Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]


Palavras ditas

por Miguel Bastos, em 18.07.25

miguel bastos latim.jpg 

"Verba volant, scripta manent" pode ser traduzido por "as palavras ditas voam, as palavras escritas mantêm-se". Aprendi a expressão com uns amigos, no liceu. Eles, sim, aprenderam latim. Eu, não, limito-me a gastá-lo.
Achei graça vestir uma camisola, que diz que a palavra escrita é a que tem mais valor, e, depois, trazê-la para a casa da palavra dita.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Roberto Carlos

por Miguel Bastos, em 16.07.25

IMG_2249.jpeg 
- Então, mãe, já ouviste o disco do Roberto Carlos?
- Já.
- E gostaste?
- Gostei... quer-se dizer... gostei...
- Pelos vistos, não gostaste muito.
- Gostei. Mas, pensei que tinha aquelas canções mais conhecidas!
- Como assim? Esse é o disco das "Baleias", do "Emoções", do "Cama e Mesa"...
- É bonito, mas gosto daquelas mais antigas.
- Mais, ainda, mãe? Esse disco tem 45 anos!
- Tem? Gostei, mas há aquelas cantigas...
- Tipo "Ai flores do verde pino! / se sabedes novas do meu amigo! / Ai Deus, e u é?"
- Hã? Isso é o quê?
- É D. Dinis, mãe. Não sei se é antigo que chegue...


Autoria e outros dados (tags, etc)

Encantar ou conquistar?

por Miguel Bastos, em 14.07.25

julio iglesias.jpg 

"Imaginemos uma biografia de Marco Paulo escrita por Pedro Mexia", lê-se na contracapa do "Espanhol que encantou o mundo": Julio Iglesias. É um livro extraordinário. Não é o retrato de um cantor, nem de uma celebridade. É muito mais vasto e profundo. Mergulha no caldeirão familiar, cultural e político de Espanha, para perceber de onde veio Julio Iglesias, por onde e para onde foi, e porque se tornou naquilo em que se tornou. Nunca foi um acaso. Foi sempre fruto da sua vontade.
 
O cantor espanhol "encantou o mundo", porque usou a sua capacidade de encantamento, para as suas conquistas: dinheiro, fama, glória, poder. A ambição de conquistar o mundo, não é musical, nem artística. É uma conquista, estudada e desenhada, com o rigor estratégico de um militar, de um político, de um magnata, de um autocrata, de um oligarca - que se coloca, a si próprio, no centro de tudo. A sua mudança para os Estados Unidos fez parte desse plano. A compra das "villas", dos "Rolls Royce", dos iates e jatos privados, também. Bem como, o lançamento do seu primeiro disco em inglês, recheado de vedetas americanas. Nessa altura, Julio já era - ele próprio - uma vedeta internacional, uma marca, uma empresa multinacional.
 
Para lá chegar e para se manter lá, construiu um exército de assessores, relações públicas, empresas e empresários, que teceram uma rede de cumplicidades com outros empresários e políticos. Muitos habitam a sua casa, que não é bem casa, é um quartel-general com cozinheiros, motoristas, mordomos, carros de luxo, familiares e um entra e sai de mulheres - muitas mulheres - que se passeiam na cama e lhe alimentaram o ego. No meio disto tudo, onde ficou a música? No lugar secundário, que este livro procura respeitar.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Reproduzir

por Miguel Bastos, em 11.07.25

- Não sei reproduzir 'tintim por tintim', mas é como te estou a dizer.
- (...)
- Olha, ele chegou. Lembras-te do que tínhamos falado?
- Sobre...?
- Sobre os pedidos de férias?
- Mais ou menos.
- Consegues reproduzir?
- Acho que não.
- Porquê?
- A minha mulher está fora e sozinho é mais difícil.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Brincar com bonecos

por Miguel Bastos, em 10.07.25

EXPOSIÇÃO LUIS MIGUEL CINTRA.jpg 

 

Quando era criança, o pequeno Robert gostava de brincar aos padres. Transformava a tábua de passar a ferro, num altar para a homília. O episódio é relevante, para perceber a vocação precoce. O pequeno Robert, transformou-se no Papa Leão XIV.

Quando era criança, o pequeno Gustavo espalhava bonecos, à sua volta. Dispunha-os em semicírculo e, depois, fingia que eram músicos de uma orquestra, que ele dirigia com gestos de maestro. Dudamel transformou-se num dos maiores maestro do mundo e, até, já dirigiu um concerto para um Papa: Bento XVI.

Luís Miguel Cintra já era grande, quando começou a juntar figuras de cerâmica, que foi espalhando pela casa. Ator e encenador, nos palcos, Luís Miguel gostava de encenar cães de loiça, santos e anjinhos, em casa. Os "trastes velhos" (expressão do próprio) podem ser vistos numa exposição, na Casa do "seu" cineasta de eleição: Manoel de Oliveira.

