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Quem é o Franco?

por Miguel Bastos, em 30.07.15

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Um jogador de futebol apresentou-se, aos sócios e à imprensa, com uma t-shirt com a imagem de Franco. O ditador é espanhol, o clube também, o jogador é português. Mas o caso deu que falar nos jornais e nas redes sociais. Não gosto destas ondas de indignação politicamente correctas. Mas o caso, é lamentável.

 

Em comunicado, o jogador reagiu: “Peço desculpa por não conhecer a história de Espanha, mas de facto não fazia a mínima ideia de quem era esta pessoa... até agora!”. Desculpas aceites. A seguir acrescenta “Eu (…) não tenho ideais políticos e nunca votei na minha vida!”. Isso já é mais grave. Mas há pior.

 

Quando lhe perguntaram se ia deitar a t-shirt fora respondeu “Nem pensar, era só o que faltava!” Que é como que diz:

 

“Só porque o senhor fez uma guerra civil, com a ajuda de Hitler e Mussolini, que provocou a morte de um milhão de pessoas?”

“Só porque perseguir, torturou e matou milhares de pessoas durante a sua governação, de quase quarenta anos?”

“Só porque a ditadura durou até à morte de Franco?”

“Era só o que faltava! A t-shirt custou-me 30 euros”

 

O que é mais triste, é que a pobre criatura não aprendeu nada. Desculpa-se a ignorância. Já a estupidez…

 

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África minha

por Miguel Bastos, em 29.07.15

obama quenia .jpg

 

A visita de Barack Obama ao Quénia tem um grande simbolismo. O presidente americano é (sempre) o político mais importante do mundo. Mas este, não é branco, forte, alto e louro. É filho de um queniano. É um negro amarelado, magricelas e com orelhas grandes (como ele se descreveu). Além disso, tem um nome esquisito, que inclui “Hussein”, como Saddam. Pior, é difícil.

 

Mas Obama ganhou as eleições, uma e outra vez. E, agora, voltou ao Quénia. Desta vez, na qualidade de presidente. Abraçou a meia-irmã Auma Obama; falou de corrupção e de direitos humanos; condenou a descriminação dos homossexuais e das mulheres. Referiu que “não há nenhuma desculpa para justificar a agressão sexual ou a violência doméstica”, nem “nenhuma razão” para a “mutilação genital”. Outro presidente americano podia ter dito isto. Mas foi Obama, que disse ainda “Sinto-me orgulhoso de ser o primeiro Presidente norte-americano a visitar o Quénia e, claro, por ser o primeiro Presidente queniano-americano a chegar a Presidente dos Estados Unidos da América”. E, dito assim, dito por quem é, tem um enorme significado. Não é um americano a ensinar a missa ao padre. É um dos nossos.

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Cavaco e a maioria

por Miguel Bastos, em 23.07.15

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Cavaco Silva já fixou a data das eleições: 4 de Outubro. Uma boa data, já que deixámos de celebrar a República, de que Cavaco é presidente. Em frente. Para além de fixar a data, Cavaco pediu: "uma maioria estável no Parlamento”. Referiu que é necessária estabilidade, já que continuamos sujeitos a uma forte disciplina financeira.

 

Os partidos não tardaram a reagir: o PSD e o CDS acham que a actual coligação é a única que garante a estabilidade; o PS diz que “é o único partido que pode consagrar uma maioria absoluta”; o PCP lembra que “a estabilidade política significou desestabilização” dos portugueses; o Bloco considera que Cavaco “não tem nenhum mandato” para impor uma maioria ao país.

 

Portanto, tudo na mesma, como a lesma. Os coligados acham que personificam o desejo de Cavaco; o PS também, mas vai fazer tudo sozinho; o PCP e o BE põem-se de fora (como sempre). Os outros dificilmente contam. Em Portugal, uma coligação continua a ser um bicho de sete cabeças. Cavaco tem razão: “não há nenhum motivo para que Portugal seja uma exceção”. Mas vai continuar a ser… Vou ver o Borgen. Está gravado.

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Supremacia alemã, salvação americana

por Miguel Bastos, em 21.07.15

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"Não existe supremacia alemã”, afirmou o ministro das finanças alemãs. A frase está na capa do DN. A palavra “supremacia” não é dita por acaso. 70 anos depois da Segunda Guerra Mundial, a Alemanha sabe bem o peso da palavras “supremacia”. E os que têm criticado a Alemanha, também.

