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Espanha: na mesma?

por Miguel Bastos, em 28.06.16

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As eleições espanholas voltaram a dar vitória ao PP, sem maioria. Portanto: na mesma, como a lesma? Pode ser que não. A verdade é que o PP cresceu, em votos e em mandatos; o PSOE perdeu votos e mandados, mas está à frente do Podemos; o Podemos caiu, nas expetativas e na real; o Ciudadanos também. Os jornais de ontem faziam contas e cenários: PP + PSOE; PP + PSOE + Ciudadanos; PSOE + Podemos + Ciudadanos e, a mais provável, PP+Ciudadanos, com apoio parlamentar do PSOE.

 

Num certo sentido, Espanha não mudou muito, relativamente às eleições de há seis meses. Não há uma vitória clara de um partido, nem a capacidade de um dos partidos clássicos, governar com um dos novos partidos. Uma solução do tipo PP + Ciudadanos ou PSOE + Podemos. Mas há duas diferenças significativas. Primeiro, só há soluções governativas com o  envolvimento dos dois principais partidos, o que parece um regresso ao bipartidarismo. Segundo, mesmo sem maioria, a legitimidade para o PP governar, aumentou. Houve um número significativo de eleitores que deram o seu voto ao partido de Mariano Rajoy e castigaram os outros partidos, que foram penalizados por não se entender. A isto chama-se democracia. São os eleitores que têm o poder e o passam aos políticos. Resta saber se eles sabem o que fazer com ele…

 

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O referendo do Bloco

por Miguel Bastos, em 27.06.16

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A discussão da Europa está em cima da mesa. Com a Europa a ser empurrada para a porta dos fundos. Catarina Martins também quis dar um empurrão. A altura não podia ser pior. Sejamos claros: a Europa pode e deve ser criticada. Mesmo quando se confunde Europa com União Europeia; com o Euro; com as instituições europeias. Pode (e deve-se) criticar a política orçamental; o peso da Alemanha; a falta de solidariedade dos países mais ricos, com os países mais pobres; sobre tudo o que entendermos. Mas, a verdade é que a Europa tem das costas largas. Mesmo que, às vezes, se diga “esta Europa” ao generalizamos, estamo-nos a atirar, todos, para fora da Europa.

 

Na ressaca do Brexit e da convenção do Bloco de Esquerda, os media abriram os seus fóruns à discussão da Europa. E aqui se confundem simpatizantes da extrema esquerda utópica, da extrema direita agressiva, salazaristas saudosos, anarquistas enfurecidos, socialistas zangados, social democratas desapontados, etc. Todos convergem para a crítica da Europa, mas por razões diversas e, muitas vezes, inversas.

 

Vale a pena lembrar que Marine Le Pen foi uma das que mais festejou a vitória do Brexit. E pediu, de imediato, um referendo, em França, sobre a Europa. E que será, sempre, um entusiasta de um próximo referendo. Não por ser um instrumento da democracia, mas porque é uma ótima arma de arremesso, contra a democracia. Catarina não se devia esquecer disso…

 

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O país de Trump

por Miguel Bastos, em 24.06.16

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O senhor Trump está na televisão a dizer que o país voltou a ser independente. Alguém explique ao senhor Trump, que o Reino Unido não é bem um país. É mais um conjunto de "países". E que alguns desses "países" não querem sair da União Europeia (UE). E que, já agora, estava a falar num desses "países": a Escócia. Esse "país" votou, maioritariamente, "Remain" e quer, agora, fazer um referendo para votar a possibilidade de se separar do Reino Unido, permanecendo na UE. E que a Irlanda foi um "país", que se dividiu em dois. Agora, uma parte vai continuar no Reino Unido, que vai sair da Europa - apesar de ter votado na manutenção, e a outra parte, que tinha saído do Reino Unido, mas vai continuar na UE. E, entretanto, expliquem também ao senhor Trump, que as pessoas daquela zona ainda há pouco tempo andavam à porrada, aos tiros e às bombas. Ali e na capital do Reino, que também votou "remain".

