por Miguel Bastos, em 11.11.25
Neil Young faz 80 anos e eu regresso aos anos 80. Enfeitiçado, ainda, pelo álbum "Harvest", arrisquei trazer "Rust Never Sleeps" para casa. Ouvi o lado A: lá estava o trovador folk, a voz cristalina, a guitarra acústica, a harmónica. O tom intimista continuava no lado b, mas, agora, com guitarra elétrica, baixo e bateria. Na segunda música, levantei o braço do gira-discos para soprar o lixo na agulha; na terceira, a minha irmã saiu do quarto a gritar "tira essa porcaria dos Ramones"; na quarta não tive duvidas - o disco estava sujo ou estragado. Não estava. O Neil Young é que tinha um som sujo, distorcido, que não lhe imaginara. Ainda, hoje, não é o Neil Young que eu mais gosto. Mas o certo é que, quando o Pedro veio com os Jesus and The Mary Chain debaixo do braço a dizer "aposto que nunca ouviste este tipo de guitarras, cheias de distorção", eu pude responder - com aquela arrogância que os adolescentes adoram exibir - "o Neil Young já faz isso, há montes de anos" e emprestei-lhe o "Rust Never Sleeps".
Ao longo da semana, na Antena 1, o João Gobern vai evocar a carreira de Neil Young. Começa, precisamente, nos anos 80 - com folk, rock, rockabilly, eletrónica, country - para alertar que Neil Young não é, apenas, um cantor folk. É um artista de variedades. Continua Young, apesar dos 80.