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Postal de Aveiro

por Miguel Bastos, em 30.09.25

AVEIRO POSTAL DA TERRA.jpg

Pediram-me, aqui na estação emissora, para fazer um Postal da Terra. Uma terra chamada Aveiro. Aqui está ele, o Postal. Na fotografia, mais turístico é difícil.
Mas, para além do turismo, acrescentei algumas palavras sobre a construção de um hotel de 12 andares, frente à ria; a disputa de dois irmãos, pela presidência da câmara; o problema do preço da habitação e os assuntos adiados. Pediram-me (na realidade, exigiram-me) para não ir além dos 10 minutos. Consegui. Tem 9'45”. E ainda houve tempo para fados e guitarradas e Aveiro com samba no pé.
 
Para ouvir, aqui:

https://www.rtp.pt/noticias/autarquicas-2025/postal-da-terra-aveiro-desencontro-de-irmaos_a1686965

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Bryan Ferry

por Miguel Bastos, em 29.09.25

bryan.jpg 

O charmoso (e não, desta vez não falamos de Carlos do Carmo) fez anos e o João Gobern resolveu fazer-lhe uma festa, na Antena 1.
80 anos de Bryan Ferry. Para ouvir, aqui:

https://www.rtp.pt/play/p15556/e877281/bryan-ferry-80-anos

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Nylon

por Miguel Bastos, em 26.09.25

fitas.jpg 

As pessoas adoram chegar a uma cidade e conhecer as tradições locais. Em Aveiro, por exemplo, existe uma tradição muito, muito antiga, que consiste em colocar uma fita colorida de nylon, nas pontes da cidade. (Há lá coisa mais única e tradicional do que o nylon). É uma tradição que eu julgava secular, mas que, afinal, é milenar, já que nasceu neste milénio. Ah, a tradição...

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Os Beatles

por Miguel Bastos, em 25.09.25

sarah.jpg 

Não sou fã dos Beatles. Nunca fui. Ouvi-os, pela primeira vez, numa cassete do meu irmão. Gostei, mas não adorei. Na verdade, gostava mais dos Bee Gees: eram mais modernos, com os seus falsetes e ritmos "disco". Depois, encantei-me pelo mundo mágico dos Genesis: com canções que se estendiam por vários minutos, repletas de solos de teclados, guitarras e bateria, e as histórias malucas do Peter Gabriel. Isto foi antes de descobrir a revolução "punk", que trouxe uma série de músicos que defendiam um regresso do rock à simplicidade original. Nem todos queriam ser atletas olímpicos e tocar "mais rápido, mais alto, mais forte". Apaixonei-me, então, pelos Smiths que, curiosamente, me lembravam os Beatles. Surpreendi-me, quando soube que um dos guitarristas preferidos de Johnny Marr era o George Harrison. Mais tarde, fiquei a saber que os Bee Gees formaram uma banda, porque eram fãs dos Beatles - tal como os Genesis, ou muita gente do "glam", do "punk", do metal ou do gótico, e muitos músicos da clássica ou do jazz.
Percebi, então, que, independentemente de ser ou não fã, é difícil escapar aos Beatles. Olha o Bowie a cantar o "Across the Universe" e a Siouxie a reinventar o "Dear Prudence". Olha os U2 a cantarem o "Helter Skelter", o tema que "Charles Manson roubou aos Beatles" e que inspirou o "heavy metal". E o Sinatra, que pegou em "Yesterday" - a canção que McCartney escreveu no banco de trás do carro, a caminho do Algarve - e vestiu-a de "smoking". Ele que descreveu "Something" como uma das melhores canções de amor do século, sem usar a palavra "amor". E que a cantou, maravilhosamente - tal como Shirley Bassey ou Sarah Vaughan, que a gravou, num dueto com Marcos Valle (com Marcos a cantar em português). Sarah tem um disco, inteiramente, dedicado às canções dos Beatles. É tão bom que, quando comprei um para mim, comprei outro para o meu irmão. Tem 13 canções, todas boas, muito boas. E faltam tantas, tantas canções dos Beatles, que variam na classificação entre "muito boa" e "obra-prima". E eu a insistir que não sou fã dos Beatles... já nem sei porquê.

A canção "Something", cantada por Sarah Vaughan e Marcos Valle, pode ser ser ouvida aqui:
https://www.youtube.com/watch?v=cr98BJAt60A&list=RDcr98BJAt60A&start_radio=1

 

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Troglodita

por Miguel Bastos, em 24.09.25

Ontem, ouvi o discurso do presidente da República, na Assembleia Geral da ONU. Começou em inglês, introduziu o português, derivou para o francês, aflorou o espanhol, regressou ao inglês. O presidente a falar de paz e cooperação e, eu, a pensar no Jorge e no Manel. Os dois foram colegas de liceu e continuam amigos. Bom aluno, o Jorge gostava de línguas estrangeiras, foi para a universidade estudar línguas modernas, tornou-se professor. O Manel saiu cedo da escola, para ajudar o pai nas canalizações. Permanecem inseparáveis. Pensei neles, enquanto ouvia o presidente a alternar o discurso, de uma língua para a outra. Disse, um dia, o Manel - à espera da noite, numa tarde de copos

- Eh, Jorge, tu és um gajo "muita" troglodita, não és?