 

A questão não é saber se concordamos, ou não, com o senhor Trump. A questão é que o senhor Trump não faz nenhuma ideia do que está a defender. E isso seria caricato, se não fosse perigoso. Tem graça quando falamos da eleição da Miss Mundo. Não tem, quando falamos do futuro da Europa, dos Estados Unidos e do mundo como o conhecemos…

 

Mas isso, devo ser eu que não percebo… Como não percebo Boris Johnson todo contente a dizer que ganhou a sua campanha de independência, mas que não tem pressa nenhuma em sair. Ai não!? Eu acho que para perceber melhor Trump, Johnson e o mundo, tenho de deixar de acompanhar a informação e passar a ver reality shows e ler revistas de cabeleireiros. E será essa a altura, em que passarei a perceber melhor os penteados dos dois senhores. Mas será, também, a altura em que perceberei que o mundo está mesmo assustador…

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Cameron e o Brexit

por Miguel Bastos, em 22.06.16

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Cameron vai ficar na história. Mas não será por boas razões. A sua estratégia para desafiar a Europa e afirmar o poder do Reino Unido era um jogo perigoso. O resultado está à vista: saem todos a perder. Pior era difícil.

 
Para combater o crescimento da direita nacionalista no Reino Unido, Cameron resolveu fazer um jogo perigoso. Andou a bater o pé à Europa. Denegriu as instituições europeias. Negociou e conseguiu alargar o estatuto de excepção do Reino Unidos, no seio da Europa. Depois, submeteu a permanência do Reino Unido a um referendo. Agora, faz campanha a favor da permanência, sem que ninguém perceba porquê.
 
Com tudo isto, dividiu o Reino Unido entre simpatizantes da saída e da permanência. Fez crescer o nacionalismo, o populismo, a xenófobia, o anti-europeísmo. Dividiu o seu próprio partido. Tem as empresas multinacionais a ameaçarem sair do Reino Unido, tem a Escócia a ameaçar sair do Reino Unido e a juntar-se ao resto da Europa. Depois do referendo, e independentemente do resultado, vai ter que enfrentar a desconfiança e a má vontade do resto da Europa.
 
O que ganhou Cameron com tudo isto? Um lugar na história. Daqueles que ninguém quer…

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Brexit: In, Out, Down

por Miguel Bastos, em 21.06.16

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Dizem que Churchill foi um dos pioneiros da ideia de uma Europa unida. Era bom para a paz, para a economia, para a solidariedade. O projeto teria o apoio do Reino Unido, que, percebeu-se depois, não se incluía na Europa. Inclui-se, apenas, por exclusão de partes. Porque não é América, nem África, nem Ásia, nem Oceania. O Reino Unido sempre esteve com um pé dentro e outro fora da Europa. Por vezes, parece que faz bem. Quando, por exemplo, resiste à burocracia europeia que quer definir o tamanho das maçãs. Mas, outras vezes, é irritante. Quando faz valer o seu peso para negociar excepções, que não são permitidas a mais nenhum Estado.

 

Agora, a propósito da crise económica, da pressão migratória e do crescimento da direita radical, Cameron resolveu referendar a permanência do Reino Unido na europa. Vai-se votar “In ou “Out”. A coisa anda ao sabor da agenda mediática. Aparecem mais uns refugiados, cresce o “Out”. Fazem-as as contas ao impacto económico, sobe o “In”. Farage discursa de forma apaixonada e povo quer estar “Out”. Um louco mata uma deputada trabalhista, estamos “In”.

 

Independentemente do resultado ser “In” ou “Out”, já há um resultado que é certo. O Reino Unido está em tendência “down”, ou seja para baixo. E, com eles, descemos todos.

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... foi num bar gay

por Miguel Bastos, em 14.06.16

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Tenho estado atento às reações ao ataque terrorista em Orlando. É impressão minha, ou as pessoas estão-se a indignar, com muita moderação?

