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Temia-se um lista extensa: políticos, empresário, artistas, caras da televisão.
Mas, o DN vem agora dizer que a lista VIP só tinha quatro nomes. Vou repetir, quatro nomes: Cavaco, Passos, Portas e Núncio. Esta é a convicção do presidente do Sindicato dos Trabalhadores dos Impostos.
Fui apanhado de surpresa. Temia uma lista extensa, com tantos nomes que, depois, diríamos: “Isto é que são os VIP?”. Mas não, parece que são quatro.
Tenho, então, quatro perguntas:
Alguém colocou Paulo Núncio à frente de 13 ministros (entre eles, a sua chefe: a ministra das finanças) e à frente de 37 secretários de Estado.
Parece que nunca ouviram falar de protocolo de Estado. Parece que nunca leram Paula Bobone. E deviam.
Quatro nomes não é uma lista. Não é, sequer, um memorando interno. É um post-it. A Lista VIP evaporou-se. É o VIP Vaporub.
Para criticar o PS, Nuno Melo resolveu citar Margareth Thatcher: “o socialismo acaba, quando não há dinheiro para distribuir”. O eurodeputado do CDS queria reforçar a ideia de que a esquerda só ganha eleições e conserva o poder, esbanjando dinheiro. Acabando o dinheiro, acaba o socialismo - como se viu nos países de leste ou no governo de Sócrates.
Também quero citar Margaret Thatcher: “Labour Isn't Working”. Foi um slogan de campanha poderoso, porque tinha vários significados: o Labour (Partido Trabalhista) não está a trabalhar; a receita do Labour não está a funcionar; os trabalhadores não estão a trabalhar. Isto porque, na altura, havia quase um milhão de desempregados. Com os Conservadores, o trabalho resultou… em três milhões de desempregados. Um sucesso, portanto.
Thatcher privatizou, encerrou, extinguiu. Limitou greves, cortou na saúde e na educação e acabou com o salário mínimo. Depois, o seu partido acabou com ela. Nem os conservadores quiseram o Poll Tax - um imposto regressivo, para tirar aos pobres e dar aos ricos.
Às vezes, o “rigor” da direita lembra o Príncipe João, do Robin dos Bosques.
Este fim de semana houve eleições departamentais, em França, e na Andaluzia, em Espanha. Por serem relativamente secundárias, estas eleições passaram relativamente despercebidas, em Portugal.
No entanto, depois da vitória do Syriza, na Grécia, elas foram o primeiro teste para perceber para onde é que caminha a Europa, ou, pelo menos, alguns dos seus países.
Em França, a Frente Nacional tem vindo a crescer, de eleição para eleição. Em Espanha, assistiu-se ao nascimento do Podemos, que algumas sondagens já colocaram à frente dos partidos tradicionais: o PSOE e o PP. Entre as pessoas mais atentas à política europeia, cresceu a convicção de que o bipartidarismo tinha acabado nestes países. As expetativas foram precipitadas. O avanço da Frente Nacional, em França, foi travado pela vitória da UMP, de Sarkozy. Na Andaluzia, o PSOE venceu (novamente), tendo o PP perdido votos, sem perder o segundo lugar. O Podemos foi terceiro.
Foi como se os eleitores tivessem dito: “Podemos, mas não queremos”.
O que nos faz pensar em Portugal…
… dizia uma rapariga perante o microfone de uma jornalista, igualmente jovem.
“A sério?”, perguntei-me.
Tinha feito, há pouco tempo, um programa no extinto Rádio Clube Português, sobre a blogosfera. Era uma coisa nova. Ou, pelo menos parecia ser. Poucos meses depois, tinha uma teenager na televisão, à minha frente, a falar dos blogs da avó. Dos blogs, leram bem. Não foi dos bolos.
Nessa altura, o Facebook começava a ficar popular. O Twitter já existia, mas era nerd; o LinkedIn também, mas era coisa para jovens empreendedores; os blogs já eram (tinha acabado de saber) para avós.