 

Alexis Tsipras ganhou as eleições gregas com um discurso de esperança. A Grécia estava decepcionada com a Europa, mas também com a sua classe política e, particularmente com o PASOK e a Nova Democracia. O novo líder chegou sem amarras. Mas, a primeira coisa que fez foi agitar a bandeira da supremacia alemã.

 

É claro que a Alemanha não tem ajudado a desanuviar o ambiente, nem os restantes países europeus. Daí a importância da entrevista de Schäuble, num tom francamente mais conciliatório. Não negou as diferenças (era impossível escondê-las), mas tornou-as relativas e normais.

 

Nos últimos dias, falou-se do papel de Itália e França no acordo e na manutenção do bom senso. A proposta de Hollande, de uma Europa a duas velocidades, indica que não. Já suspeitávamos, fomos salvos, uma vez mais, pelos americanos.

 

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CaMarcelo

por Miguel Bastos, em 20.07.15

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Marcelo Rebelo de Sousa voltou a falar sobre presidenciais. Comentou o eventual avanço da socialista Maria de Belém Roseira e do social-democrata Rui Rio. Sobre Maria de Belém, Marcelo entende que a sua candidatura terá espaço, se o PS perder as legislativas. Sobre Rio, considera que vai ser candidato. Mas há outros candidatos que podem avançar: Alberto João Jardim, Pedro Santana Lopes e “não tem ideia do que os outros pensarão”. Há sorrisos na TVI. “Os outros”, são ele próprio. 

 

É o Marcelo do costume. Mas, surpreendentemente, quando José Alberto Carvalho pergunta se a candidatura de Rui Rio condiciona os outros candidatos, Marcelo surpreende com um “não” categórico. O PSD deve deixar apresentar toda a gente, não declarar apoio a ninguém e depois deixar ver (dentro do centro-direita) quem é que tem a possibilidade de vencer as eleições. Olhando para as sondagens, esse candidato é ele próprio. E aqui está, preto no branco, a sua estratégia.

 

O camartelo é usado nas demolições. O comentador é o CaMarcelo da estratégia do PSD.

 

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Estamos de acordo?

por Miguel Bastos, em 17.07.15

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Esta semana foi marcada por dois acordos: o acordo para a Grécia e o acordo nuclear com o Irão. Porque não celebramos com alegria?

O acordo para a Grécia foi conseguido depois de uma noitada de trabalho e de uma ideia de Passos Coelho. E foi, imediatamente, seguido de avisos, ameaças, demissões, declarações de descrença e manifestações nas ruas. Os “mas” e os “ses” deviam preceder o acordo. Evocá-los minutos depois é voltar à estaca zero. Afirmar que não é exequível, é matá-lo de morte.

 

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O Presidente Obama conseguiu um acordo para a questão nuclear iraniana. Todos parecia contentes. Exceptuando (claro!) um país chamado Israel. “Eu não confio no  Irão”. A frase, dita por Benjamin Netanyahu, não seria de espantar. Só que foi dita por Hillary Clinton, uma provável sucessora de Barack Obama na presidência dos Estados Unidos. Clinton ainda elogiou Reagen e diminuiu o líder do seu partido e do seu país. Bravo!

 

Última nota: o secretário de Estado norte-americano, John Kerry, celebrou o acordo com o Irão com vinho da Madeira. Outra ideia de Passos Coelho?

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A quimera do ouro

por Miguel Bastos, em 14.07.15

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Aprendi, no Peru, que os Incas não conseguiam perceber a obsessão dos espanhóis com o ouro. Vejamos, eles também gostavam. Usavam ouro, em adornos e objetos. O ouro brilhava e estava associado ao deus sol, que veneravam. Mas daí até perseguir, massacrar, destruir, escravizar um povo e arrasar um império inteiro, vai uma grande distância. Contaram-me que os Incas chegaram a colocar a questão: será que os espanhóis comem ouro? Antes comessem. Mas não. Era só para tirar, roubar, acumular, transportar, vender, enriquecer. Depois inventavam-se umas coisas como “civilizar os povos” ou “converter as almas”.

 

Quando alguém já não precisa de mais dinheiro para comer, para comprar casa ou carro, para educar os filhos, ou para se educar a si próprio. Quando alguém ganha o que nenhum cidadão comum ganha. Quando tem uma ou mais reformas. Quando tem cargos, estatuto e papel; lugares em assembleias e conselhos gerais; comendas, presidências honorárias e doutoramentos honoris causa. Porque é que, mesmo assim, precisa de mais ouro Inca?