- Sou um gajo o quê?

- Troglodita.

- Porque é que dizes isso?

- Então, falas muitas línguas!

- Poliglota, queres tu dizer!

- Ou isso. É a "mema" m**da! É a "mema" m**da!

 

Volto a pensar na ONU. Se estiver atenta, a organização ainda vai adicionar estes dois à lista do património da UNESCO.

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Esperar sentado

por Miguel Bastos, em 22.09.25

IMG_2494.jpeg 
- Como é que é, pá, isso é para ler ou quê?
- Tenho andado muito ocupado.
- Deves andar, deves. Sabes o que eu andei…
- P’ra aqui chegar?
- Que engraçadinho!
- Vou começar a ler.
- Vais, pois. E, eu, posso esperar sentado!
- E, eu, posso começar deitado?

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E esta, hein?

por Miguel Bastos, em 18.09.25

pessa.jpg 

Acabava, sempre, da mesma maneira: "E esta, hein?" Fernando Pessa era um poeta que eu conhecia, apenas, da televisão. Tinha nascido numa casa a poucos metros da minha, mas estávamos a milhas um do outro. Ele era grande e famoso. Eu era pequeno e manhoso. As pessoas ligavam a televisão, para o ouvir. A mim, ninguém ligava nenhuma. Mas diziam, muitas vezes, que eu era uma "peça" - "saíste-me cá uma peça!" - e eu achava que isso era bom. Ser uma peça - como o outro - significava que, um dia, eu poderia vir a escrever poemas e aparecer na televisão.
Só mais tarde é que me disserem que o Pessa não escrevia poemas. "Estás a fazer confusão, Miguel". Afinal, quem escrevia poemas era outra pessoa, também Fernando. E, depois, disseram-me que essa pessoa, não era só uma pessoa, mas várias. Como assim "várias"? Tentaram-me explicar, mas eu só pensava: "E esta, hein?"

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Rei morto, rei posto

por Miguel Bastos, em 17.09.25

misia.jpg 

Chamam-lhe "desporto-rei". Talvez por praticar, repetidamente, a velha máxima "rei morto, rei posto". Ora, eu, que não sou praticante - nem de Fátima, nem de Futebol - lembrei-me de um Fado. Fala de lage. Diz assim:
 
"Meu amor deixou-me um dia
Pus a mão na lage fria
Dei-o assim por enterrado"
 
Para ouvir, aqui:

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90 anos de rádio

por Miguel Bastos, em 16.09.25

IMG_2507.jpegE, de repente, tudo se apagou: a luz, a televisão, a internet, as redes sociais, a música. O apagão apagou tudo. Tudo, menos a rádio. O jornalista João Couraceiro partiu daqui, para uma viagem aos 90 anos da rádio. A cronologia da viagem não é linear. A história tem quatro capítulos, que andam do presente ao passado. Dentro de cada capítulo, no entanto, respeita-se a ordem cronológica. Os factos históricos sucedem-se, assim, para a frente e para trás. Por vezes, parece que estamos numa montanha russa: numa sucessão de altos e baixos, ora depressa ora devagar, com curvas, à esquerda e à direita. Outras vezes, parece que olhamos o mundo a partir de um caleidoscópio, com factos que se juntam e se separam, que se interceptam e se dispersam. A Primavera Árabe que traz esperança e a Troika que a espanta. A conquista do Europeu de Futebol, a eleição de Guterres para a ONU ou a vitória na Eurovisão, que devolvem o otimismo a Portugal. Mas, depois, o país arde como sempre e mata como nunca. E quando, finalmente, parece voltar a melhorar, chega a Covid. A montanha russa continua a subir e a descer: cai o Muro de Berlim, desencadeiam-se duas guerras no Golfo; decreta-se o Fim da História e inicia-se a guerra na Bósnia; ergue-se a Expo 98 e cai a ponte de Entre-os-Rios. E a rádio sempre presente: em Chernobyl ou na praça de Tienanmen; no 11 de Setembro ou no 25 de Abril. João Couraceiro conta a história da rádio, a partir das histórias que a rádio foi contando, ao longos destes 90 anos. Com a memória que a rádio tem, com a destreza que a rádio gosta. Bravo, João! Que bela viagem.

Para ouvir, aqui:

https://www.rtp.pt/play/p15255/e866667/.no-ar

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Sigla

por Miguel Bastos, em 15.09.25
Começa, hoje, a ser ensaiado o SINACC. Para já, o SINACC vai ser testado apenas num IPO e em duas ULS: a ULSC e a ULSAA. O DESNS está convencido que o SINACC vai anular as fragilidades do SIGIC.
Adoro siglas. Fazem bem à saúde. Sigla para bingo.

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