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Olhe que não, D. Helena!

por Miguel Bastos, em 25.11.16

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A D. Helena era uma crente fervorosa do PSD. Mas afirmava, entre duas vassouradas, que não gostava do Marcelo. Porque não percebia nada do que ele dizia. “Olhe que não, D. Helena!", repetia-lhe eu, "Olhe que não”. Mas ela não cedia. Gostava do Santana, que, ainda por cima, era mais giro. Estávamos, ainda, na ressaca do cavaquismo. Rebelo de Sousa liderava o PSD, mas não o coração das donas helenas. Nessa altura, difundiu-se a ideia que, sendo um intelectual, Marcelo não chegava ao povo.

 

E, de facto, Marcelo chegava, com facilidade, às páginas dos jornais; aos microfones da rádio; aos corredores do poder; às mesas dos pensadores e dos conspiradores. Mas não conseguia “subir ao povo”, como diz o Carlos do Carmo. Isso mudou, claro.

 

Hoje, Marcelo bate recordes de popularidade. O Presidente da República tem uma avaliação positiva de 97% dos inquiridos pela sondagem da Católica (para a Antena 1, a RTP, o JN e DN). A popularidade de Marcelo coincide com uma altura em que se fala de populismo. São coisas bem diferentes. Estou, até, convencido que ser popular pode ser um antídoto contra o populismo.

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São todos iguais?

por Miguel Bastos, em 22.11.16

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"São todos iguais! Querem é tacho! Só pensam neles! Só falam connosco para pedir votos! Eu não voto! Não quero saber! São todos iguais!" Não é verdade. Os políticos não são todos iguais. É verdade que são parecidos. E, às vezes, são tão parecidos, que parecem iguais.

 

O fim do império soviético e da guerra fria, e a vitória do capitalismo, fez-nos dispensar a Política e tornou os políticos ainda mais iguais. Durante um tempo pareceu que se devia tomar decisões, apoiadas, apenas, na técnica. Cresceram os mercados e os tecnocratas. Diminuiu a lei, o Estado e a política. Desapareceu a ideologia.

 

E foi crescendo a demagogia, o populismo, que descamba, facilmente, para o racismo e a xenofobia. Os políticos não são todos iguais. Basta olhar para Trump, Farage, Boris Johnson, Marine Le Pen, Putin, Viktor Orbán. O que me deixa triste é que eu sempre achei que as pessoas mudariam de opinião, com os bons exemplos. Não mudaram. Ao menos, que mudem com os maus.

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Um rapaz chamado Soares

por Miguel Bastos, em 21.11.16

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Durante muitos anos, agarrei-me a Mário Soares. Tinha lido, num jornal, que Soares, sempre fora atento e curioso, mas nunca tinha sido grande aluno. O artigo dizia que havia alunos que não eram bons, porque não queriam saber de nada; e alunos que não eram bons, porque queriam saber de tudo. Era o caso de Soares. Eu assumi que era um desses: “um aluno-Soares.”

 

Até que descubro, na (excelente) biografia de Soares, de Joaquim Vieira, que o jovem Soares não se interessava por nada. Não gostava de estudar, não sentia curiosidade por nada, que não fosse política. Seria, então, um teórico fascinado pela grandes narrativas políticas? Não, não tinha paciência, gostava mais de acção. Que tipo de acção? Queria ser um grande professor, gerir a escola do pai? Não era bem isso. Queria ser engenheiro ou arquiteto, fazer estradas e pontes? Não, não tinha competências técnicas para isso, nem queria ter. Acção armada? Nem pensar, não é do seu género. Nem sequer irá à tropa. Acção, para Soares, era fazer papéis, colar cartazes, viajar, fazer contactos, fazer discursos. Ou seja, além de ter sido, sempre, um menino-família; Mário Soares já era um boy, numa altura em que não havia “jotas”, nem partidos.

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Raios te partam, Ágata

por Miguel Bastos, em 19.11.16

Raios te partam, Ágata!  .jpg

Ágata resolveu acrescentar profundidade ao universo fútil de Leonard Cohen. Vai daí, anunciou uma nova versão de “Hallelujah”. Diz Ágata: “Não foi por ele ter partido que gravei o tema”. Raios te partam, Ágata! Mas, quem é que iria pensar numa coisa dessas? Não nos esquecemos da cantora que disse, em tempos, que “uma mulher deve ser sensual, até a pôr a mesa”. E, vai daí, Ágata resolveu vestir uma toalha de mesa de natal (daquelas prateadas e brilhantes) e pôr uma unhas no mesmo tom. Mas, deixou um decote sensual, para provar que é sempre consequente com as suas afirmações. Depois, foi só acrescentar seis crianças com ar de anjinho e voz de catequese, e um altar em azulejo e talha dourada. Coisa mais linda. Aprende, Leonardo!