 

Para o comer. Só pode ser…

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Salto à Vara

por Miguel Bastos, em 10.07.15

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Armando Vara foi detido no âmbito da Operação Marquês. Estranhei a minha reacção. Não foi: “O quê, como é possível?!” Foi mais: “Outra vez, metido em encrencas?!”

 

Armando Vara pertenceu aos governos de António Guterres, chegando a ministro adjunto. Saiu, por causa de problemas com uma fundação que criou. Terá sido uma exigência do então Presidente da República, Jorge Sampaio. Mas tarde, foi administrador da Caixa Geral de Depósitos. Até essa altura, a sua experiência na banca resumia-se a ter sido caixa deste banco, em Vinhais. A sua detenção estará ligada com a sua passagem pela administração da Caixa e por essa mistura tão recorrente entre política e negócios. Vara já tinha sido condenado, pela CMVM, a pagar uma multa pesada por negligencia em vários negócios da Caixa.

 

Depois, Armando Vara passou para a administração do BCP. Na altura, houve muitas críticas. Sócrates defendeu-o dizendo que as pessoas são invejosas. Eu confesso: tenho um bocadinho de inveja dos ordenados dos administradores de bancos. Mais tarde, Vara foi condenado a cinco anos de prisão efetiva, no âmbito do processo Face Oculta. Desta parte, já tenho menos inveja.

 

E agora, a detenção numa operação ligada a José Sócrates. A vida de Armando tem sido um salto à Vara. Subiu alto, muito alto. A queda tem sido em câmara lenta.

 

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Saca Lotos

por Miguel Bastos, em 08.07.15

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O problema de falar da Grécia é que ainda me confundem com um especialista. Não é difícil. Tenho vários requisitos: não sou economista, nem político, nem historiador e nunca fui à Grécia. É um bom começo. E tenho capacidade de síntese. Querem ver?

 

A Grécia teve que pedir um resgate, e depois outro e, se calhar, vai pedir um terceiro. O PASOK foi-se, a Nova Democracia vai-se e temos o Syriza, que é uma espécie de Bloco, sem alergia ao poder. Entretanto, um motard perdeu-se a caminho da concentração de Faro e foi parar a Bruxelas. Primeiro acharam-no sexy e depois uma criança egocêntrica. A primeira reunião não resultou; a segunda também não; na próxima é que se decide; sim, senhor agora é com o primeiro ministro; mais um dia; talvez no final da semana; isto é demais, vou convocar um referendo. Se o “Sim” ganhasse o motard, demitia-se. Como ganhou o “não” o motard demitiu-se. Confusos? Claro, os gregos confundem-nos a todos. Dizem “nai” para dizer “sim” e “oxi” para dizer não. Faltam luz, água e medicamentos. Falta dinheiro. Os bancos continuam fechados. Novo prazo para a Grécia: sexta-feira. Fim do resumo.

 

Falta referir o novo ministro das Finanças: “Saca Lotos”. Parece que os gregos ainda confiam na sorte.

 

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Maria Barroso

por Miguel Bastos, em 07.07.15

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Maria Barroso disse que a fé lhe trouxe “força para viver e força para morrer”. A frase inquietou-me, por acentuar a proximidade entre a vida e morte. Falou-se muito da morte na entrevista de Fátima Campos Ferreira: a morte dos pais, dos sogros, de Salgado Zenha e a quase morte do filho João Soares. Foi nessa altura, que reencontrou a fé. Agora, encontrou a morte. A sua morte.

 

A jornalista da RTP tinha pedido uma entrevista a Maria Barroso, a propósito dos seus 90 anos. Senti esses anos na entrevista - pelo percurso e pela experiência. Mas, ao mesmo tempo, não pareciam 90 anos: no timbre, no ritmo, no discurso, no pensamento. Ouvir Maria Barroso é, talvez, ainda melhor do que vê-la. A sua voz está no cinema, na poesia, na política. A sua voz límpida e afirmativa está na entrevista, inédita (Antena 1, RTP).

 

Num dia estava assim, num outro caiu e morreu. Foi, por isso, que a frase de Maria Barroso me inquietou. Para quem tem fé, vai reencontrar os que ama. Para os outros, apagou-se, simplesmente. Viver, morrer. ON/OFF.

 

PS: A Anabela Mota Ribeiro republicou uma entrevista maravilhosa com Maria Barroso. Está no seu blog.

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