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Apanhado na esquina

por Miguel Bastos, em 05.08.16

cinco esquinas vargas llosa.jpg

No ano passado, Mario Vargas Llosa foi notícia por se ter envolvido numa relação extra conjugal, com Isabel Preysler. Isabel é uma senhora que aparece nas revistas sociais. Foi casada com Julio Iglesias. É mãe de Enrique. É gira. Mario é um escritor, premiado com o Nobel. Foi candidato à presidência do Perú, mas perdeu para Alberto Fujimori, que transformou o regime numa ditadura. Mario tinha um casamento com 50 anos, que acabou depois do romance com Isabel ter saído na capa de uma revista. Mario estava habituado a ser capa das revistas: mas eram literárias ou de referência, não eram cor-de-rosa.

 

O novo romance de Vargas Llosa, Cinco Esquinas, mistura as coisas do primeiro parágrafo: sexo, revistas de escândalos, dinheiro, política, Perú, Fujimori. Imediatamente, a leitura torna-se apaixonada e compulsiva. Passamos, rapidamente, do lixo ao luxo; dos jogos eróticos aos jogos de poder; da penthouse ao bairro da lata. A escrita virtuosa de Vargas Llosa trespassa pelo novo livro do mestre. A dada altura, o escritor opta por uma espécie de polifonia. A cada parágrafo muda o protagonista, o discurso, a linguagem. Aumentando, ainda mais, o ritmo da história. Mas, no final, sabe a pouco. Porque será? Será demasiado parecido com a realidade?

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1, 2, 3… diga lá outra vez

por Miguel Bastos, em 04.08.16

1 2 3 rajoy.jpg

Está toda a agente a preparar-se para as terceiras eleições, consecutivas, em Espanha. Foi neste país que se inventou o concurso “1, 2, 3” que colava Portugal à televisão. Todos queriam saber se saía a casa, o carro ou uma coisa nenhuma, ao casal que tentava descobrir os enigmas lidos por Carlos Cruz.

 

Recorde-se o “1, 2, 3”. O concurso tinha três partes. Na primeira, uma prova de cultura geral. Na segunda, uma prova de habilidade. Na terceira, havia uns objetos e uns enigmas que os concorrentes iam eliminando, até chegarem à última escolha. A terceira parte sempre me pareceu uma cachada. Basicamente, Carlos Cruz arrastava o programa, ajudando ou baralhando os concorrentes, que, depois de muito pensar, escolhiam à sorte. Às vezes tinham sorte, outras vezes tinham azar. Depois de dois processos eleitorais, os espanhóis vão votar outra vez? Ou vão deixar de votar, e passam a escolher à sorte?

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Um lugar ao sol

por Miguel Bastos, em 03.08.16

 

casa lisboa.jpg

A medida presta-se à caricatura. As casas que apanham mais sol vão pagar mais IMI?! Sim, mas a medida não é nova. Foi introduzida no governo anterior. Este governo apenas alterou o peso de cada fator, no apuramento do IMI. E esta alteração veio, agora, chamar a atenção para os critérios absurdos usados. Faz sentido? Não, nada disto faz sentido.

 

Quando se decide que uma casa deve pagar mais, porque tem melhor exposição solar, está-se a dizer aos cidadãos para comprarem uma casa com muita sombra e humidade. Ignoram-se os custos energéticos e as condições de salubridade. Quando se penaliza alguém que mora ao pé de uma escola ou de um hospital, está-se a dizer para comprar uma casa nos subúrbios. Esquecendo o Estado que, depois, vai ter que construir a estrada de acesso e pagar os transportes, ou, até, o novo hospital. E entretanto, os centros das cidades vão-se esvaziando. Nada que um programa Pólis não resolva mais tarde. Gastando, uma vez mais, os recursos do Estado. Claro que, enquanto uns olharam para o copo meio vazio, outros olharam para o copo meio cheio. Algumas manchetes destacaram que as casas com vista para os cemitérios, ou para estações de tratamento, que vão pagar menos. É a compensação para os que pagam mais por terem vista para o mar, por exemplo.

 

Um lugar ao sol, não pode ser uma coisa má. Mas, parece que muita gente andou a apanhar demasiado sol na moleirinha.

 

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