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Grunholândia

por Miguel Bastos, em 12.01.26

grunholandia.jpg 

Anda muita gente preocupada com a Grunholândia.
Têm razão. É preocupante, muito preocupante.

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Bowie: 10 anos

por Miguel Bastos, em 10.01.26

 
David Bowie morreu há 10 anos. Ando a ler uma biografia sobre os Beatles. Tenho andado a ouvir Beatles, incessantemente. Devia fazer um intervalo, para celebrar Bowie. Ou, então, faço um dois em um. Cá vai ele. Bowie a cantar Beatles. Vivam ambos!L

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Tu tá mi anderstandi?

por Miguel Bastos, em 08.01.26

indomada.jpg 

O professor disse que, hoje em dia, os estudantes têm mais "awerness" da importância da comunicação, no mundo do trabalho. E acrescentou que é essencial desenvolver as "soft skills" necessárias ao "team building". Ainda o ouvi a dissertar sobre o “problem-solving". Mas, quando começou a falar de "governance", a minha cabeça já estava em "Greenville".
Lembram-se de "Greenville"? "Greenville" - ou, melhor dizendo, "Grimvili" - era a cidade fictícia da telenovela brasileira "A Indomada". Os seus habitantes diziam-se descendentes de ingleses. Falavam em português, com muitas palavras em inglês ("Uóti?") mas, sempre, com sotaque nordestino. Diziam coisas como "Tu tá mi anderstandi?" ou "Istópi. Tá na hora do meu fáivó clócki ti". Frases hilariantes que, dezenas de anos depois, eu continuo a repetir.
Temo ("Ó Xenti!") que estejamos já, todos, a morar em "Grimvili". Será? "Crosses left-handed" (esta inventei, agora, ao olhar para a imagem ) - ou seja ,"Cruzes canhoto!" Em “Grimvili”, diriam "Mái Gódi!"
 

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Um pavão

por Miguel Bastos, em 07.01.26

pavão.jpg 

Um pavão, a fazer o que os pavões sabem fazer melhor: pavonear-se.

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Conquistar o mundo

por Miguel Bastos, em 06.01.26

 

Jogaram para vencer. E vencerem. Mesmo assim, houve prolongamento. Chamaram-lhe encore. A Orquesta Sinfónica Simón Bolívar regressou ao palco, pintada com as cores da Venezuela. Gustavo Dudamel deu o tiro da partida. A Orquestra começou a tocar e, pouco depois, a dançar Ginastera. A plateia britânica respondeu, com palmas, em uníssono e em êxtase. E, então, deu-se uma invasão: do palco, para a plateia. Querem conquistar o mundo? É assim que se faz.

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A Venezuela

por Miguel Bastos, em 05.01.26

allende.jpg 

"Na década de setenta a Venezuela vivia o apogeu da riqueza do petróleo: o oiro negro brotava do seu solo como um rio inextinguível. Tudo parecia fácil; com um mínimo de trabalho e relações adequadas as pessoas viviam melhor do que em qualquer outro lugar; o dinheiro corria a jorros e era gasto sem pudor numa folia sem fim: era o povo que mais champanhe consumia no mundo". Isabel Allende descreveu, assim, a Venezuela no livro "O meu país inventado". Já o tinha feito num outro livro de características autobiográficas: "Paula". A Venezuela, de Allende, é muito parecida com a Venezuela, da minha infância. Onde se comiam laranjas da Califórnia e se vestiam camisas da Florida. Onde as mulheres desciam decotes, subiam saias e saltos, mas temiam raptos e violações. Onde os homens subiam a pulso, mas usavam o relógio do lado direito, para conservarem o pulso. Era uma forma de prevenirem assaltos, por esticão, e de evitarem que a navalha saltasse da mola, na hora de ponta. Isabel pergunta para que servia a emancipação das mulheres, a brilharem de batom e blush, se depois se trancavam em casa, a olhar o sol, atrás das grades, que cobriam as janelas do décimo andar. A Venezuela era muitas coisas: alternadas e simultâneas. Ainda é. Um país que, se não existisse, teria que ser inventado. Mas existe. Existe, para além de todas as invenções.

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