 

Haverá razões para isso? Já tinha pensado nalgumas razões. Por exemplo, no Europeu de futebol. Há luta de claques, greves, manifestações e, até, ameaças de terrorismo no Europeu. Mas, em Orlando não houve uma ameaça. Foi, mesmo, um ataque.

 

É certo que foi em Orlando. Não foi em Nova Iorque ou Londres ou Paris. Isso tem importância e será outra razão. Mas é inevitável chegar ao bar. Era um bar gay ou, se preferirem, LGBT.

 

As reações foram cautelosas. As notícias também. Como falar do assunto, sem ferir suscetibilidades? Houve demasiado cuidado com as palavras. João Miguel Tavares aborda (e bem) o assunto, no Público de hoje. Diz-nos, por exemplo que não faz sentido discutir se este foi um atentado terrorista ou um atentado homofóbico. Ele diria que foi “um terrorista assassinou 50 pessoas num bar gay americano”. Parece óbvio, mas ninguém disse. E era importante que o dissessem. Até porque terá sido o pior desde, pelo menos, o 11 de Setembro. E não parece… Toda a gente quis ser Charlie, mas ser Orlando parece mariquice.

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Paquete de Oliveira

por Miguel Bastos, em 12.06.16

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Paquete de Oliveira chegou até mim como estrela pop. Ouvi-o, em disco, entre guitarras distorcidas, experimentações sónicas, défice de técnica musical disfarçado de avant garde. No final do anos 80, as bandas de rock começaram a ser substituídas por projetos. Os Pop Dell’Arte e a Ama Romanta eram dois projetos de João Peste. Artista visionário, cantor, performer, intelectual, sociólogo. Paquete fora professor de Peste. Era sociólogo e entrava num disco. Eu não sabia se era jovem ou velho; intelectual distante ou mundano ou, mesmo, se tinha projetos.

 

Mais tarde, conheci Paquete. Era meu professor. Nessa altura, eu já sabia que era um sociólogo especialisado em media, comunicação e jornalismo. Agia como professor, falava com professor. Cuidava de nós. Falou do bar e da cantinas. De salas e bibliotecas. De fotocópias e estacionamento. Nessa altura, já era uma pessoa conhecida do grande público. Escrevia em jornais, aparecia em programas de televisão. Era um ancião sábio e sereno e, no entanto, cheio de inquietude. Mas, sobretudo, era o mais moderno de todos nós. A maioria dos alunos, continuava com projetos e contactos e ideias. Os anos 80 tinham acabado e nós não sabíamos. Paquete sabia, claro. Era, mesmo, sociólogo.

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Obra do Espírito Santo?

por Miguel Bastos, em 01.06.16

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Nuno Espírito Santo é o novo treinador do Futebol Clube do Porto. A sério? Estou tão surpreendido! Estou a brincar. Na verdade, eu já sabia, porque toda a gente já sabia. Bem, sabia, mas, como todos, não tinha a certeza. Não havia “confirmação oficial”. Ainda, recentemente, tivemos um caso semelhante: a ida de Mourinho para o Manchester United. O futebol vive muito do “vou-te dizer um segredo, mas não digas a ninguém” que marcou a nossa infância.

 

Muitos dos que se queixam que os media são especulativos e inventam coisas, alimentam os rumores nos media, dão pistas e informações. São fontes, mas não se deixam identificar. Claro que há especulação, mas também há manipulação. Ambas as coisas são lamentáveis. Se Nuno Espírito Santos já estava certo no Porto porque é que , hoje mesmo, circularam notícias a dizer que ainda não era certo? Porque tudo tem o seu tempo, poder-se-à dizer. Mas, se assim é, porque é que os jornalistas já sabiam? Sabiam, porque alguém lhes disse. Porque queria dizer e porque queria que se soubesse.

 

Os jornalistas não adivinham. As notícias não surgem por obra do Espírito Santo.

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