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00Sérgio

por Miguel Bastos, em 30.10.15

00sergio.jpg

Sérgio Monteiro é o Agente Privatizador. O ex. governante vai liderar a venda do Novo Banco. Faz sentido: foi o homem que privatizou a TAP e os transportes públicos. E que reavaliou as parcerias público-privadas. É, portanto, o homem ideal? Talvez não.

 

A privatização da TAP continua polémica. A Autoridade Nacional de Aviação Civil quer saber quem é que, efetivamente, manda na TAP e (ontem mesmo) o jornal Público escrevia que os credores da TAP ameaçam anular a privatização. De resto, existe essa ameaça, caso haja um governo de esquerda. A esquerda que ameaça, ainda, reverter as concessões dos transportes públicos, em Lisboa e no Porto, feitas por ajuste direto e no final da legislatura.

 

A venda do Novo Banco também não tem sido exemplar. A pressa do governo fez cair Vítor Bento, mas o banco continua por vender. Além disso, parece, cada vez mais claro, que a venda terá custos para os contribuintes. Por fim, colocar Sérgio Monteiro a tratar da venda mostra que o governo esteve sempre envolvido no processo, ao mesmo tempo que dizia que não.

 

Por tudo isto, 00Sérgio - O Agente Privatizador tem uma Missão Impossível.

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Treze, um número de sorte

por Miguel Bastos, em 29.10.15

treze silvia alberto.png

Só à terceira vez é que apanhei o “Treze”, o novo programa da RTP. É um programa interessante. Faz-se uma lista com os treze maiores nome de uma determinada área e, depois, um painel discute os méritos dos escolhidos. Esta semana, escolheram-se os Reis do Humor, em Portugal (ganhou Herman José). Nas semanas anteriores, falou-se de heróis e de futebol.

 

A receita é simples. Homenageiam-se nomes da cultura portuguesa, num programa com uma estética pop e irreverente e uma linguagem fresca e moderna. A apresentadora (Sílvia Alberto) tem a imagem e o registo certo. Os comentadores (António Pedro Vasconcelos, Catarina Molder, David Ferreira + um convidado) também foram bem escolhidos. Serviço público, portanto.

 

Só não percebi muito bem a escolha do número treze. O programa escolhe 13 nomes, de acordo com uma categoria. Mas, porquê 13 e não 10, ou outro número redondo? Também não percebi quem faz a lista, porque os comentadores só a comentam: não participaram na escolha dos nomes, nem na sua ordenação. Mas é bom ver Portugal a celebrar-se de forma desempoeirada. Numa programação tão azarada, “Treze” acaba por ser um número de sorte.

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Casa dos Segredos

por Miguel Bastos, em 28.10.15

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Esta capa do jornal i lembrou-me uma crónica de Ricardo Araújo Pereira. Diz o i: “PS só revela acordo quando a queda do governo estiver eminente”. Cito (de cor) Araújo Pereira (esse mestre da ciência política): “mas o ponto não é esse. O ponto não é esse. O ponto só eu e o Pacheco Pereira é que sabemos. E, mesmo assim, não dizemos nada a ninguém”. Ricardo antecipou António Costa e o acordo de esquerda. A coligação ganhou, mas esse não é o ponto. A alternativa existe, mas não dizemos nada a ninguém.

 

Eu sou espectador da Quadratura do Círculo. Muitas vezes, as questões de Carlos Andrade são respondidas com um “ó Carlos, eu já lhe respondo, mas…” ou “eu percebo a sua curiosidade, mas deixe-me dizer-lhe o seguinte”...  - que, geralmente, são formas de não responder. Outra expressão recorrente é “O ponto não é esse” - utilizada, sobretudo, por Pacheco Pereira e glosada pelo humorista. O “e, mesmo assim, não dizemos nada a ninguém” aplica-se, agora, a António Costa, que deixou a “Quadratura” e entrou para a "Casa dos Segredos".

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Governo para a rua!

por Miguel Bastos, em 27.10.15

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O governo é novo, toma posse na sexta feira, mas já se sabe que vai cair. Cairia sempre. Cairia, com estes ou outros ministros. Cairia, com mais (ou menos) independentes. Cairia, com mais (ou menos) CDS. Cairia, com mais (ou menos) PSD. É para cair.

