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O Salvador da Canção

por Miguel Bastos, em 21.02.17

salvador da canção.jpg

Tinha pensado em escrever sobre o Festival da Canção. Mas mudei de ideias, por causa do Salvador. Dizia ele que, talvez, as pessoas também gostem de alguma calma, de algum espaço. Algumas das canções da primeira eliminatória do Festival sofrem do problema de costume: muita orquestração supérflua, muito gente a cantar alto, muita pompa sem circunstância. O Festival, pensa-se, é um espetáculo de luz e cor. E, portanto, quanto mais, melhor. E depois, chega o Salvador - o mano da Luísa: desajeitado, desalinhado, desajustado. E passa a eliminatória, porque canta bem, e tem uma boa canção.

 

Toda a gente tem uma ideia sobre como é que devia ser o Festival : mas nenhuma é igual à do vizinho. Uns acham que deve ser moderno; outros acham que deve respeitar a tradição. Uns acham que importa ter “grandes vozes”; outros acham que o que importa é a canção.

 

Talvez Salvador não tenha opinião. Ficamos com a ideia que não. Ele só quer cantar uma boa música. E, com isso, salvou o Festival.

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Radio Ga Ga

por Miguel Bastos, em 13.02.17

É um dos maiores sucessos dos Queen. “Radio Ga Ga” fala da rádio: da forma como foi perdendo influência para a televisão, e, mais tarde, para a MTV - a televisão dos telediscos, que colocou a música num lugar secundário. Os Buggles já tinham avisado: “Video killed the Radio Star”. Mas foi manifesto exagero. Não morreu ninguém. A televisão dos vídeos é que anda a passar mal. Coitada!

 

Mas, Radio Ga Ga, é também uma critica à rádio. Porque foi perdendo a vontade de arriscar, de inovar. Foi perdendo diversidade e ousadia. Foi-se formatando até se tornar uma caricatura, de qualidade duvidosa. A rádio é, como diz a canção, “Ga Ga”, “Gu Gu”, “Blah Blah": para criaturas que ainda não dominam a oralidade. Curiosamente, a rádio adorou o tema. E “Radio Ga Ga” passa, abundantemente, no tipo de rádio que a canção critica.

 

“Radio Ga Ga” com o seu vídeo com imagens do filme “Metropolis”, de Fritz Lang; com referencias à Guerra dos Mundos de H.G Wells, levada para a rádio por Orson Welles; com um refrão orelhudo; com 72 mil pessoas a cantar e a bater palmas, em uníssono, no Live Aid; tornou-se um dos maiores sucessos dos Queen. Apetece ouvi-la, no Dia da Rádio.

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Trabalhar nas Óperas

por Miguel Bastos, em 03.02.17

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Comecemos pelo estereótipo: a ópera é uma música cantada por pessoas com excesso de peso e de voz. As vozes são demasiado grossas ou demasiado estridentes. As histórias ou andam à volta de amores impossíveis e crimes passionais; ou guerras entre famílias ricas ou deuses gregos. As letras são em italiano ou alemão. E cantarem uma palavra, estendendo-a durante dois minutos, também não ajuda. Cheira a mofo. É de outro tempo.

 

E, no entanto, a ópera mexe-se.

 

A RTP2 tem estado a transmitir "Isto é ópera", de Ramon Gener. No último programa, Gener falou de Händel, o alemão que introduziu a ópera em Inglaterra. O apresentador (que é cantor e pianista) passeia-se por Londres, vai a lojas de bugigangas, anda de metro, ao som de pop, rock e jazz. Mostra a casa de Händel, encostada à casa de Jimi Hendrix. Vai ao West End, para contar que foi Händel que antecipou os musicais. Explica, com a ajuda de uma navalha e uma noz, como se castravam os cantores. Põe as pessoas a ouvir música clássica, de auscultadores, no meio da rua. E é assim, que as pessoas descobrem que Händel é o autor da música da coroação britânica ou do hino da liga dos campeões. 

 

E, finalmente, Ramon sorri. Sorri muito. Fazendo da divulgação da música, um exercício de paixão e alegria. Tudo aquilo que não associamos à ópera. Trabalha nas óperas, no duro, porque sabe que nós somos uns preguiçosos. Mas com um coração, pronto a ser seduzido.

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Questão de vida ou morte

por Miguel Bastos, em 02.02.17

eutanasia.jpg

Há uns anos falava-se muito de temas fraturantes. O termo veio do PS, mas passou a ser associado também (ou, sobretudo) ao Bloco de Esquerda. Desta vez, o tema “fraturante” é a Eutanásia. Discutiu-se hoje, na Assembleia da República. Ou, pelo menos devia-se ter discutido. É que, às vezes, fica a sensação de que nem vale a pena discutir. Toda a gente já sabe tudo. Dentro e fora da Assembleia. Há 10 anos, vimos cartazes com imagens de bebés com mais de seis meses de gestação, a pedirem aos pais para não os matarem nos cartazes. Hoje, tivemos este sinal de STOP. Afinal quem é que fratura?

 

Para algumas pessoas, parece que se vai começar a matar gente: a torto e a direito; e dentro da legalidade. Vão-se usar os mesmos argumentos de outras batalhas. A interrupção voluntária da gravidez ia acabar com o nascimento de bebés. O casamento de pessoas do mesmo sexo ia acabar com a procriação. A procriação medicamente assistida ia acabar com o sexo. É incrível como é que ainda há gente em Portugal!

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