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May há só uma

por Miguel Bastos, em 22.07.16

may ha so uma.jpg

Não me tinha apercebido da importância da questão da maternidade na escolha da sucessora de David Cameron. A adversária de Theresa May resolveu dizer que seria melhor primeira-ministra, porque era mãe. Theresa respondeu que ela e o marido não puderam ter filhos e que não queria aprofundar o assunto. Disse, ainda, que não lhe parecia que isso afetasse (positiva ou negativamente) a sua capacidade de governar o Reino Unido. Fez bem. Andrea Leadsom achou que a maternidade lhe traria votos. Não trouxe, felizmente. Entretanto, Theresa, a magna, nomeou Andrea para o governo.

 

A esfera privada é sempre uma área sensível. Na política, ainda mais. A regra devia ser sempre a reserva. Mas, nem sempre foi assim. Bill Clinton, por exemplo, esteve à beira da destituição, por causa de um affair. Contrariamente ao que seria expectável, o povo americano achou que a sua vida sexual não afetava o seu desempenho enquanto presidente. Felizmente, "o mundo pula e avança". Em Portugal, podemos ter um Presidente da República sem primeira-dama. No Reino Unido, é possível ter uma primeira ministra sem filhos. Isso só pode ser bom sinal.

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Outra vez

por Miguel Bastos, em 15.07.16

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Atordoado pelos acontecimentos em Nice, resolvi publicar de novo um texto que escrevi em Novembro. Chama-se "Terroristas vencem sempre". Aqui vai ele. Acho que está actual. Infelizmente.

 

"O problema com o terrorismo, é que os terroristas vencem sempre. Vencem, quando falo do assunto. Venceriam, se o ignorasse. Vencem quando matam. Mas, também, quando falham.  Matar (ou tentar matar) uma pessoa (uma só) - no sítio certo, à hora certa - é motivo para colocarem os media, do mundo inteiro, a falar sobre o assunto. Com imagens contínuas, em “slow motion” ou “fast foward”. Com notícias e reportagens em direto. Com comentários de especialistas. Com fóruns de ouvintes e espectadores. Com capas de jornais e revistas. Com o tráfego da solidariedade e indignação online. Os terroristas vencem sempre.

 

Vencem com o crescimento da extrema direita e da intolerância. Vencem com os discursos “compreensivos”, que evocam o passado colonialista do ocidente ou a falta de políticas de integração. Vencem com as acções militares contra o inimigo. Vencem com o medo, com a raiva, com a violência.

 

Costuma-se dizer, por graça, que o futebol são 11 contra 11 e no final ganha a Alemanha. Com o terrorismo é a mesma coisa. Só que, neste caso, não tem graça nenhuma."

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Yes we May

por Miguel Bastos, em 14.07.16

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Theresa May é a nova primeira ministra do Reino Unido. May foi contra a substituição de Tony Blair por Gordon Brown. Porque não houve eleições. Agora é primeira ministra, sem eleições. Porque mudou de opinião? Não, porque mudou de cargo. May chega ao cargo afirmando que “Brexit é Brexit”. May era eurocéptica. No entanto, fez campanha pela manutenção do Reino Unido na União Europeia. Agora, vai implementar o Brexit, na companhia de Boris Johnson. Johnson era o líder da ala conservadora que fez campanha pela saída. Agora, lidera a diplomacia do novo governo. Dá para perceber? Em teoria não. Na prática, sim. Percebe-se muito bem…

 

Quando Obama usou o slogan “Yes we can” lembrei-me da minha professora de inglês. Quando lhe que pedíamos licença para fazer alguma coisa usávamos a expressão “Can I?”. Ao que ela respondia “No, you can not. But, yes you may”. “May” é mais formal do que “Can”. Mas também tem menos força. O “Yes we Can", de Obama, sugeria capacidade de fazermos coisa juntos. Era sonho e utopia. Substituir “Can” por “May” não é só jogar com as palavras e com o sobrenome da nova primeira ministra. É substituir a utopia pela “realpolitik”. Mas, também, a convicção pela conveniência. E pela incerteza.

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Portugal meias tintas?

por Miguel Bastos, em 07.07.16

portugal verde agua.jpg

Olhei, de raspão, para as primeiras páginas dos jornais desta manhã. Depois da extraordinária vitória de ontem, frente ao País de Gales, esperava uma enorme mancha verde e vermelha. Mas não. Era verde água, ou verde clarinho, ou verde azulado, ou lá o que é aquilo. Temos vermelho sangue na bandeira, temos sangue na guelra, mas celebramos a vitória da Selecção, com um verde meias tintas. Não dá para perceber..

Portugal tem bons jogadores, mas péssimas modistas. O que é estranho, neste país de costureirinhas...

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Só neste país

por Miguel Bastos, em 05.07.16

so neste pais.png

Portugal joga à bola com o País de Gales. Estamos no Europeu, as coisas não nos correm mal, antes pelo contrário. Mas, há quem insista em realçar que não estamos a jogar bem, que, até agora, só temos empates, etc. Se Portugal perder com o País de Gales vai ser um mar de gente a dizer “eu sabia”, “eu não te dizia”. São os que dizem que o Cristiano não joga nada e, quando ele marca respondem “estava a ver que não” ou “vá lá, nem sei como é que ele meteu aquele golo”.

 

O selecionador nacional lembrou que muita gente, que jogava bonito, já está em casa. Fez bem. Os Ingleses, por exemplo, são uma grande potência potência de futebol e nunca passam da cepa torta. Nos últimos anos, a Selecção Nacional tem estado sempre presente nas competições internacionais e, na generalidade, tem feito boa figura. Nada mau. Mas é claro que podia ser melhor. Pode sempre. Não somos os melhores. Nunca fomos. Mas também não somos os piores. Era melhor admitirmos as duas coisas, para não andarmos sempre no “vai abaixo e vai acima… pessimista, optimista…” da canção do Sérgio Godinho. A canção chama-se, apropriadamente, “Só neste país”, que é uma das frases mais reveladoras e mais irritantes que temos. Diz Godinho: “Portugal é nosso p'ro bem e p'ro mal”. Com ou sem vitória, neste ou no próximo jogo. Mas, se poderem ganhar... 

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