 

Por uma vez na vida, Ágata deixa o universo lírico de “Perfume de Mulher”, “Mãe solteira” e “Comunhão de bens”, e mergulha no universo de um cantor popular. É assim mesmo. A cantora não tem preconceitos. Nós também não. Temos é medo. O que é que se vai seguir? Donald Trump a cantar “First we take Manhattan”?

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Idade do Ferro

por Miguel Bastos, em 14.11.16

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Rita Ferro resolveu escrever um livro sobre o seu avô: António Ferro. O homem da propaganda de Salazar tentou criar uma política que moldasse a cultura e as artes ao regime. O projeto era  característicos dos regimes totalitários que grassavam a Europa dos anos 30 e 40: em Itália, na Alemanha, na União Soviética. Fiquei com algumas reservas, relativamente a Rita Ferro: o livro é um romance histórico (não será o meu género preferido) e o DN colocava como título da entrevista “Ainda há gente que quer matar-nos por causa do nosso avô António Ferro”. Achei exagerado.

 

Tinha lido a entrevista de manhã, em papel, mas, quando, ao final do dia, passei pela edição on line do DN reparei que o texto tinha muitos comentários. Não sei o que achei mais lamentável: se os comentário a criticar a autora, por ser neta de um fascista e não fazer a sua autocrítica; se os que apoiavam a autora, criticando a “corrupção” da democracia e defendendo a ditadura de Salazar. À vezes penso que não estamos, sequer, na Idade do Ferro. Estamos na Idade da Pedra.

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Cohen morreu de velho

por Miguel Bastos, em 13.11.16

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O rock trouxe a cultura da eterna juventude. Mas, Leonard Cohen nunca foi jovem. E nunca foi rock. O seu pai fora alfaiate e ele vinha dos livros: era incapaz de se vestir mal. Conheci Cohen, em 1985, com “Dance me to the end of love”. Não gostei: um cantor velho, com uma voz estragada, e uma música que (não sei porquê) me lembrava Demis Roussos. A minha opinião começou a mudar com o disco seguinte ("I’m your man") e com a descoberta do seu primeiro disco. Foi, então, que percebi que uma série de músicas, que eu gostava, eram, afinal, de Cohen: "Suzanne"; "So Long, Marianne"; "Hey, That's No Way to Say Goodbye". E comecei, também, a perceber melhor os elogios e declarações de amor dos músicos que eu admirava, na altura. Muitos deles entrariam no disco “I’m your fan”.

 

Leonard Cohen fazia-me lembrar Woody Allen. Não foi hippie, não foi jovem, não usava calças de ganga, nem cabelos compridos. Esteve sempre fora do rock e fora do tempo. Nasceu velho e morreu morreu. É isso, Cohen morreu de velho. E, mesmo assim, a sua morte dói-nos.

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Web cool

por Miguel Bastos, em 08.11.16

web cool

Eu sou um jovem muito cosmopolita e muito à frente. Só falo do futuro. E o futuro chama-se Web Summit. A Web Summit  é uma Summit, onde cada CEO faz um pitch da sua startup. De acordo com o secretário de Estado da Indústria, as startups são empresas rockstars, que são financiadas por business angels, ou pelo programa Co-Invest with the Best, lançado por Tony Back, AKA António Costa.

 

Tony (ler com pronúncia americana, please!) também falou da Ventures Summit, uma summit, paralela à Web Summit, que, por sua vez, foi precedida pela Surf Summit. Tony é cool. Hard Barroso não é. Foi vaiado. Para mim, só foi vaiado porque apresentaram-no como, Durão Barroso, antigo presidente da Comissão Europeia. Se dissessem que ele era chairman da Goldman Sachs, que financia startups, ninguém se atreveria. O povo sacava do smartphone para tirar uma selfie, e ter likes no Facebook, enquanto se discutia o fim do roaming. O mais cool, veio a seguir: apanhou-se um Uber, para fazer networking, nos pub crawls. Só estranhei que se falasse tanto em empreendedorismo. Não se arranja uma palavra melhor? Tipo... entrepreneur.

 

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E o burro sou eu?

por Miguel Bastos, em 06.11.16

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O PSD teve a ideia de reeditar a corrida entre um burro e um Ferrari. A ideia original, recorde-se, foi de António Costa, há mais de 20 anos. Na altura, Costa era candidato à Câmara de Loures. Recordo os resultados: ganhou o burro, perdeu António Costa. Desta vez a corrida, não avançou. Porque não se deve brincar com um primeiro-ministro? Porque o Ferrari gasta muito e faz mal ao ambiente? Porque não precisamos de mais carros na Calçada de Carriche?

 

As perguntas são minhas e são idiotas. Foram inspiradas nas respostas que inviabilizaram a corrida. Parece que não havia autorização das associações de defesa dos animais e das entidades sanitárias. Afinal, estava a em causa a saúde pública, porque descobriu-se que os burros fazem cocó… e a dignidade do animal, forçado a um grande esforço… E deviam ter sido pedidos licenciamentos, para isto e para aquilo. Perante as objeções, o PSD desistiu. Não percebi quem ganhou. Perderam todos? O burro sou eu?

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