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Chatear o Camões

por Miguel Bastos, em 09.06.15

camoes vilar.jpg

O dia 10 de Junho é Dia de Portugal. E de Camões. Ah, e das Comunidades Portuguesas. Porque é que em Portugal complicamos tudo? Um feriado que comemora Portugal, Camões e as Comunidades Portuguesas; comemora tudo, em geral, e nada, em particular. Parece que nasce de uma indecisão: “Então o que é que vamos comemorar Portugal ou Camões?”; “Não sei, o melhor é comemorar os dois”.

 

Um feriado para celebrar Camões terá sido ideia dos republicanos. Camões representava a glória de Portugal. Salazar, que adorava evocar as grandes figuras, manteve as comemorações. Mais tarde, juntou-lhe Portugal e a sua Raça, que se espalhava do Minho até Timor. Quando essa Raça começou a ser questionada, estoirou a guerra colonial e passou-se a evocar, também, as Forças Armadas.

 

Depois do 25 de Abril, a "Raça" foi substituída pelas “Comunidades”. Mas, o tipo de comemorações não mudou. Devia ser uma festa dos portugueses, mas a maioria não dá por nada. Restam os que discursam; os que desfilam na parada; os que recebem honrarias; os que analisam o discurso do Presidente da República e os que andam a chatear o Camões.

 

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E Jesus, veste bem?

por Miguel Bastos, em 05.06.15

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Pelos vistos, Marco Silva é um mal vestido. Soubemos, hoje, que uma das razões para o seu despedimento foi o fato de treino que usou, no jogo com o Vizela. Jogo que o Sporting ganhou. E depois, ganhou ao Famalicão. E depois, ganhou ao Nacional. E, finalmente, ganhou ao Braga. E, com isso, ganhou a Taça, que Bruno de Carvalho andou a mostrar aos adeptos, aos saltos, com grande alegria. Pelos visto, era uma alegria relativa. Perder a Taça, tudo bem. Mas, um fato de treino (do Sporting!) é que não se perdoa.

 

Ontem, Marco Silva foi chamado, a Alvalade, para ser despedido. Bruno de Carvalho  não estava. Estavam um vice-presidente, dois elementos da administração da SAD e uma advogada. A advogada era do departamento jurídico. Ainda pensei que fosse do departamento de moda. O Sporting já teve um director técnico que deu prioridade à moda, mas não ganhou jogos. E Jesus, veste bem?

 

PS:

O futebol precisa de boa educação. Não precisa dos “tweets” de João Gabriel.

O futebol precisa de gratidão. Filipe Vieira sugeriu que ela faltou. Jorge jesus enviou-lha hoje, em comunicado.

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Ai, Jesus!

por Miguel Bastos, em 04.06.15

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Hoje é dia de Jesus. Alguém quer saber do IVA da OCDE; do IRS do PSD/CDS; da TSU do PS? Não. Queremos saber do SLB. Queremos saber do SCP. Queremos saber de Jesus.

 

No dia de Jesus, quem é que quer saber da dívida na Constituição? Só se for da constituição de Jesus: Rui Patrício fica, William Carvalho fica… Quem é que fica mais? Quem é que sai? Quem é que vem?

 

No dia de Jesus, quem é que quer saber do Novo Banco? Só se for do novo banco de Jesus: Inácio sai, Bruno de Carvalho sai, só Jesus fica.

 

No dia de Jesus, quem é que quer saber da providência cautelar da TAP; do interesse público da TAP; do bacalhau de Portas; dos telemóveis dos polícias; dos portugueses a 7 mil euros; da lista VIP na ASAE; das dívidas da Grécia? Ninguém…

 

E não me digam que é porque só se pensa em futebol. Porque não é por isso. Porque, não queremos saber dos golos dos Sub-20; nem da FIFA do senhor Blatter; nem do Rafa Benítez no Real, nem do Quaresma, todo nú, na revista da Cristina.

