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Um arquiteto que é pessoa

por Miguel Bastos, em 28.12.17

aires mateus premio pessoa.jpg

O arquiteto Manuel Aires Mateus foi distinguido com o Prémio Pessoa 2017. A entrevista, deste fim de semana, no Expresso, é uma delícia. Gosto da forma como fala da sua família (o avô, os pais): entre o pragmatismo e o espírito artistico; entre o salazarismo e a extrema-esquerda. Da forma como fala do seu irmão Francisco, que também é arquiteto, mas possuidor de vários talentos. É impossível separar a sua vida, da sua arquitetura ligada à terra: tem muita obra no estrangeiro, mas a sua obra, diz o arquiteto, é sempre "daqui".

 

E a sua vida também é aqui. "O que é que verdadeiramente lhe interessa na vida?", pergunta-lhe o jornalista Valdemar Cruz. "A vida", responde, "Adoro viver". E acrescenta: "Mas sou uma pessoa de uma banalidade extrema. Cresci, estudei, casei aqui, tive os meus filhos aqui." Num país mediano, onde todos querem ser excecionais, há um arquiteto, que é dos melhores do mundo, que diz "Adoro tudo aquilo que as pessoas adoram, mas ao mesmo tempo adoro sentar-me aqui e ficar aqui a pensar".      

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Relação umbilical

por Miguel Bastos, em 28.12.17

marcelo barroso.jpg

A relação, entre Eduardo Barroso e Marcelo Rebelo de Sousa, sempre foi umbilical. Até hoje, era uma maneira de dizer. Uma figura de estilo, para falar de dois amigos que se conhecem desde a creche. Mas, esta tarde, a relação, umbilical, foi consumada. Eduardo operou Marcelo, ao umbigo.

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Bruno

por Miguel Bastos, em 26.12.17

O IPMA confirmou esta tarde: a depressão Bruno não tem nada a ver com o Sporting.

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Vamos "lá fora"

por Miguel Bastos, em 22.12.17

Puigdemont quer resolver a questão da Catalunha: "lá fora", com Rajoy. Vamos resolver isto "lá fora" é uma coisa que soa a macho latino à pancada, junto à taberna. Mas, vindo destes dois, será uma coisa diferente. Antes do "lá fora", Puigdemont vai esperar - até ter a certeza que ninguém o vai magoar. E Rajoy vai estudar a constituição - para ter a certeza que os hematomas estarão de acordo com as regras.

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Catalunha dividida a meio

por Miguel Bastos, em 21.12.17

catalunha.jpg

Valência, Fevereiro de 2017. Dois estrangeiros conversam sobre a independência da Catalunha. Um é português. A outra é francesa. A conversa começa a ficar acesa. Porquê tanta paixão? Bem, o português em questão sou eu: o que olha de fora. Mas, a francesa olha por dentro. Vive em Barcelona, há 20 anos. Mais, é neta de um velho republicano catalão, que fugiu ao regime de Franco. Para ela Barcelona é a cidade, historicamente, oprimida por Madrid - a capital do regime fascista. Ela é a favor da independência. 
 
Mas, Franco já morreu. E Espanha é uma democracia europeia, há mais de 40 anos.   
 
Faço perguntas sobre a língua: vão deixar de usar o espanhol, uma das línguas mais faladas do mundo? Vão perder a ligação privilegiada com a América latina? Ou mantêm a comunicação com os países estrangeiros, com o recurso à língua do "colonizador"?
 
E o que vão fazer ao espanhóis que vivem na Catalunha? E aos catalães que vivem noutras regiões de Espanha? E aos catalães que são da Catalunha e são contra a independência? Vão ter que optar por uma nacionalidade? Vão ser deportados? Vão ser emigrantes?   
 
E como é que vai ficar a relação com a União Europeia? ( O resto de) Espanha vai votar contra a adesão da Catalunha e muitos países também. E seguiram-se muitas outras perguntas: da moeda, à defesa, ao campeonato de futebol. 
 
A minha amiga começou a ficar aborrecida. Ela acha que eu não percebo nada. Tem razão. Não percebo nada. Daí as questões. Questões que continuam a não ser debatidas. É pena. Hoje vota-se, para separar a Catalunha, de Espanha. Mas é a Catalunha que está dividida a meio.

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O sorriso de Centeno

por Miguel Bastos, em 06.12.17

centeno presidente.jpg

Foi surpreendente assistir às reacções do Presidente da República e dos partidos políticos (com excepção do PS) à eleição de Mário Centeno para a presidência do Eurogrupo. Marcelo veio lembrar que Centeno só é presidente porque é ministro das Finanças. (Centeno sabe disso. Afinal, o Eurogrupo é o grupo onde se reúnem os ministros das Finanças da Zona Euro). O Bloco e o PCP salientaram que Centeno vai trabalhar para uma Europa que defende a austeridade e o liberalismo económico e que é o novo rosto das políticas erradas. O PSD e o CDS vieram dizer que iam estar atentos, porque não se pode ser rigoroso na Europa e desleixado em Portugal.

 

Portanto, os líderes Europeus, que inicialmente tiveram dúvidas em relação a Centeno, votaram na sua eleição, deram sorrisos e parabéns. Já os políticos portugueses, começaram a ter dúvidas, fecharam o rosto e resolveram lançar avisos e ameaças. Podiam, ao menos, ter disfarçado. Atualmente, há imensas soluções farmacológicas para a azia. Mas, não devia ser preciso. O sorriso de Centeno devia bastar.

 

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Zé Pedro

por Miguel Bastos, em 04.12.17

ze pedro.jpeg

Miguel Bastos: ... Vamos agora falar do seu irmão, enquanto "o Zé Pedro dos Xutos". Não é o cantor, não é o compositor, não é o guitarrista principal. E, no entanto, é, talvez, a figura mais emblemática da banda. Porque é que acha que isso acontece? Ou, se preferir, o que é que o Zé Pedro tem de especial?   

 

Helena Reis: Eu acho que ele foi sempre o que acreditou mais. Ele queria ter uma banda e queria que ela fosse relevante. Quando os outros lhe lembravam que ainda nem sabiam tocar como devia ser, ele respondia: "temos que ensaiar mais! Nós vamos conseguir e tal..." Ele acreditava sempre. E tinha muita energia, para incentivar toda a gente. 

 

Miguel Bastos: No palco ou fora dele?

 

Helena Reis: Em todo o lado. Ele sempre teve muita facilidade em comunicar com os fãs, no palco, depois dos concertos...  E com as pessoas do meio: jornalistas, agentes, editores,  músicos de outras bandas. Ele sempre foi muito comunicativo. Tem muita energia e adora aquilo que faz. E acho que as pessoas reconhecem esse entusiasmo, essa energia.

 

E é isto. Há pessoas que ficam conhecidas por aquilo que fazem. Outras, por aquilo que são.

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