O Presidente não quer dar posse a um governo com comunistas e bloquistas, porque ele cai. O Presidente pode dar posse a um governo de iniciativa presidencial e ele cai. Portanto, Portugal que, há quarenta anos, deu início à "terceira vaga da democratização", está nisto.

 

O “Governo para a rua!” sempre existiu. A novidade é que, desta vez, se pede ao governo para sair, antes mesmo de ele entrar.

Autoria e outros dados (tags, etc)


Mais sobre mim

foto do autor


Calendário

Setembro 2019

D S T Q Q S S
1234567
891011121314
15161718192021
22232425262728
2930

Pesquisar

  Pesquisar no Blog

Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2017
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2016
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2015
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D