 

Queremos saber de Jesus. Só Jesus, importa. Aleluia. Amén.

 

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Bater, não é normal

por Miguel Bastos, em 03.06.15

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A manchete do JN diz-nos, hoje, que os “Jovens consideram normal violência entre namorados”. O subtítulo aprofunda: “27% dos jovens consideram normal a violência psicológica no namoro e 13% legitimam a violência física” E conclui: é “Alarmante”. Pois é.

 

Descreve-se Portugal como um país de brandos costumes. Mas temos ditados como “Quanto mais te bato, mais gostas de mim” e “Entre marido e mulher ninguém mete a colher”. Há quem diga, que isso era no tempo da outra senhora. Há quem diga, que agora é que não há respeito.

 

- O que é que posso fazer com a Sofia? - pergunta Harpo.

- Bate-lhe! - responde-lhe Celie, habituada a apanhar do marido.

A cena é do filme A Cor Púrpura. É um retrato americano do início do século XX. Celie era violada pelo pai, que lhe tirou os dois filhos que lhe fez. Depois, pelo marido, que lhe tirou a irmã. Mais tarde, ajudada por outros personagens, Celie vai tomando consciência da sua situação e, no final, emancipa-se.

 

Parece uma tragédia tão distante, tão antiga - com negros, violência, discriminação racial e sexual. Pois, mas não é. É aqui. E é agora.

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Prazer no trabalho

por Miguel Bastos, em 02.06.15

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Há um diálogo perturbador quase no final do filme Seven, de David Fincher. O jovem polícia (Brad Pitt) não consegue entender a crueldade do assassino (Kevin Spacey). Este responde que só cumpriu o seu trabalho. Quando o polícia lembra a violência do “seu trabalho”, o assassino lembra-lhe que ele, enquanto polícia, também faz uso da violência. O polícia responde que o criminoso tem um prazer sádico nas suas execuções. Este responde que não há nada de errado em retirar prazer do trabalho. Isso só o ajuda a ser melhor naquilo que faz. Obviamente, o assassino é um manipulador. Mas o seu discurso (quase) parece fazer sentido.

 

Lembrei-me deste diálogo, ao chegar ao fim das Memórias da Segunda Guerra Mundial, de Winston Churchill. O homem tinha muito gosto naquilo que fazia. E, provavelmente, isso foi uma das condições que o fez declarar e ganhar a guerra a Adolf Hitler e o regime nazi. Já sabia da força e determinação de Churchill. Mas surpreendeu-me a forma como, ao longo do livro, vai adjectivando a guerra, e o prazer que revela no seu trabalho. Porque a guerra não é um trabalho qualquer.

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O vendedor de bancos

por Miguel Bastos, em 01.06.15

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Paulo Portas disse que “Não se muda o vendedor do Novo Banco a meio da venda”. Carlos Costa é, portanto, “o vendedor de bancos”. Parece o título de um filme, como o “O ladrão de bicicletas” ou “O encantador de cavalos”. Mas também me lembra o encantador de serpentes e o vendedor de banha da cobra.

 

Quando Portas falou no vendedor, arqueei as sobrancelhas de espanto. Não tenho as sobrancelhas do Daniel Oliveira. Mas, se as tivesse fotografado, naquela altura, davam uma boa capa de livro.

 

Para que serve o Banco de Portugal? Fui ver ao site. Para:

  • garantir a estabilidade de preços
  • salvaguardar a estabilidade do sistema financeiro português
  • manter um sistemas de pagamentos eficiente, rápido e seguro
  • emitir moeda
  • elaborar estatísticas monetárias, financeiras, cambiais e da balança de pagamentos
  • realizar estudos económicos

 

Não fala de vender bancos. Será que se esqueceram?

 

E também fala de supervisão. Uma área em que Portas acha que o Banco de Portugal... falhou. Mas isso não importa. Porque, afinal o que importa é vender o banco. Novo. Ou usado. Tanto faz.

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