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Eutanásia

por Miguel Bastos, em 31.01.23

O Tribunal Constitucional (TC) considerou a eutanásia inconstitucional. O texto, defendeu o TC, tem uma "intolerável indefinição". Que "indefinição" é essa, que é tão "intolerável"? Bem, diz o TC, é o "e" .
Concretizando: o texto refere "o sofrimento físico, psicológico e espiritual" - o que levanta, diz o TC, "interpretações antagónicas". E questiona: "A exigência é cumulativa ou alternativa"? É que, diz o TC, no primeiro caso, temos "sofrimento físico, mais psicológico, mais sofrimento espiritual". No segundo, continua a dizer o TC, temos "tanto o sofrimento físico, como o psicológico, como o espiritual". Soa a Kafka? Talvez. Mas soa, sobretudo, a trabalhador da restauração: "Quer um copo de água ou um copo com água"? O meu pai, que trabalhava na restauração, nunca disse essa piadinha. Mas dizia, frequentemente, a expressão: "Nem o pai morre, nem a gente almoça".

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Shakira, Shakira!

por Miguel Bastos, em 30.01.23

"Shakira, Shakira!", dizia o rapper de gosto questionável, num tema de gosto questionável. "Devem ser duas", pensei. São duas. A primeira, conhecia-a algures nos anos 90 e achei-lhe graça. A segunda, não gostei nem um bocadinho. Era a cantora de "Whenever, Wherever". A canção pingava, várias vezes por dia, numa rádio inundada de azeite - que eu era obrigado a ouvir, por motivos profissionais. Uma dessas Shakira entrou, depois, na banda sonora do filme "O Amor nos Tempos de Cólera". Terá sido uma proposta do próprio Gabriel García Márquez. Na altura, o escritor afirmou que Shakira era uma das grandes cantoras da atualidade e um símbolo da nova sensualidade colombiana. "Coitado", pensei, "está velhinho"! Fui ouvir a banda sonora e... o velhinho tinha razão. Esta Shakira, é maravilhosa. A outra, não me interessa. Terá sido essa, que se separou do jogador de futebol e fez uma música sobre isso ("Fraquinha, fraquinha!"). Não gosto dessa, gosto desta. Ele há gostos... e Hay amores.

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A Lisboa de Eugénio

por Miguel Bastos, em 23.01.23

Para celebrar os 100 anos de Eugénio de Andrade, a minha rádio andou a passar músicas com as palavras do poeta. Esta foi uma das que ouvi. E lembrei-me que esta foi, talvez, a primeira vez que entrei em contacto com a sua poesia. Os Trovante voltaram, várias vezes, à grande poesia portuguesa. Por vezes, com resultados épicos. Não é o caso desta canção. "Lisboa" é "Descalça e leve": como o poema de Eugénio, como a poesia de Eugénio.
 
LISBOA
 
Alguém diz com lentidão:
"Lisboa, sabes..."
Eu sei. É uma rapariga
Descalça e leve,
Um vento súbito e claro
Nos cabelos,
Algumas rugas finas
A espreitar-lhe os olhos,
A solidão aberta
Nos lábios e nos dedos,
Descendo degraus
E degraus
E degraus até ao rio.

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Uma casa para Eugénio 2

por Miguel Bastos, em 22.01.23

 arnaldo saraiva.jpg

Durante vários anos, os amigos procuraram uma casa para o poeta, no Porto. E encontraram uma casa, na Foz, que foi, também, a sede da Fundação.
 
A morte do poeta, há quase 20 anos, fez extinguir a Fundação e o espólio de Eugénio de Andrade deixou de ter casa.
 
"Uma casa para Eugénio" é uma reportagem do jornalista Miguel Bastos, com sonoplastia de Rui Fonseca.
 
Para ouvir: clique na imagem ou no link.

https://www.rtp.pt/noticias/cultura/uma-casa-para-eugenio_a1461353

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Dentes pretos

por Miguel Bastos, em 20.01.23

terror grande.jpg 

Depois do papel higiénico preto, eis que inventaram a pasta de dentes preta. Muito giro. Deixa os dentes pretos, para brincar aos filmes de terror. Deixa o lavatório preto, para brincar aos mecânicos da Marateca. Depois, é brincar às lavadeiras de Caneças, na Aldeia da Louça Branca: "Água fria, da ribeira..."   

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Uma casa para Eugénio

por Miguel Bastos, em 18.01.23

poetas.jpg 

Nesta altura, Arnaldo ainda era jovem e os poetas ainda eram vivos: Herberto Helder, à esquerda; Eugénio de Andrade, ao centro; Arnaldo Saraiva, à direita, que dedicou grande parte da sua vida ao segundo. Recebeu-me em sua casa, para começarmos a celebrar o centenário de Eugénio. A reportagem passa esta quinta-feira, depois das 10 da manhã, na Antena 1. Chamei-lhe "Uma casa para Eugénio". Obrigado Arnaldo Saraiva, Fernanda Ribeiro, João de Mancelos e João Rapagão, pela generosidade. Obrigado, António Jorge, pelo desafio. Obrigado, Rui Fonseca, pelo talento.