 

Valerá a pena falar deste governo, que mantém grande parte do governo anterior e junta uns veteranos e uns novatos de círculos próximos dos dois partidos? Valerá a pena lamentar a perda de alguns nomes importantes (Paulo Macedo ou Pires de Lima )? Valerá a pena festejar a saída de Nuno Crato ou a chegada de um Ministério da Cultura? Para quê? Se é para cair!

 

O Presidente da República vai dar posse a este governo, e ele cai. O Presidente não quer dar posse a um governo com comunistas e bloquistas, porque ele cai. O Presidente pode dar posse a um governo de iniciativa presidencial e ele cai. Portanto, Portugal que, há quarenta anos, deu início à "terceira vaga da democratização", está nisto.

 

O “Governo para a rua!” sempre existiu. A novidade é que, desta vez, se pede ao governo para sair, antes mesmo de ele entrar.

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António Costa, António Costa

por Miguel Bastos, em 26.10.15

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“Estás a ler o livro do António Costa? Ah, ah, ah!”. “Qual é problema?”, perguntei. “António Costa, António Costa!”, foi repetindo o meu filho, com um riso trocista. O meu filho fez-me lembrar uma menina que corria a chamar “Saramago”, quando via um velhinho na televisão. O ancião tinha, na altura, acabado de ser agraciado com um Nobel e aparecia muito na televisão. E a televisão, concluí, não mostra muitos velhinhos. De modo que, quando aparecia um, só podia ser o Saramago.

 

Ora, o meu filho sabe que eu gosto de livros e de política. Portanto, não devia achar estranho eu estar a ler um livro sobre o António Costa. De onde virá a sua surpresa? Por ser um político de agora? Por achar que ainda não é suficientemente importante? Será que ainda não merece um livro? Será que o meu filho não gosta do líder do PS?

 

Tentei perceber. Perguntei-lhe porquê. Mas ele encolheu os ombros e respondeu “sei lá”. Depois, voltou a perguntar: “Mas, porque é que estás a ler um livro do António Costa?”. Ainda tentei responder, mas ele foi repetindo “António Costa, António Costa!”.

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Indigita, filho, indigita

por Miguel Bastos, em 23.10.15

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Cavaco Silva resolveu indigitar Passos Coelho como primeiro-ministro. Tomou, mal, uma boa decisão. Foi uma boa decisão porque nomeou o líder da Coligação, a força política mais votada. Mas foi um processo mal conduzido: no tempo e nos termos.

 

O Presidente da República esteve mal antes das eleições ao deixar instalar a ideia de que só nomearia um governo maioritário. Depois, esteve mal quando, a seguir às eleições, chamou Passos Coelho, encarregando-o de formar governo. Durante esse tempo, a Coligação fez de conta que tinha maioria absoluta e o PS fez de conta que ganhou as eleições. Cavaco assistiu ao longe…

 

Finalmente, esteve mal, ontem, nos motivos evocados para justificar a sua decisão. Cavaco Silva, que gosta de propagandear consensos e estabilidade, balcanizou o sistema partidário português e apelou aos deputados do PS para votarem contra a direcção do partido. Finalmente, antecipou a quebra de confiança dos financiadores e dos mercados em Portugal.

 

Bravo, senhor Presidente! Agora, que estamos mais perto da estabilidade, indigitemos.

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Eleger parlamentos

por Miguel Bastos, em 22.10.15

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O argumento tem vindo a ser repetido. Em Portugal, elegemos parlamentos, não elegemos governos. A sério? Ninguém diria… Já estou a ver os donos deste tipo de argumentação a abanar a Constituição da República Portuguesa. E não vou pedir desculpa por não ser constitucionalista. Afinal, quantos são? Mas, é impressão minha ou andaram por aí uns cartazes com a cara de António Costa a pedir “Confiança”?

 

E os debates, foram com quem? Com os 230 candidatos ao parlamento? Como é que se chama o deputado número 102 da Coligação? E o deputado número 17 da CDU? Elegemos parlamentos através de um sistema em que os deputados são escolhidos pelas direcções partidárias, eleitos por um circulo eleitoral, transformados em “deputados da nação”, sujeitos a disciplina partidária. Depois, contam-se os deputados e quem tem mais deputados ganha. Isto, se os outros todos, que perderam, não decidirem somar os votos e dizer que são a maioria.