Para ouvir, aqui:

https://www.rtp.pt/noticias/cultura/exposicao-luis-miguel-cintra-pequeno-teatro-do-mundo-abre-em-serralves_a1668111

Autoria e outros dados (tags, etc)

Julio Iglesias

por Miguel Bastos, em 09.07.25

julio iglesias.jpg 

Venho, por este meio, informar Vossas Excelências, que o cantor Julio Iglesias não me interessa nada.
Obrigado.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Alberto Souto

por Miguel Bastos, em 07.07.25

alberto souto.jpgNasci numa casa velhinha. Numa zona que, aos meus olhos de criança, era uma espécie uma aldeia gaulesa, no centro da cidade. Gostava muito "da minha alegre casinha". Tinha três pisos: o melhor era o primeiro “a contar vindo do céu". Mas tinha um problema: à semelhança do chefe dos gauleses, que temia que o céu lhe caísse na cabeça, eu temia que o teto da minha alegre casinha me caísse em cima e me aleijasse a cachimónia. De modo que, continuando a gostar da minha, comecei a olhar para as casas vizinhas, menos velhinhas, nas ruas vizinhas. Ruas com prédios de azulejo e elevador, com títulos académicos e nomes estrangeiros cheios de pinta: Rua Engenheiro Von Haffe ou Rua Engenheiro Oudinot. Havia outra rua que, não tendo nome estrangeiro, parecia estrangeira. Também tinha prédios modernos e tinha passeios grandes, para brincar, e árvores pequenas, para dar sombra, no verão, e luz, no natal. E tinha lojas modernas: uma de roupa, outra de móveis, uma galeria de arte, um self-service, um café, uma pastelaria, um cabeleireiro, uma gelataria, uma discoteca. Só lhe faltava um Centro Comercial, que, entretanto, chegou. E um arranha-céus - como na América - que, entretanto, também chegou. É certo que, afinal, não fizeram uma piscina no último andar (que pena, ia ficar mesmo fixe!). E que, afinal, aquilo já não é a rua Alberto Souto (pormenores, sem a mínima importância). Eu já tinha passado a sonhar com uma casa (um apartamento, à maneira!) na Rua Alberto Souto, que - bem vistas as coisas - nem parecia uma rua, mas duas. Um "L", que desenhava uma espécie de praceta. Para nos orientarmos, eu e os meus amigos começámos a distinguir a rua "Alberto", da rua "Souto": até à esquina, era Alberto; depois da esquina, era "Souto". Mas não resultava, porque dependia do ponto de partida: "de quem vem da Avenida?" ou "de quem vai da Oudinot?". Dava sempre risada, entre nós. Mais tarde (muito mais tarde), fiquei a saber quem era o senhor que dera nome à(s) rua(s). E, entretanto, apareceu outro Alberto, com o mesmo nome de família, a querer ser presidente. E foi. E quer voltar a ser. Mas, agora, há outro que, não tendo o nome da primeira rua, tem o nome da segunda: Souto.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Glamour

por Miguel Bastos, em 04.07.25

cocktail.jpg 

Depois de uma jornada, na Antena 3
Um cocktail, ao fim da tarde

Autoria e outros dados (tags, etc)

Algoritmo

por Miguel Bastos, em 04.07.25

 

Esta semana, por causa dos 80 anos de Debbie Harry, andei a ouvir os Blondie no computador. E a ter problemas com o algoritmo. Eu a pedir "Bota aí o 'Heart of Glass', 'fachabôr'!". E ele "Com certeza". Mas, logo a seguir, "Tomei a liberdade de lhe sugerir a 'Serenata para cordas', de Dvořák". E eu "Pois, mas não quero. Quero o 'Call me', ok?". E ele "A sua solicitação foi atendida. Agora, sugiro a suíte 'Os Planetas', de Holst". E eu “Mas pensas que estás na Gulbenkian, ou quê? Tens aí o 'Atomic'?". E ele "Tenho". E, depois, "Também tenho 'O Barbeiro de Sevilha', de Rossini". E eu, "Ai, o caraças...".
Portanto, cuidado, meus amigos. O algoritmo tem a mania que é esperto. Ou, então, tem a mania que somos espertos. O que, ainda, é pior.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Menina da Ria

por Miguel Bastos, em 03.07.25

menina.jpg

Autoria e outros dados (tags, etc)

Pág. 1/2



Mais sobre mim

foto do autor


Calendário

Julho 2025

D S T Q Q S S
12345
6789101112
13141516171819
20212223242526
2728293031

Pesquisar

  Pesquisar no Blog

Arquivo

  1. 2026
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2025
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2024
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2023
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2022
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2021
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2020
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2019
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2018
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2017
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2016
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2015
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D