Pois bem, alguns anos depois chego à blogosfera, este lar de terceira idade. Ao segundo Post tenho até um destaque no Sapo, o que é simpático.
Se não fossem o colesterol, os diabetes, a tensão alta, o ácido úrico e a medicação, festejava com espumante. A minha avó, se fosse viva, ficaria contente. (Com o espumante, claro está. Com o resto, era capaz de não perceber muito bem.)
O Observador recorda-nos hoje, que Herman faz 61 anos, através de uma selecção de nove expressões. São bordões que continuamos a dizer, muitas vezes sem fazer associação ao autor. Ou seja, estão-nos entranhadas como uma canção popular, que caiu no domínio público.
Vamos escrever um banalidade? Cá vai: Herman é genial! É mesmo.
Porém, o que tem feito Herman? Se olharmos para o seu percurso televisivo desde “O Tal Canal”, que revolucionou o humor em 1983, temos cinco programas de humor, em mais de 30 anos de televisão.
Neste período, Herman deixou, ainda, de fazer teatro ou outro tipo de espetáculos. Esteve na rádio (com excelentes programas) mas fez, sobretudo, televisão. Que televisão?
Herman, o comediante genial, transformou-se num apresentador banal. Fez talk-shows e concursos, anos a fio, e quando se mudou para a SIC aproximou-se da televisão de Berlusconi.
Regressou à RTP, para fazer um talk-show e um, agora, um programa de day-time igual a qualquer outro. Que desperdício de talento. Queremos “O verdadeiro artista” de volta!
E ele, quer?
O que é isso de ser VIP? Já vi muitas reportagens sobre o assunto: às vezes nas variantes “famosos”, “figuras públicas”, “jet set” ou “socialite”. Nestas categorias, encontramos membros da aristocracia ou da alta burguesia, alguns políticos, empresários, gestores, artistas, caras da televisão, profissionais do croquete, concorrentes de “reality shows”.
O VIP perdeu prestígio, mas ficou.
Há cartões VIP, entradas VIP, clientes VIP, tendas VIP, e agora, Contribuintes VIP. O que ganhamos quando estamos numa lista VIP de contribuintes? Um acesso especial nas finanças? Tem porta exclusiva, passadeira vermelha? Acumulam-se milhas? Atendem-nos mais depressa? Oferecem-nos vales de desconto? Tem flutes e canapés? Emprestam roupa de costureiro?
Uma lista VIP para os impostos é uma coisa bizarra. São VIP os que pagam muito, ou os que pagam pouco? Quem é que faz a lista? Onde é que se colocam os seguranças corpulentos?
Os Vistos Gold já davam um ar suficientemente pindérico do país. Não precisávamos de mais coisas VIP.
Há um ano, sentia-me muito mal. Fixei a data: 17 de Março. Logo eu, que me esqueço de tudo. Não decoro feriados. Não decoro dias festivos como os dias do pai ou da mãe. Nunca sei quando é a Páscoa ou o Carnaval. Esqueço-me de aniversários, de familiares e amigos. Já me esqueci, inclusivamente, do meu próprio aniversário. Mas decorei esta data: 17 de Março.
Há um ano, sentia-me muito mal. A data deveria estar esquecida. Mas não está. Porque, entretanto, entrei no hospital; fui internado; entrei em coma. Durante vários dias, estive ligado a máquinas e desligado da vida.
Há um ano, comecei a morrer. Sem saber.
Esta é, no entanto, uma história com um final feliz. Caso contrário, não estaria aqui a escrever. Os médicos só me falaram em morte, quando eu já eu estava bem vivo. Vivo, felizmente.
A vida é, também, uma questão de sorte. O que faz com que não seja justa. Porém, vou fazer como no futebol: quando se ganha, não se fala mal da arbitragem.
Agora, como diz a canção, Quero é Viver.