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Os arquitetos

por Miguel Bastos, em 16.01.23

rapagao.jpg 

Normalmente, os arquitetos fazem casas e museus e teatros e hospitais e essas coisas importantes.
Mas, por vezes, são interrompidos por jornalistas.
Nesses dias, passeiam em cemitérios e jardins e tiram fotografias.
  - Importa-se? - pergunta-me o arquiteto João Rapagão.
  - Claro que não. Temos que fingir que estamos a trabalhar?
  - Acho que não é preciso.

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Adeus, Hernâni Santos

por Miguel Bastos, em 14.01.23

hernani santos.jpg

- Estou a falar com o Miguel Bastos?
Ainda demorei um ou dois segundos a pensar de quem seria aquela voz da BBC, com um domínio perfeito da língua portuguesa: "Hernâni Santos?!"
- Fala Hernâni Santos, o seu formador...
- Não precisa de dizer quem é - atalhei - essa voz é inconfundível.
- Estou-lhe a ligar, porque estão a precisar de jornalistas para a Antena 1 e eu lembrei-me de si.
Não consegui esconder a minha excitação e lá fui eu a uma espécie de conversa que, afinal, não era uma entrevista de emprego. De modo que, sem emprego, resolvi fazer um conjunto de pequenas coisas: telefonei ao Hernâni Santos, voltei para a minha cidade, arranjei uma casa e um trabalho e casei-me. Poucos meses depois, o senhor jornalista - com voz de BBC e língua de Camões - voltou-me a ligar.
- Miguel Bastos?
- Bom dia, Hernâni Santos! Como está?
- Estou bem, obrigado. Já está a trabalhar?
- Sim, felizmente.
- Então, se calhar, já não tem interesse.
- Diga, diga...
- Sabe, voltaram-me a ligar da Antena 1. Parece que, desta vez, é a sério. Está interessado?
- Estou sempre interessado.
- Posso indicar o seu nome?
- Claro que sim. E obrigado por se lembrar de mim.
- Ora essa! Nunca me esqueço dos meus alunos.
- Ainda bem, mas ao fim deste tempo todo...
Ao fim deste tempo todo, estou na rádio. Continuo a estar. Com uma enorme gratidão a um senhor alto, forte, de postura militar e mau feitio. Mas, também, exemplar, rigoroso, solidário, atento, astuto. Hernâni Santos, um mestre - com voz de BBC e língua de Camões. Obrigado. Muito obrigado!
 
https://www.rtp.pt/noticias/pais/morreu-o-jornalista-hernani-santos_v1460048

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Desordem e retrocesso

por Miguel Bastos, em 12.01.23

brasilia.jpg 

O presidente do Brasil tocou num ponto-chave: "com a bandeira nacional nas costas ou com a camiseta da seleção brasileira, para se fingir de nacionalista, para se fingir de brasileiro, façam o que eles fizeram hoje." A questão não é estética, é ética. E é política. O populismo tende a apropriar-se de valores e símbolos nacionais, que representam a identidade e a unidade de um povo. Ao fazê-lo, excluem os outros desses mesmo valores. Ao vestirem a "Ordem e o Progresso", da bandeira do Brasil, estão a sugerir que os outros estão contra esses valores. Eles são os representantes da Nação. Não são, diz Lula. E vai mais longe: fingem-se. Fingem-se de nacionalistas. Fingem-se, até, de brasileiros. Convenhamos, é difícil entender como é que alguém se assume como nacionalista, enquanto ataca as instituições da Nação. Mas já o vimos, recentemente, no país que gosta de se apresentar como farol da democracia. É o país que o antigo presidente do Brasil escolheu para ter uma dor de barriga. Durante a Segunda Guerra Mundial, o Reino Unido teve problemas com os nacionalistas que, para defenderem os (alegados) valores da nação, colaboraram com a Alemanha Nazi. Não acabaram bem. Os partidários da "Ordem e o Progresso" mostraram, sem sombra de dúvidas, quem eram e ao que vinham. Eles não querem "Ordem e o Progresso". Quem a Sua "Ordem e o Progresso". Caso contrário, estes partidários partem tudo. Devia ser surpreendente, mas não é.

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Bowie - Sete anos

por Miguel Bastos, em 08.01.23

Bowie morreu, há sete anos.
Sete anos depois, continuo sem conseguir ouvir "Blackstar" - o requiem de Bowie, que me deixou com um nó na garganta.
Sete anos depois, ouço "Seven": "seven days to live my life / Or seven ways to die". Sete.

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