 

É por isto que todos os partidos concordam que é necessário uma reforma do sistema eleitoral. E é também por isso, que nenhum se propõe a fazer essa reforma. Ninguém fica bem na fotografia, porque são muitos e não se vêm nas rotundas.

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Para que é que votamos?

por Miguel Bastos, em 21.10.15

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Nunca sabemos porque é que os leitores votam como votam. Hoje, no DN, o jornalista Ferreira Fernandes diz que “Não foi para isto que eu votei no PS”. Então, foi para quê? Votou no PS, para que o PS deite abaixo umas casas que lhe “estragam a paisagem". Cada português vota como vota, por motivos diferentes. Há quem tenha votado no PS, porque tem um filho desempregado. Há quem vote no PSD, pelo mesmo motivo - mas a culpa foi do Sócrates.

 

A democracia é um sistema curioso. Há muitas pessoas a votar no mesmo sentido, por motivos diferentes. E muita gente a votar em sentidos diferentes, pelo mesmo motivo. Por isso, é preciso ter muito cuidado com as interpretações abusivas. Quando ouço políticos, jornalistas ou comentadores a dizerem que “os portugueses querem” isto ou aquilo, sinto-me espanhol.

 

Portanto, nem “os portugueses” quiseram um governo da coligação; nem “os portugueses” querem uma maioria de esquerda. Há uma percentagem de portugueses que quer uma coisa, e várias percentagens de portugueses que querem outras coisas. O resto, como diz Fernandes, são “surpresas do caraças”

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As Presidentas

por Miguel Bastos, em 20.10.15

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O rapper Kanye West anda com ideias de se candidatar à presidência dos Estados Unidos. Obama já ironizou dizendo que ninguém votará num negro com um nome engraçado. Ele já se tinha referido, a si próprio, nesses termos.

 

Na Europa, olhamos, muitas vezes, com sobranceria para os Estados Unidos. Achamo-nos mais cultos, mais abertos, mais multiculturais. Mas, a verdade é que foram eles que elegeram um presidente negro e podem estar à beira de eleger uma Presidente. Ou uma Presidenta, como diz Dilma Rousseff.

 

E em Portugal, estaremos prontos a ter uma Presidenta? Ainda não deve ser desta. Mas, é muito curioso que estejamos, pela primeira vez, com várias mulheres a apresentar candidaturas. Vivemos muitos anos com excepções: Maria de Lurdes Pintassilgo foi candidata, há quase 30 anos; Leonor Beleza teve que pedir para a tratarem por “Ministra”.

 

Os tempos mudaram? Com certeza. Mas não mudam sozinhos. O nosso meio político continua muito fechado sobre si próprio. Mas vai-se abrindo. As Presidentas são um bom exemplo.

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Arnaldo e as meretrizes

por Miguel Bastos, em 19.10.15

arnaldo matos.jpg

O camarada Arnaldo resolveu insultar a “Frente de Esquerda”. Eu não repito o insulto, por pudor. Lembrei-me, então, de citar Mário Zambujal, na Crónica dos Bons Malandros:

 

“Profissão?”

(…)

“Putas…”

(…)

“Meretrizes, queria a senhora dizer…”

“Pois sim, senhor subchefe, também pode ser isso. Meretrizes.”

 

O camarada Arnaldo porta-se como um chefe de polícia “em cruzada contra o pecado”, mas com o vocabulário das profissionais do sexo. Chama “revisionista e social-fascista” a Jerónimo de Sousa; “canalha”, aos dirigentes do PCP; “meninas oportunistas” às dirigentes do Bloco “dito de Esquerda”; concluindo que “Isto é tudo um putedo!”. É extraordinário.

 

Ficámos com a ideia que, para os senhores maoístas, só há gente decente no PCTP/MRPP. Mas nem isso. O partido do “Morte aos Traidores” já suspendeu Garcia Pereira e outros três dirigente do partido por “incompetência, oportunismo e anti-comunismo primário”. E até fala em “autocrítica”, um termo maoísta que nunca deu saúde a nenhum senhor chinês.

 

Regresso a Mário Zambujal, que é um senhor de idade, com mais humor e inteligência. Na sua “Crónica dos Bons Malandro”, Arnaldo é descrito como um “brigão de mil vitórias”. O que dirá Zambujal deste Arnaldo?

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